A falácia do voto moral…

A esquerda brasileira, como já se tornou hábito, conclama mais uma vez para si o monopólio das virtudes. Votar em Haddad hoje, dizem eles, é se posicionar a favor da democracia, da liberdade, da decência, da ética. Porque, segundo eles, toda a maldade humana está concentrada na candidatura adversária. Assim, o discurso de ódio do candidato do PSL é responsável direto por toda violência existente hoje no país, levada a cabo pelas figuras fascistas que apoiam um candidato fascista. Segundo eles, portanto, o Brasil é um país hoje com, pelo menos, quarenta e nove milhões de fascistas. Nenhuma análise poderia ser mais rasa, simplista, tola e irreal do que essa.

Tal atitude, como já deixei bem claro, não surgiu agora. Se autoproclamar detentora exclusiva da bondade humana é estratégia que a esquerda utiliza há tempos. Mas o que me surpreende agora é a postura de muitos daqueles que pretendem votar na esquerda não por ideologia, mas apenas por a considerarem uma opção “menos pior”. E me refiro a esses não pelo fato de terem escolhido o caminho oposto ao meu, mas sim por considerarem, talvez influenciados pela própria esquerda, que seus votos são “moralmente superiores” aos votos destinados a Jair Bolsonaro. Não são. Essa é uma postura excludente e arrogante. É como se, de uma hora para outra, eu e todos aqueles que entendem ser o candidato da esquerda a opção mais desastrosa para o país, passássemos a ser coniventes com a violência, a aprovar a perseguição aos negros, a estimular o espancamento de homossexuais. Que bobagem é essa? Se essa premissa fosse verdadeira seria de se supor, em contrapartida, que todos os que pensam em migrar para o PT aprovam os roubos astronômicos aos cofres públicos, os assaltos aos fundos de pensão dos aposentados, o apoio às ditaduras bolivarianas, a irresponsabilidade fiscal e o completo descaso com as contas públicas do país.

Portanto, caros amigos que pretendem votar no candidato petista neste segundo turno, lembrem-se de que não dispomos mais de votos bons e maus. Ambas as opções têm sérios problemas e estão, segundo a minha ótica, longe de serem o melhor caminho para o país. Mesmo assim, votarei de acordo com a minha consciência buscando o que entendo ser o menos prejudicial ao Brasil. Sugiro que façam o mesmo. Sugiro também que, daqui pra frente, antes de acusarem todo autor de alguma agressão ou incidente de “eleitor do coiso”, lembrem-se de chamá-lo, antes de tudo, de criminoso ou imbecil, e de que pessoas assim existem aos montes em ambos os lados. Não é o fato de alguém votar em Bolsonaro ou Haddad que irá determinar sua índole ou seu caráter. Sugiro, finalmente, quando ouvir mais uma vez que a esquerda é o único caminho para a liberdade e a democracia, que você se lembre de Guilherme Boulos incentivando uma multidão em comício a invadir a casa de Jair Bolsonaro; de José de Abreu ofendendo Regina Duarte e afirmando que não respeita “artista que defende fascista”; da garota que havia afirmado ter sido ferida com o símbolo da suástica por três apoiadores de Bolsonaro sob suspeita de automutilação; das testemunhas do assassinato de um professor de capoeira, além do próprio assassino, declarando que a briga que resultou no crime não foi provocada por divergência política, ao contrário do divulgado pela imprensa; das duas deputadas mulheres e do deputado negro mais votados da história do país, eleitos pelo PSL, e que não receberam um único aplauso vindo dos movimentos feminista ou negro; do professor da Universidade Federal da Bahia que foi preso em Salvador após tentar atropelar um homem que vendia camisas de apoio a Bolsonaro.

Se todos esses e muitos outros exemplos não o fizerem perceber que não estamos assistindo a uma luta entre Deus e o demônio, se ainda assim você considerar que existe o “ódio do bem”, talvez o voto mais imoral desta eleição seja exatamente o seu!

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Mudança de planos…

Segunda-feira, 08 de outubro, naquela mesma cela da Polícia Federal de Curitiba…

H – Bom dia, presidente. Como foi sua semana?
L – Tensa, companheiro H, muito tensa. Ainda bem que chegou.
H – Estou aqui, presidente, como em toda segunda, aguardando as instruções da semana.
L – E serão as últimas, companheiro.
H – Últimas? Como assim, presidente? Justo agora que estamos no segundo turno? Não consigo fazer tudo sozinho. Não sou capaz de fazer o povo votar até num jegue como o senhor.
L – Tá me chamando de jegue, companheiro H?
H – De jeito nenhum, presidente. Formulei mal a frase. Quis dizer que só o senhor consegue fazer com que o povo vote até num jegue. Me perdoe por favor.
L – Dessa vez passa, companheiro H. E é claro que vou continuar determinando o que você vai fazer. Mas serão as últimas instruções que te passo pessoalmente. Não quero que você volte mais aqui até o final da campanha.
H – Por que, presidente?
L – Porque não está funcionando. Parece que as pessoas perceberam que você é só um poste.
H – Mas o senhor disse que todo mundo já sabia disso. Que, se o senhor mandasse, o povo iria votar até num jegue… quer dizer, em mim.
L – É verdade, companheiro H. Mas parece que já alcançamos os votos de todos que são capazes de votar num jeg… em você. Estamos no segundo turno e agora precisamos de mais gente.
H – Gente que vota em jegue?
L – Não, companheiro. Gente que não vota no jegue do outro lado.
H – E como a gente faz pra convencê-los a votar no nosso jeg… em mim?
L – Eu tenho que me afastar de você, companheiro. Não quero que você fale mais o meu nome, não quero que me dê mais boa noite nos debates, não quero que diga que eu sou preso político e principalmente não quero que você faça aquele L com a mão que dá uma urucubaca danada.
H – Urucubaca, presidente?
L – Isso mesmo. O companheiro L dançou no Rio, o companheiro S dançou em São Paulo, a companheira D acabou com o nosso dinheiro e dançou em Minas e também em Minas o companheiro P conseguiu perder a vaga no segundo turno prum capiau que parece que saiu agorinha da roça. Fazer L com a mão tá proibido.
H – O que mais, presidente?
L – Chega de bandeira vermelha. Quero só bandeiras do Brasil.
H – Mas presidente, todo mundo sabe que a nossa bandeira é vermelha. É a nossa marca registrada.
L – Eu sei, companheiro. Mas o povo que a gente busca não vota de jeito nenhum em bandeira vermelha. Eles têm uma espécie de reação alérgica, sabe? Só vão votar se a bandeira for verde e amarela. Aliás, muda também a sua logomarca pra essas cores.
H – Igual à do jegue do outro lado?
L – Isso. Igualzinho!
H – Ok.
L – Por último, também muito importante, não faça nenhum tipo de contato, nem por sinal de fumaça, com o companheiro JD.
H – Mas, presidente, eu tinha um jantar marcado com ele hoje mesmo.
L – Cancela! Se perguntarem, diga que não o vê há anos. Aliás, que nem o conhece direito.
H – Mas por que, presidente?
L – Temos que colocar você como um cara da nova ala do partido, mais moderno, menos radical, quase um social-democrata, entende?
H – Tipo um tucano?
L – Isso. Essa gente costuma votar em tucano e não em jegue.
H – Muito bem. Que Fidel nos ajude nessa jornada, presidente.
L – Não, companheiro H!! Fidel não! Deus! Que Deus nos ajude. Repete isso quinhentas vezes na cabeça da companheira M. Eu sei que pra ela é mais difícil.
H – Combinado, presidente. Farei tudo o que o senhor mandou.
L – Mas você vai se lembrar de tudo? Não vai anotar nada?
H – Não se preocupe. Tudo está sendo anotado pelo meu secretário ali na entrada da cela, presidente.
L – Que secretário? Você nunca teve secretário, companheiro H.
H – Contratei o Valdeci…

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Conselhos para quem precisa…

Não preciso repetir aqui quais são as minhas posições políticas, quais são as minhas preferências partidárias e quais são as minhas escolhas a partir de agora. Todas elas estão claras nos inúmeros textos que publico por aqui. O meu voto no segundo turno já foi definido não por afinidade e sim por rejeição a um modelo que acabou com a economia do país, que provocou a maior recessão da história, que promoveu o maior assalto aos cofres públicos de que o mundo tem notícia, que aparelhou o Estado, que levou à falência milhares de empresas, que provocou um dos maiores índices de desemprego já vistos, que acabou com os sonhos e a esperança de milhões de brasileiros e que, mesmo diante de tudo isso, ainda tem a cara de pau de se apresentar como alternativa para colocar o Brasil de volta aos trilhos. Em qualquer situação que este projeto de poder estiver envolvido, estarei do lado oposto.

Dito isso, e no intuito de garantir que o PT se mantenha realmente longe do governo brasileiro, faço algumas observações que considero importantes. A eleição de Jair Bolsonaro está muito próxima. Nunca houve, desde a redemocratização, uma virada de primeiro para o segundo turno, ainda mais com uma votação tão expressiva para o primeiro colocado. A não ser que algo fora do comum aconteça, a não ser que o próprio Bolsonaro faça uma besteira muito grande, ele será eleito o próximo presidente do Brasil. Mas, para garantir que isso aconteça, e diante da postura de inúmeros fãs do “mito” que tenho acompanhado desde ontem, entre eles muitos amigos queridos, faço algumas ponderações aos milhões de militantes de Jair Bolsonaro:

1) Sejam humildes. Arrogância só leva à antipatia. Portanto, não questionem o resultado das urnas. Sair gritando que ele só não foi eleito no primeiro turno devido a uma fraude dá a nítida impressão de que vocês não aceitam o resultado do jogo democrático;
2) Não coloquem a culpa da não vitória nos nordestinos. Haddad ganhou no Nordeste com uma margem bem menor que Lula costumava alcançar. Demonstre solidariedade com o povo mais pobre e sofrido do país. Só assim vocês vão angariar simpatia dos indecisos, daqueles que não seguem as ordens do deus Lula;
3) Da mesma forma, não culpem os eleitores dos outros candidatos da direita. Lembrem-se que todos eles chegaram a ter índices de votação bem maiores do que os conquistados nas urnas. Todos eles perderam milhões de eleitores para o chamado “voto útil” no candidato do PSL. Os que não abandonaram seus candidatos no primeiro turno, o fizeram por se sentirem melhor representados dessa forma. Não há nada de errado nisso. A produção de memes e os questionamentos do tipo “só agora?”, apenas alimentam uma enorme antipatia. Não creio que seja isso que vocês estejam buscando, não é?
4) Mostrem o quanto o PT foi ruim, mostrem os pontos positivos do seu candidato. É só assim, com argumentos, que vocês poderão quebrar a imensa rejeição que ele sofre. Se ele é truculento por natureza, vocês da militância não precisam segui-lo. Conquistem votos na palavra e não no grito;
5) Não espalhem notícias falsas. Denunciem sempre que virem seu candidato sendo alvo de alguma inverdade, mas não repliquem na mesma moeda. No fim, ninguém mais se lembrará de quem começou a guerra de mentiras e a credibilidade terá ido para o espaço. Ninguém precisa lançar mão de mentiras para mostrar os desastres do PT. A realidade já tem argumentos fortes o bastante.

Dizem que se conselho fosse bom ninguém dava de graça, mas acho importante que, pelo menos os seguidores mais conscientes, não se esqueçam que a forma como um militante se comporta tem uma grande influência sobre todos aqueles que podem vir a se unir à causa, seja por afinidade ou seja por rejeição ao lado oposto. Ficam as dicas.

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O nosso dia D…

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E chegamos ao mais importante dos dias para o nosso país. Os brasileiros têm hoje a oportunidade de alterar os rumos de uma nação dividida e à deriva. Alterar não apenas através das eleições majoritárias para presidente e governador mas, principalmente, pela renovação de um congresso que tem se comportado ao longo dos anos como mero balcão de negócios, no qual os interesses individuais se sobrepõem aos interesses do país. Se não mudarmos isso, qualquer governo eleito terá enormes dificuldades para implementar suas ações. Portanto, brasileiros, votem com consciência para todos os cargos. O resultado de hoje irá afetar decisivamente as vidas de todos nós pelos próximos quatro anos.

As eleições de hoje também serão históricas por outras razões. Pela primeira vez o tempo de televisão, motivo de disputas espúrias, de alianças desprovidas de qualquer ideologia ou interesse comum, de promessas de cargos e repasses em um eventual novo governo, de pouco valeu. O candidato que dispôs do maior tempo não chegará a dois dígitos percentuais quando as urnas forem abertas. Um fiasco. Também pela primeira vez, os dois partidos que têm monopolizado a disputa nacional nos últimos vinte e quatro anos, terão a menor votação de suas histórias em um primeiro turno. Enquanto isso, um candidato sem tempo de televisão, sem estrutura partidária, e ausente por mais de um mês da campanha, chega hoje com chances reais de ser eleito no primeiro turno.

Concordando ou não com suas ideias, gostando ou não do candidato, aprovando ou não o seu comportamento, o fato é que Jair Bolsonaro é um fenômeno que deve ser avaliado para que se compreenda quais anseios da sociedade a sua figura incorpora. Chamar cada um de seus eleitores de fascista é uma forma simplista e tola de evitar uma discussão que merece aprofundamento. É uma forma de esconder as origens de um radicalismo que vem crescendo a cada ano. É uma forma conveniente de esquecer o quanto os brasileiros foram, durante muitos anos, levados a uma segregação compulsória entre bons e maus, ricos e pobres, nortistas e sulistas. Bolsonaro é consequência direta de tudo isso e espero que, daqui pra frente, saibamos compreender que o acirramento desta divisão poderá nos trazer personagens cada vez mais extremados e perigosos. Que saibamos, portanto, respeitar o resultado das urnas e nos comprometermos, cada um de nós, a diminuir gradativamente a distância entre dois Brasis que jamais deveriam ter permitido serem postos como inimigos.

Que saibamos ser também, daqui por diante, mais críticos e seletivos com as informações que nos chegam. Mentiras e noticias falsas sempre existiram. Durante a campanha presidencial de 2014, por exemplo, os marqueteiros do PT bombardearam a campanha de Marina Silva com inverdades. Imagens da comida desaparecendo da mesa das pessoas foram associadas à possível eleição da recém-chegada à disputa, logo após a morte de Eduardo Campos. Àquela altura, Marina chegara a ultrapassar Dilma Rousseff na intenção de votos. Poucos meses depois da reeleição petista, a realidade tratou de mostrar quem iria mesmo promover o maior desastre econômico da história do país.

Mas hoje, quatro anos depois, o trabalho concebido e muito bem remunerado dos condenados marqueteiros petistas é feito gratuitamente pelos milhões de usuários das redes sociais. É verdade que ainda existem aqueles que são bem pagos para produzirem memes, editarem filmes, alterarem o contexto de declarações isoladas, distorcerem fatos ou simplesmente inventarem acontecimentos completamente inverídicos. Mas essas mentiras só alcançam seus objetivos quando são disseminadas pelos usuários das redes.

Todos os candidatos, sem exceção, foram alvos de notícias falsas nesta eleição. E o que mais me surpreende é que muitos insistem em divulgar inverdades simplesmente porque os defensores da ideologia oposta também o fazem. Que lógica é essa? Eu fiquei particularmente assustado ontem, quando alertei um amigo que uma notícia postada por ele era falsa. Ele duvidou e eu apresentei os links comprovando a inexistência do fato, sugerindo a ele que apagasse a postagem. Sua resposta foi a seguinte: “Apago não. Fake pra você. Respeito. Verdade absoluta pra mim. Esquerda sempre inconfiável”. Hã? E comportamentos assim se repetem, da mesmíssima forma, tanto com defensores da direita quanto da esquerda. Então eu me pergunto: quando foi que as pessoas enlouqueceram? Mais importante ainda, quando é que vamos nos recuperar dessa insanidade? Espero sinceramente que a data histórica de hoje marque o início dessa cura.

Por fim, espero também que o crescente engajamento visto nos últimos anos continue. Que cada um se preocupe em fiscalizar as ações do seu vereador, do seu deputado, do seu senador. Que cada um cobre do poder público o cumprimento das promessas feitas. Que todos tenham o discernimento de aprovar ou desaprovar propostas e medidas pelo impacto que elas possam vir a causar, e não simplesmente por seus autores. O certo não está sempre do mesmo lado. Que cada um de nós se lembre sempre que o Brasil é muito grande e diverso, e que todos merecem ser assistidos, consultados e, acima de tudo, respeitados. Só assim poderemos fazer do Brasil um país mais justo, mais próspero e muito mais feliz.

Bom voto a todos nós!

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Postes a postos…

Outubro de 2018, em algum lugar do sertão mineiro…

- Companheira Dilma, tem certeza que o comício é agora?
– Claro, companheiro Haddad. Daqui a pouco eles chamam a gente.
– Mas não tem quase ninguém. Os marqueteiros não avisaram o povo da cidade que a gente viria?
– A gente dispensou os marqueteiros aqui em Minas, companheiro.
– Não tem marqueteiro? Quem está fazendo os panfletos, a divulgação, as propagandas?
– Os panfletos estão prontos há muitos meses.
– Mas não tem nem um mês que eu sou candidato.
– Não tem problema. Todos os panfletos estão com o nome e a foto do companheiro Lula.
– E eu?
– Seu nome tá aqui do lado, olha só.
– Nossa… quase não dá pra ver. E eu sou o cabeça da chapa.
– Companheiro, o comício já tá vazio com a foto do Lula, imagine se fosse a sua.
– É verdade, companheira. Mas isso não é ilegal?
– Não se preocupe, quando alguém reclama a gente alega que você não gosta muito de tirar fotos.
– E eles acreditam? Bom, deixa pra lá. Por que vocês dispensaram os marqueteiros?
– Contenção de gastos, companheiro. A situação não está fácil. Você não imagina a saudade que eu sinto dos tempos de Petrobrás.
– Mas companheira Dilma, você sozinha já gastou quase quatro milhões nesta campanha, mais do que a maioria dos candidatos à presidência.
– Companheiro Haddad, em 2014 eu gastei oitocentos milhões. Oitocentos! A verba de hoje mal dá pra pagar meus vôos, meus vestidos, meu cabeleireiro e o salário do Valdeci. Por falar nisso, cadê o Valdeci?
– Fala baixo, companheira. A gente só declarou trezentos e cinquenta milhões em 2014.
– Isso não é mais segredo, companheiro. O Palocci já abriu o bico. Aliás, deve ser por isso que o comício tá tão vazio. Nem o pessoal da CUT vem mais, ainda mais agora sem o imposto sindical. O último carregamento de mortadela até azedou.
– Não desanime, companheira. Nós seremos eleitos. Eu confio na nossa militância.
– Eu também, companheiro Haddad. Eles nunca nos abandonam. Não importa o que a gente faça, não importa o que a polícia descubra, eles estão sempre do nosso lado.
– Eles são demais.
– E tem gente que ainda fala que a burra sou eu…
– O que você disse, companheira?
– Nada companheiro Haddad. Estava só pensando alto. Prepare-se, está quase na hora da gente entrar no palco. Decorou tudo o que o companheiro Lula lhe disse?
– Tá tudo na ponta da língua, companheira. Ainda bem que o público aumentou um pouco.
– Não aumentou não, companheiro. Eles só inflaram os balões vermelhos. Faz uma diferença, né? Vamos lá, chegou a nossa vez.
– Bom dia a todos! Eu, poste Dilma, estou aqui ao lado do poste Haddad. Duas Dilmas. Não, dois Haddads. Não, dois postes…

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Entroncamentos e rotatórias…

Já faz muitos anos que uma estrada vicinal em algum lugar do interior liga uma pequena cidade à rodovia mais próxima. Durante décadas, os viajantes que por ela trafegavam somente podiam tomar o sentido à direita ou à esquerda no entroncamento que unia as duas vias. O que, a princípio, parecia ser uma mera questão de escolha, com o tempo se tornou rotina uma vez que muitos habitantes do lugarejo se recusavam sequer a conhecer a direção oposta. Mais alguns anos se passaram e a população local já classificava seus conterrâneos apenas pela direção que escolhiam. Os que sempre viravam à esquerda, diziam que o caminho adotado era muito mais virtuoso e levava a um local de natureza exuberante, repleta de rios e florestas intocadas e de comunidades felizes abertas a todos, onde as pequenas casas se diferenciavam apenas pelo tom de suas cores vibrantes. Os frequentadores do caminho à direita, por sua vez, falavam do asfalto bem pavimentado, da produtividade dos vastos e irrigados campos agrícolas, das cidades prósperas que se aglomeravam às margens da via e do merecido crescimento individual dos cidadãos daquelas localidades. Com o passar do tempo, a rivalidade se tornou tão acirrada, que os fãs de um dos lados passaram a atacar os adeptos do outro, enquanto escondiam propositadamente as mazelas que testemunhavam ao longo de seus próprios caminhos. Antes que pudessem perceber as consequências dessa segregação, todos já se consideravam inimigos. E assim, entre conflitos e inimizades crescentes, viveram por muitos anos.

Entretanto, há pouco tempo, uma obra inovadora foi realizada no entroncamento: uma rotatória foi construída na junção das duas vias. E além das duas únicas opções de outrora, novas estradas foram criadas a partir da rotatória recém-inaugurada. A cidade ficou em polvorosa. Os habitantes se questionavam se era realmente possível que caminhos intermediários nunca antes percorridos pudessem mesmo existir. Para onde essas estradas poderiam levá-los? Nenhum deles havia experimentado aquela liberdade de escolha antes. Naturalmente, muitos habitantes, cansados daquela dicotomia com a qual aprenderam a lidar, se mostraram dispostos a explorar novas trilhas, a descobrir novas culturas e a conhecer novas localidades, quem sabe, capazes de aliar a prosperidade com a natureza preservada, a liberdade com a inclusão, o esforço individual com a atenção coletiva. E assim partiram em busca de novas perspectivas.

Amedrontadas diante de uma possibilidade real de perderem o protagonismo conquistado, as lideranças das antagônicas castas dominantes se reuniram pela primeira vez. Elas sabiam que estavam agora lutando pela sobrevivência de seus ideais, afinal, haviam passado décadas afirmando a inexistência de quaisquer caminhos alternativos. Exatamente em função disso, cada cidadão daquela cidade tinha sido obrigado a escolher uma direção e a considerá-la como a única válida. Mas agora, diante de novas perspectivas, o papel de inimigo havia mudado de mãos. Um inimigo contra o qual a costumeira radicalização de argumentos perdia força. Os extremos perceberam que, para que um deles pudesse sobreviver, o outro teria que sair fortalecido. Perceberam que eram faces de uma mesma moeda, que estavam irremediavelmente conectados, que a existência de um dependia inteiramente da continuidade do outro. E assim os inimigos históricos decidiram unir suas forças.

A estratégia a ser adotada era muito simples. Antes que alguém se atrevesse a experimentar as novas estradas, cada lado iria se encarregar de convencer seus antigos aliados de que elas não os levariam a lugar algum. Eles iriam argumentar que, enquanto muitos dos seus perdiam seu precioso tempo com novas e inexploradas trilhas, os discípulos do caminho contrário se concentravam na estrada que sempre percorreram, tornando-a mais forte e soberana. Eles iriam afirmar que as rotas alternativas, na verdade, levavam de forma disfarçada à direção oposta que tanto abominavam. Eles iriam declarar que a rotatória tinha sido construída com um único propósito: enfraquecê-los.

E assim fizeram. E assim fazem insistentemente desde que as novas rotas foram inauguradas. Hoje, mesmo com tantas possibilidades, a primeira e a última saídas da rotatória ainda são as mais percorridas. Muitos ainda nem sabem porque insistem em trafegar pelos extremos com tantas opções intermediárias disponíveis. Apenas seguem o fluxo. E aqueles que ainda se atrevem a buscar novos caminhos, aqueles que se recusam a considerar viáveis quaisquer das direções antagônicas, aqueles que percebem o camuflado pacto feito, também são tratados como rivais por ambos os extremos. Nem precisavam. Em breve, a rotatória será transformada novamente no velho entroncamento que uniu as duas vias por tanto tempo. E os planos de construção de uma nova rotatória serão guardados para um futuro no qual, quem sabe, a pobre, velha e atrasada cidade do interior esteja finalmente disposta a buscar caminhos um pouco menos turbulentos, mais tolerantes e bem mais promissores!

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O papel de cada um…

Segunda-feira, 10 de setembro de 2018, em uma das celas da Polícia Federal de Curitiba…

L – Companheiros, chegou o dia mais triste pra mim. Tenho que passar o bastão.
H – Presidente, eu não sei se consigo. Eu não tenho o seu carisma.
L – Não se preocupe companheiro H, o nosso povo vota até em jegue se eu mandar.
D – Companheiros, desculpem o atraso. O banheiro estava sem papel.
L – Taí a prova companheiro.
D – Não entendi. Perdi alguma coisa? Tava naquele papel? Valdeci, cadê o papel?
L – Não companheira D, não perdeu nada. Só continua tentando decorar o que tá no papel.
H – Presidente, sei que o senhor já fez isso antes, mas eu não consegui nem ser reeleito com o seu apoio.
L – É verdade, companheiro H, mas o Brasil da companheira D tava uma porcaria naquele ano.
D – Meu Brasil? Não tô conseguindo anotar. Isso já tá no papel? Valdeci?
H – Mas o Brasil ainda tá uma droga, presidente.
L – Mas agora a gente pode falar que a culpa é do companheiro T.
H – E as pessoas vão acreditar?
L – Companheiro, você não escutou que o povo vota até em jegue?
D – Valdeci, cadê o papel?
H – Mas o senhor se identifica com o povo, presidente. O senhor veio de uma família pobre do interior do Nordeste.
L – Você também companheiro H.
H – Eu, presidente? Sempre fui de classe média. Nasci na capital.
L – Esquece isso, companheiro. Você nasceu pobre, estudou a vida toda em escola pública e só vai em médico do SUS, de preferência cubano.
H – Presidente, ninguém vai acreditar nisso. Só estudei em escola particular, tenho plano de saúde vitalício e internacional.
L – Companheiro H, não seja bobo, o povo vota até em jeg…
D – Valdeci? O papel, Valdeci.
H – O senhor está certo como sempre, presidente. Aliás, tenho algumas sugestões para o nosso programa de governo que eu queria passar pro senhor.
L – Companheiro H, vamos deixar uma coisa bem clara aqui. As propostas são minhas, o governo é meu, você vai lá e só repete o que eu mandar.
H – Mas, presidente, e se eles me perguntarem alguma coisa que eu não saiba?
L – Fala que vai me consultar, é claro!
H – Mas isso não vai dar a impressão de que eu sou só um poste?
L – Hahahaha. Companheiro H, todo mundo já sabe que você é só um poste!
H – Que povo iria votar em um poste que não sabe nada? Que não tem nenhuma opinião própria?
L – O mesmo povo que vota até em j…
D – Valdeci, é a última vez que eu falo, cadê a porra do papel???
H – Obrigado, presidente, estou bem mais confiante. Pode fazer o anúncio da minha candidatura.
L – Mais minha do que sua, companheiro H, mais minha do que sua. Agora, onde está a companheira M, a nossa vice?
H – Ela aproveitou que a campanha ainda não tinha começado e foi pra Nova York fazer umas comprinhas.
L – Fala com o povo que ela foi na ONU pra me defender, defender o Brasil e defender a democracia da Venezuela.
H – Presidente, o povo não vai acreditar nisso!
L – Companheiro H, tenho que te lembrar toda hora em quem o povo vota se eu mandar?
D – Valdeci!!! Cadê o papel???

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Indefinições e sonhos…

Não consigo prever qual será o impacto do atentado sofrido ontem por Jair Bolsonaro nos próximos pleitos. Não tenho dúvidas, entretanto, de que uma nova eleição começa agora. Uma eleição com muito mais indefinições que a anterior, que caminhava para um segundo turno entre dois extremos, com provável vitória da esquerda ou centro-esquerda. O atentado à democracia ocorrido ontem poderá provocar uma redução significativa na grande rejeição que o candidato atacado tem junto à população. Na mesma linha, também poderá provocar um aumento da rejeição dos candidatos ligados à esquerda. Se ambos os movimentos ocorrerem, a eleição pode até mesmo vir a ser definida no primeiro turno, possibilidade absolutamente inviável até o início da tarde de ontem. Claro, são apenas hipóteses e conjecturas, e somente as próximas pesquisas poderão indicar uma ou outra direção.

Algumas conclusões, entretanto, já podem ser alcançadas de antemão. A mais importante delas é a de que não vivemos uma democracia plena. Quando a violência assume o protagonismo em um debate eleitoral, quando pessoas comemoram o silêncio imposto a vozes dissonantes, quando a liberdade de expressão é cerceada com truculência, não há que se falar em exercício da democracia. Perdemos o rumo há algum tempo e não temos a menor noção de como encontrá-lo novamente. Vivemos em um país dividido não por ideologias distintas, ideias divergentes ou visões de mundo antagônicas. Vivemos sim em um país de guetos e de gangues inimigas, entrincheiradas e prontas para dispararem umas contra as outras. O disparo de ofensas, de inverdades, de distorções da realidade, de acusações de má índole passou a ser tão rotineiro quanto os tiroteios que se alastram pelo país em progressão geométrica. O debate de ideias não existe há muito e é desalentador perceber que poucos são os dispostos a dialogar, a apresentar argumentos e, principalmente, a escutar o que o outro tem a dizer. Poucos buscam compreender os motivos que o levaram às opiniões e verdades que o caracterizam.

O Brasil é um país de preconceituosos. E não me refiro apenas aos preconceitos clássicos tão exaustivamente debatidos. Falo do preconceito de opiniões, do preconceito de posturas, do preconceito de ideais. Para a maioria dos brasileiros, os autores sempre se sobrepõem às ações. Qualquer manifestação vinda daquele grupo ou indivíduo armazenado na prateleira “não presta” de nossas sectárias consciências individuais é instantaneamente descartada. Nada de bom pode vir dali. O oposto também ocorre e as pessoas passam a validar comportamentos sem sequer se darem ao trabalho de avaliarem suas razões, motivações e consequências. Assim, chegamos ao pobre cenário desprovido de novas trocas de ideias e de abordagens que vivenciamos hoje. Assim, atingimos o grau máximo do preconceito humano: o preconceito de pensamentos.

O Brasil comemora hoje 196 anos de sua independência. Quando estivermos celebrando o bicentenário, o governo do nosso próximo presidente estará se encerrando. Por isso, vou me permitir sonhar com uma realidade um pouco diferente para daqui a quatro anos. Não, que bobagem, sonhos não devem ser limitados. Daqui a quatro anos, anseio encontrar um novo país. Um país mais justo, mais responsável, mais atento, mais participativo, onde o cidadão tenha consciência de sua importância nas mudanças que almeja. Um país mais consciente de suas características e diversidades, mais disposto a debater posicionamentos e sugestões divergentes, mais determinado e seguro de seus rumos. Um país no qual todas as vidas tenham o mesmo valor, no qual qualquer atentado à liberdade provoque as mesmas reações de indignação em todos os segmentos da sociedade, no qual a hipocrisia reinante hoje seja substituída por um olhar mais amplo e mais condescendente. Um país, acima de tudo, mais unido, mais tolerante e mais feliz.

Esse é o meu sonho para os nossos duzentos anos de liberdade. Sim, é só um sonho, eu sei. Mas se não sonharmos primeiro, como poderemos um dia concretizá-lo? Temos que sonhar agora porque a viabilidade desse sonho, ou pelo menos de parte dele, depende inteiramente do que fizermos daqui a exatos 30 dias. Que não fujamos, portanto, à luta. E que o sol da liberdade em raios fúlgidos ilumine os caminhos deste grande país!

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As cinzas que respiramos…

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Fui dormir ontem desolado com o incêndio que consumia o Museu Nacional na Quinta da Boa Vista. O museu mais antigo do país, duzentos anos recém completados. O museu com o quinto maior acervo do mundo, com mais de vinte milhões de peças. O museu de coleções inestimáveis, entre elas a maior biblioteca de antropologia da América Latina, o fóssil humano mais antigo das Américas, múmias egípcias raras e ossadas de dinossauros únicas no território nacional. O museu cuja edificação em si já era uma obra de arte singular, testemunha viva da história do Brasil. Uma perda difícil de ser mensurada. Fiquei pensando nas diversas oportunidades que tive de visitá-lo, e também nas que não tive pois suas portas permaneceram fechadas por muito tempo, por completa falta de recursos. Que tipo de país é este, no qual um milésimo do valor desviado pelos corruptos de todas as esferas teria sido suficiente para se restaurar e manter esse patrimônio por décadas? Triste país sem cultura e sem memória. Triste país vítima do descaso, da corrupção, do atraso. Triste país sem perspectivas.

Acordei hoje com as fotos do que restou de um edifício que contou, durante mais de dois séculos, grande parte da nossa história. Acordei também com as declarações oportunistas e criminosas feitas pelos membros e defensores do partido que governou este país por mais de treze anos. Todas atribuindo aos últimos dois anos de governo a culpa integral pela tragédia de ontem. Que gente sem caráter! Que bando de cafajestes! O museu está abandonado há décadas. Nenhum presidente, antes, durante ou depois do governo petista moveu uma palha na tentativa de preservá-lo. Tivemos uma Copa do Mundo e uma Olimpíada que custaram dezenas de bilhões aos cofres públicos, e nem um centavo foi destinado à restauração ou à manutenção do museu mais importante do país. Mesmo com um fluxo de turistas sem precedentes, ninguém tentou efetivamente implementar uma parceria público-privada para que o museu pudesse receber milhares de turistas do mundo todo, e também do Brasil. Ninguém pensou em promover exposições interativas no museu, financiadas pela mesma Lei Rouanet que cansou de bancar espetáculos de artistas consagrados e bem sucedidos, ou de manifestações de “arte” lacradoras alinhadas com as orientações ideológicas dos responsáveis pela aprovação dos recursos. Ninguém questionou os empréstimos bilionários do BNDES para as grandes empresas brasileiras parceiras dos governos, enquanto a cultura do país agonizava. Ninguém alertou para o descaso com as centenas de outras instituições brasileiras, igualmente valiosas, como, por exemplo, o Museu do Ipiranga em São Paulo, fechado desde 2013 por risco de desabamento. E nesse caso é certo afirmar que, caso um novo desastre venha a acontecer, essa gente será a primeira a apontar seus adversários políticos novamente como os únicos culpados. Gente oportunista, corrupta, mal intencionada, retrato do atraso em que vivemos.

As cinzas que vemos hoje, infelizmente, não são apenas oriundas dos valiosos objetos queimados ontem no Museu Nacional. Elas se somam às cinzas densas que respiramos há décadas, assistindo diária e passivamente a queima dos valores que deveriam fazer parte de qualquer sociedade que se julga civilizada. Honestidade, decência, ética, responsabilidade, civilidade, bom-senso, caráter, hombridade, perseverança, coragem, coerência e retidão ardem em uma imensa fogueira diante de nossos olhos. A cada dia o fogo se alastra com maior força, deixando em cinzas novos e inestimáveis valores. Somente alguns poucos se aventuram a tentar apagá-lo, munidos apenas de algumas gotas de água ou de suor. Um esforço inglório cada vez mais ridicularizado por uma sociedade que já se acostumou com o calor intenso, com o ar poluído, com a claridade cada dia menor, fruto das cinzas que opacam uma luz que um dia, dizem, brilhou sobre o Brasil!

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O risco Bolsonaro…

Podem baixar a guarda, caros amigos bolsonaristas. Apesar do título intencionalmente provocador, a presente reflexão não pretende replicar as acusações de sempre, sejam elas reais, falsas ou exageradas. Tampouco vou falar sobre homofobia, racismo, desigualdade de gênero, machismo, direitos das minorias ou outros temas similares que tanto têm atraído a atenção de seguidores e detratores, e com os quais Jair Bolsonaro aprendeu a lidar com extrema naturalidade e franqueza, despido dos filtros impostos pelo politicamente correto. E esse é mais que seu grande mérito, é também a razão primordial que o tem levado a liderar as intenções de voto até agora. Apesar de considerá-lo totalmente despreparado para ocupar o posto mais importante do país, como já deixei bem claro em outras oportunidades, quero abordar neste texto uma outra questão: a real possibilidade de Jair Bolsonaro se eleger presidente do Brasil.

Estou ciente de que muitos vão me chamar, no mínimo, de imprudente, por estar me arriscando a fazer esta análise poucos dias após o sucesso da participação de Bolsonaro no Jornal Nacional. Realmente não tenho dúvidas de que seu confronto com os âncoras da Globo tenha lhe rendido novos votos e novos seguidores. Ainda assim, não vislumbro a menor possibilidade de que ele possa ser eleito já no primeiro turno, como muitos de seus seguidores afirmam categoricamente e tantos outros trabalham abertamente com esse intuito, inclusive lançando mão de notícias falsas, de teorias da conspiração e de deduções fantasiosas para demoverem os demais eleitores avessos às ideologias da esquerda da ideia de votarem em outros candidatos. E a razão principal na qual me baseio para fazer essa afirmação não está relacionada a dados de pesquisas ou a preferências pessoais. Jair Bolsonaro não será eleito no primeiro turno por uma mera questão matemática. Esta é a eleição com o maior número de candidatos desde 1989. Existem, no mínimo, quatro outros candidatos que concorrem na sua mesma faixa do eleitorado e que, inevitavelmente, irão tirar potenciais votos do candidato do PSL. Não há, portanto, campo para que ele cresça a ponto de atingir mais de 50% dos votos válidos em um cenário como esse. A conta simplesmente não fecha. Além disso – e agora sim entro na seara das perspectivas – é mais do que plausível afirmar que, após o início do horário eleitoral, Alckmin e Haddad irão crescer nas pesquisas, em função da capacidade de penetração de seus partidos na sociedade e do maior tempo de propaganda na TV. Haddad evidentemente está do outro lado do espectro político, mas o crescimento de Alckmim, aliado aos votos que Meirelles, Álvaro Dias e Amoêdo irão receber, inviabiliza inteiramente a eleição de Bolsonaro no primeiro turno.

E aqui abro um parêntesis para uma breve sugestão aos seguidores de Bolsonaro que insistem em propagar falsas notícias: não faz sentido essa tentativa tosca de desmoralização a todo custo das demais candidaturas. Além de não fazer diferença alguma agora, essas atitudes só têm provocado uma antipatia tão grande que poderá se refletir nos votos que o candidato certamente irá precisar em um provável segundo turno, que analisarei a seguir. Portanto, se me permitem um conselho, mudem de estratégia. Concentrem-se em enaltecer e valorizar as qualidades do seu candidato e ressaltar os pontos que entendam ser diferenciais em relação aos adversários dele. Debatam propostas e posturas. Todo debate é construtivo, mas não aqueles baseados em mentiras.

Bem, falando finalmente de segundo turno, e aqui justifico o título deste texto, Jair Bolsonaro tem a maior rejeição entre todos os candidatos. Mesmo aqueles que não acreditam nas pesquisas, certamente conhecem diversas pessoas de sua convivência e com ideologias semelhantes que simplesmente não o suportam. E esse é o grande perigo que sua candidatura sofre. Bolsonaro corre o sério risco de não reunir votos suficientes para derrotar seu adversário, mesmo que este venha do espectro da esquerda. Não é à toa que, nas pesquisas divulgadas até o momento, Bolsonaro não consegue vencer nenhum de seus adversários no segundo turno, com exceção de Haddad. Não estou afirmando aqui que sua eleição no segundo turno seja inviável, diferentemente de sua vitória já no primeiro turno. Mas, hoje, mesmo liderando todas as intenções de voto, não o coloco como o favorito destacado da disputa. Em outubro veremos se meus palpites têm algum fundamento. Façam suas apostas!

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