E os erros se repetem…

Enquanto o governo Maduro fecha as fronteiras da Venezuela, a esquerda brasileira continua fechando seus olhos para o massacre que ocorre há tempos no país vizinho.

Enquanto o governo Maduro queima caminhões com toneladas de mantimentos destinados a um povo miserável, a esquerda brasileira continua creditando tal miséria exclusivamente aos embargos do imperialismo americano e sua ganância pelo petróleo alheio.

Enquanto o governo Maduro assassina compatriotas que ousam desobedecer as ordens de uma ditadura, a esquerda brasileira se solidariza com o ditador e o chama de democrata eleito pela vontade de um povo soberano.

Enquanto o governo Maduro destrói conjuntamente a economia do país e a esperança de seus cidadãos, a esquerda brasileira continua afirmando que o verdadeiro povo venezuelano caminha junto a seu líder, e chama de golpistas os milhões que protestam diariamente nas ruas.

Enquanto o governo Maduro zomba dos líderes dos países que não mais o reconhecem como presidente, a esquerda brasileira continua zombando da inteligência alheia ao propor um alinhamento com o que há de mais retrógrado, de mais pernicioso, de mais degradante hoje na política externa mundial.

As fronteiras da Venezuela serão reabertas mais cedo ou mais tarde e o governo Maduro não se sustentará por um longo tempo. Mas o povo venezuelano ainda sofrerá muito até que consiga reerguer seu país destroçado pelo socialismo. Como invariavelmente acontece, as promessas iniciais de justiça social, independência, prosperidade e liberdade feitas pelo líder da vez se transformam rapidamente em perdas de direitos, penúria, caos e repressão. Nem a igualdade é atingida mesmo com toda a população igualmente miserável, afinal, toda a cúpula que controla a ditadura acumula cada vez maiores riquezas. O roteiro é sempre, absolutamente sempre igual. Não poderia ter sido mesmo diferente com o socialismo implantado por Hugo Chaves e continuado por Maduro na Venezuela.

Mesmo assim, a esquerda brasileira continuará a exaltá-los e a glorificá-los. Ambos passarão a fazer parte do imaginário coletivo, e juntarão suas icônicas silhuetas às de Fidel, de Che, de Marighella, de Dirceu, de Lula e de tantos outros baluartes do ideário de esquerda. Um ideário tão poderoso que consegue (re)escrever a história de cada um deles à revelia dos fatos. Um ideário que conta com o auxílio de politicos e formadores de opinião comprometidos com a divulgação da prometida e falaciosa “justiça para todos”. Um ideário que consegue ludibriar e convencer milhares de cérebros deturpados, incapazes de questionarem a veracidade das teorias que lhes são impostas. Incapazes de analisarem com imparcialidade o ponto de vista contrário. Incapazes de perceberem, ironicamente, que é exatamente essa incapacidade a grande responsável pelo aumento do abismo cada vez maior entre o que acredita a maioria da população e o que pregam os intelectuais, artistas, filósofos, jornalistas e demais defensores de uma esquerda brasileira irremediavelmente contaminada pela patologia mórbida, destrutiva e devastadora denominada socialismo!

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O que realmente importa…

Foi encaminhada ontem ao congresso a mais importante Proposta de Emenda Constitucional da história recente do Brasil. Em um país quebrado e com déficit bilionário crescente, nada é tão primordial e urgente quanto a aprovação da reforma da previdência. Nenhuma mudança de postura, nenhum controle mais efetivo dos gastos públicos, nenhuma gestão mais eficiente e enxuta do Estado, nada disso surtirá efeitos reais e duradouros na economia brasileira se a reforma da previdência não for aprovada. Sem a reforma, muito em breve simplesmente não haverá dinheiro para a educação, para a saúde, para a segurança, para o saneamento básico. Sem a reforma, cessarão por completo os já escassos recursos destinados à cultura, ao esporte, aos programas sociais. Sem a reforma, o futuro do país é o completo e absoluto caos. Por isso, seja você de direita ou de esquerda, a favor de um Estado assistencialista ou adepto do Estado mínimo, saiba que, sem uma reforma previdenciária robusta e significativa, não existe a menor possibilidade de que o país venha a obter recursos para a concretização de seus objetivos, sejam eles quais forem.

Jair Bolsonaro agiu como presidente e foi pessoalmente ao congresso levar a proposta, passando aos deputados e à população a devida noção de urgência e importância que o tema merece. Atitude louvável e condizente com o cargo que ocupa. Espero que, daqui pra frente, ele tome gosto por atitudes semelhantes e que abandone, sozinho e em família, o irritante hábito de inventar problemas e de criar crises para seu próprio governo. Espero também que, daqui pra frente, ele aprenda a se impor como autoridade máxima do país junto aos seus subordinados e, principalmente, aos seus filhos. Já bastam os problemas que ele terá para a aprovação de uma PEC que retira privilégios da classe política e do funcionalismo público, e que prolonga o tempo de trabalho e de contribuição de todos os trabalhadores da iniciativa privada. Já bastam os gritos de uma oposição hipócrita que, quando estava no poder, defendeu a necessidade premente da mesma reforma e não teve competência para levá-la adiante. Já bastam os lobbies que diversas corporações começam a fazer junto aos deputados e senadores, na tentativa de manterem suas regalias. Já bastam as mentiras que diversos “formadores de opinião” e “defensores das minorias” começam a propagar no intuito de minar a credibilidade de uma lei crucial para a sustentabilidade do país.

Teremos alguns meses pela frente até que a reforma da previdência seja aprovada. Não considero a hipótese de não aprovação, afinal, trata-se de uma mera questão de sobrevivência. Espero apenas que a proposta não seja amenizada de forma excessiva pelo congresso. Espero ainda mais que, ao longo dos próximos meses, assuntos tais como filmes de cineastas ideologicamente deturpados, cor das roupinhas de bebês recém-nascidos, camisas e chinelos piratas usados por autoridades, caravanas e vigílias feitas a presidiários e outras tantas aberrações que servem apenas para inspirar os incontáveis memes que invadem as redes sociais do país, sejam tratadas com a devida relevância que possuem: nenhuma!

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Postagens problemáticas…

- Ai, amor, essa foto nossa ficou ótima! Posta no Instagram.
– Agora, meu amorzinho. Dá uma olhada aí.
– “Namorada boa é aquela que tá contigo na praia até o nascer do sol”?! Que palhaçada é essa Túlio?
– Como assim, meu tchutchuquinho? A gente não tá junto agora vendo o sol nascer?
– Não desconversa, Túlio. Então, se eu não ficasse até agora com você eu não seria “uma namorada boa”. É isso?
– De jeito nenhum, meu amor. Que bobagem, eu só te fiz um elogio. Aliás, foi você que insistiu pra que a gente virasse a noite na praia, lembra?
– Pois é. E o que você diria se eu escrevesse que “namorado bom é o que topa virar a noite na praia com você”, heim?
– Ué, não vejo problema nenhum…
– Não vê porque você é homem, Túlio. Homem não vê quando está sendo machista e você está sendo machista e misóg…
– Mas, Fafá…
– Viu? Quer prova maior do que essa?
– Meu Deus, o que foi que eu fiz agora?
– Manterrupting.
– Hã???
– Você sempre me interrompe quando eu estou falando, Túlio!
– Imagina, meu amor. Eu só estava querendo lhe mostrar que você entendeu tudo errado.
– Ah, eu que entendi errado, né? E você não tem vergonha de fazer um mansplaining bem na minha cara?
– Foi algum aplicativo do Insta que eu usei sem querer?
– Não se faça de desentendido, Túlio! Você tá me chamando de idiota?
– Não, Fafá. Olha, vamos recomeçar nosso dia. Vou apagar essa postagem e vamos voltar a curtir esse nascer do sol lindo.
– Não vai apagar nada. Só depois que eu der um print. Isso é uma prova do quanto eu sofro nas suas mãos.
– Prova de sofrimento? Um elogio?
– Além do mais você tá ficando famoso. Já tem cinco comentários no seu post de mulheres lindas, vitoriosas e empoderadas chamando você de machista. Agora que você não vai apagar nada mesmo!
– Que mulheres, meu Deus?
– Marcia Tiburi, Kéfera, Manuela d’Ávila, Gleisi e a Pabllo.
– Mulheres? Isso só pode ser piada…
– Ah, que emoção, a Maria Gadu acabou de comentar também. Sou fã demais dela. Ela tá falando que você está sendo duplamente machista.
– Aham…
– Que namorada boa é aquela que não se condiciona a especifismo algum. Gente, ela é genial! E que praia também é feminino e que a sua presença aqui está atrapalhando a desova das tartarugas e agredindo a natureza.
– Não tem nem caranguejo nessa praia, quanto mais tartaruga…
– Meu Deus, eu não tinha pensado nisso!
– Pensado em que?
– Túlio, eu já estava começando a sacar o seu machismo, mas até agora não tinha percebido que você era um monstro. Eu quero distância de você!
– Olha, quer saber? Desisto. Quem quer distância sou eu. Não tô a fim de aguentar gente louca no meu pé. Pode ficar na praia feminina, no mar masculino, na pedra LGBT ou no escambau. E vou apagar a porcaria desse post agora mesmo.
– Não tem problema, seu brutamontes. Já salvei tudo.
– Olha só, Fafá. Acabamos de receber um convite pro programa do Ratinho e outro pra participar do BBB.
– Ai, amor. Que tudo!! Senta aqui e tira outra selfie nossa. A luz agora tá bárbara!
– Claro, meu tchutchuquinho!

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2019 não espera…

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E assim, como num piscar de olhos, outro ano se passou. Há poucos instantes estávamos nos abraçando e celebrando o início de 2018. Olhávamos para o céu iluminado na esperança de que o novo ano nos trouxesse esperança. Hoje, esperamos pelo início de 2019 na esperança de que a esperança que 2018 nos trouxe não nos faça esperar por mais um ano.

Somos um povo acostumado a esperar. A esperar que a economia melhore, a esperar que o governo não nos atrapalhe, a esperar que os políticos corruptos sejam condenados e presos, a esperar que o setor em que trabalhamos seja contemplado com subsídios, a esperar que a chuva seja abundante para que não nos falte energia e irrigação, a esperar que a chuva não seja torrencial para que nossas colheitas não se percam, a esperar que os nossos juízes sejam realmente justos…

Mas o que temos esperado de nós mesmos? Mais importante ainda, o que temos feito além de esperar?

Não esperemos mais. Sejamos em 2019 a energia transformadora que o Brasil anseia há décadas. Conseguimos mudar muita coisa em 2018 mas este foi apenas um pequeno passo diante de uma longa caminhada que temos pela frente. Sejamos no próximo ano aquilo que sempre esperamos de todos os demais.

Que não nos acomodemos em 2019. Que fiquemos atentos aos nossos próprios comportamentos. Que questionemos constantemente os nossos próprios conceitos e ideais, afinal, ideias fixas frequentemente são sinais de acomodação. Que saibamos nos reinventar, nos reconstruir. Que nos permitamos cometer erros novos pois os velhos já nos ensinaram o bastante. Que saibamos arriscar com consciência e responsabilidade. Que aprendamos a nos colocar na posição do outro e que entendamos que o nosso ponto de vista é apenas a nossa verdade, não a verdade absoluta, mesmo porque esta não existe. Que consigamos ser tolerantes sem perder a firmeza e flexíveis sem abdicar dos nossos princípios. Que busquemos argumentar sem arrogância, que aprendamos a admitir nossos equívocos apesar daquela incômoda pontinha de vergonha, que possamos ouvir o ponto de vista contrário com a mesma atenção com a qual expomos nossas convicções. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Que tenhamos capacidade de lidar com o contraditório, mesmo que nos pareça completamente absurdo. Que saibamos respeitar as opiniões alheias. Que tenhamos consideração pelos não crentes e, da mesma forma, por aqueles que veem Buda, Alá, Jeová, Oxalá ou Jesus na igreja, no templo, em uma queda d’água, em uma árvore ou dentro de si mesmos. Mas, ao mesmo tempo, que não permitamos que nos sejam impostas regras e condições que restrinjam a liberdade das nossas próprias crenças. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Que tenhamos discernimento para continuar cobrando novas posturas dos nossos novos governantes. Que não deixemos nossos conceitos e ideologias nos tornarem cegos ou parciais. Que poucos de nós se disponham a encontrar desculpas para defender um político preso e condenado, mesmo que já o tenhamos considerado um grande governante no passado. Que poucos de nós se disponham a encontrar desculpas para defender um molestador de centenas de mulheres, mesmo que já o tenhamos considerado um emissário de Deus no passado. Que poucos de nós se disponham a encontrar desculpas para defender um político envolvido em movimentações financeiras evidentemente irregulares, mesmo que já o tenhamos considerado o único candidato honesto do país no passado. Que não percamos a capacidade de nos indignar com os fatos, independente dos autores. Que não sejamos reféns das nossas próprias escolhas. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Façamos dele o ano pelo qual temos esperado há tempos. Façamos dele o ano pelo qual batalharmos, almejarmos, esperançarmos. Os contratempos, as dificuldades, os obstáculos não deixarão de existir, mas não podemos permitir que eles se transformem em desculpas. Não há nada pior do que desculpas para minar a esperança. Desculpas deixam obstáculos árduos intransponíveis, metas ousadas inatingíveis, problemas graves insuperáveis, chances remotas completamente nulas. Nada é mais degradante do que a desculpa. Que tenhamos forças para superar os nossos próprios limites. Que tenhamos, acima de tudo, consciência de que limite é o ponto que as nossas próprias desculpas nos permitiram alcançar até agora. Nossos limites, portanto, são irreais, são ilusórios, são fantasmas que deixamos nos assombrar. Podemos e merecemos bem mais. Podemos e merecemos ir bem mais longe. Podemos e merecemos nos livrar das amarras que nós mesmos criamos. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Que tenhamos determinação, coragem, garra, atitude, otimismo, persistência, vontade de acertar, de crescer e de prosperar. Que tenhamos, ao mesmo tempo, tolerância, respeito, generosidade, integridade, discernimento, humanidade e amor. Que nos permitamos chorar de emoção e gargalhar feito bobos. Que sejamos capazes de perdoar nossos erros e valorizar as nossas vitórias. Que saibamos conquistar cada vez mais amigos verdadeiros, abraços sinceros, olhares autênticos e sorrisos desarmados. Que possamos ser o amigo, o abraço, o olhar e o sorriso que o outro precisa. E que sejamos sempre gratos pelo que a Vida nos oferecer. Façamos isso no ano que está para começar.

Feliz 2019 a todos nós. Façamos de 2019, juntos, o mais feliz dos nossos anos!

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Oh Happy Day…

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Há exatos cinco anos assistíamos à apresentação da Árvore Cantante, na Rua Coberta de Gramado. O Natal Luz de 2013 foi a última experiência natalina que passei ao lado dos meus pais. Um ano depois, na noite de Natal na minha casa, minha mãe já se encontrava em outro plano e meu pai passou apenas alguns minutos conosco, absolutamente debilitado pela cardiopatia que o levaria definitivamente dali a vinte e seis dias. Seu enorme coração, o maior que já conheci, não conseguiu bater por mais de três meses sem o dela por perto…

Voltando à Rua Coberta, lembro-me nitidamente do momento em que os primeiros acordes de “Oh Happy Day” começaram. O público que lotava os bares e restaurantes em torno vibrou. Tirei meus olhos do palco e olhei para a mesa em que estávamos. Meu filho mais velho, minha esposa e meus pais cantavam e sorriam juntos. O pequeno dormia serenamente no meu colo. Voltei a olhar para o coral em forma de árvore de Natal para que ninguém notasse as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Lágrimas de emoção, de gratidão, de felicidade. Cantei aquela música como nunca havia cantado antes. Como nunca mais cantei desde então. Que dia feliz! Tenho saudades daquele dia. Tenho saudades de ver meus pais saudáveis, felizes, cantando com a alegria e o otimismo que sempre os caracterizaram. Tenho grande, imensa, indescritível saudade daqueles dois!

Lembro-me também do exato momento em que a canção terminou, a última daquela apresentação memorável. Pedi silenciosamente que a cantassem novamente. Quem sabe um bis? Não queria que aquela canção terminasse. Não queria que aquele instante tivesse fim. O bis não veio mas percebi, logo em seguida, que vivera ali um daqueles momentos eternos que fazem a vida ter sentido. Um daqueles muitos momentos que, somados, formam o que as pessoas costumam chamar de felicidade.

Que, em 2019, todos tenhamos muitos momentos assim!

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Cinquenta anos inspiradores…

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Sei que há incontáveis Marias Lúcias no Brasil. Certamente bem mais que Welsers. Welsers e Marias Lúcias juntos são, portanto, ainda mais raros. Que me perdoem os demais casais Welsers e Marias Lúcias que hão de existir, mas os nossos Welser e Maria Lúcia não são apenas raros, são definitivamente únicos.

Afinal, os outros Welsers e Marias Lúcias têm que se esforçar para trocar olhares doces e apaixonados. Os nossos Welser e Maria Lúcia não aprenderam a se entreolhar de outra forma.

Os outros Welsers e Marias Lúcias precisam verbalizar sentimentos e intenções. Para os nossos Welser e Maria Lúcia sempre bastou o silêncio.

Os outros Welsers e Marias Lúcias lutam constantemente em busca da superação das adversidades da vida. Os nossos Welser e Maria Lúcia, incessante e igualmente lutam, mas a mansidão sempre prepondera em suas vidas, apesar de todas as eventuais adversidades.

Os outros Welsers e Marias Lúcias gostam de fazer amigos. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia sabem como marcar definitivamente o coração de cada um dos seus.

Os outros Welsers e Marias Lúcias apreciam uma boa música, um bom livro, um bom vinho. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia são capazes de afinar as notas de um concerto, interpretar as mais intrínsecas motivações de um autor, harmonizar a acidez e a exuberância de um Tokaji húngaro degustado às margens do Danúbio.

Os outros Welsers e Marias Lúcias dançam juntos com frequência. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia fazem de cada breve dança um verdadeiro ato de amor.

Os outros Welsers e Marias Lúcias têm bom coração. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia são generosos o bastante para se doarem integralmente.

Os outros Welsers e Marias Lúcias se complementam. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia são cada um apenas quando juntos estão.

Os outros Welsers e Marias Lúcias merecem celebrar suas bodas. Mas só as Bodas de Ouro dos nossos Welser e Maria Lúcia merecem ser celebradas pelo mundo inteiro. Porque somente a união dos dois é capaz de nos apaziguar, de nos harmonizar, de nos fazer refletir, de nos instigar e de nos motivar a crescer, a florescer, a evoluir para, quem sabe um dia, compreendermos o quanto os nossos Welser e Maria Lúcia, entre todos os Welsers e Marias Lúcias que existem por aí, são verdadeiras fontes de luz em uma noite sem lua. Fontes de luz que não se contentam em iluminar o caminho a ser percorrido. Fontes de luz que só se satisfazem quando percebem que realmente conseguiram ensinar a cada um de nós o segredo de como brilhar também!

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Novembro azul…

Você se lembra, caro amigo, de quando era jovem, guri, mancebo?

E alguém o alertou que, um dia, todo vigor que sentia acabaria em desenredo?

O tempo voa, os anos se apressam, assim pelo menos percebo…

E mesmo que, diante do espelho, você ainda se veja como um bom e velho rochedo,

O fato é que alguns cuidados devem ser sempre tomados, de preferência bem cedo.

Não postergue, não se avexe, não é preciso ter medo.

O exame é tão ligeiro que antes de um minuto inteiro estará encerrado o enredo.

Se, depois da experiência, você se sentir amuado, chateado, meio azedo,

Saiba que sua virilidade, pra sua tranquilidade, passou no teste do dedo.

Mas se sentir euforia, tal qual criança que vibra com seu mais novo brinquedo,

Pode até tornar mensal, um exame que já não basta anual com o belo Dr. Alfredo.

Independente da reação, o que importa é a prevenção, não ligue pro meu folguedo.

Marque sua consulta, chame seus amigos, seja fonte de arremedo.

Divulgue sempre com ardor, mas as flores pro doutor você pode guardar segredo!

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Línguas em movimento…

E vazou uma das questões do Enem do próximo ano:

“Egrégio confrade! Rogo-lhe que não se esquive de seu múnus para comigo e proceda a devida quitação de suas obrigações pecuniárias. Se me permite um alvitre, procure descontinuar sua extemporânea progressão de petas ou me verei forçado a fustigá-lo, não obstante ainda reconhecer-me um contumaz censor de quaisquer condutas bestiais.”

Se você entendeu as palavras dessa frase é porque você manja alguma coisa da língua portuguesa, um antigo ‘dialeto secreto’ usado por professores, escritores, poetas, magistrados e doutos intelectuais de um outrora rico país localizado no Hemisfério Sul.

Adepto do uso das expressões, mesmo nos ambientes mais informais, um advogado afirma: ‘É claro que eu não vou falar com meu bofe, com meu ocó ou em uma reunião das neusas, mas na firma, com meus colegas de trabalho, eu falo dos multíscios o tempo inteiro’, brinca. ‘A gente tem que ter cuidado de falar outras palavras porque pode ser que as barbies e os bilús entendam, né? Aí pode rolar o maior bafão. Tá na internet, tem até dicionário…”, comenta.

O dicionário a que ele se refere é o Aurélio, o dicionário da língua portuguesa lançado no ano de 1975. Na obra, há mais de 115.000 verbetes que quase ninguém mais sabe do que se trata.

Não se sabe ao certo quando essa linguagem surgiu, mas sabe-se que é resultado da mistura do português lusitano com as culturas indígena e africana, numa costura iniciada ainda na época do Brasil colonial.

Questão:

Da perspectiva do usuário, a língua portuguesa foi rebaixada à condição de dialeto, deixando o status de patrimônio linguístico, especialmente por:

A: ter mais de quatrocentas mil palavras catalogadas mas apenas mil efetivamente conhecidas pela comunidade;

B: ter palavras que estão se tornando formas de comunicação usadas apenas em sociedades secretas;

C: ter perdido espaço para expressões muito mais autênticas e dignas de uma nova sociedade empoderada;

D: ser utilizada com correção apenas por raríssimos advogados e escritores ultrapassados que insistem em não acompanhar a evolução da língua;

E: ser cada vez mais incomum em conversas nos ambientes de trabalho dominados pelas palavras muito mais aristocráticas e contemporâneas do Pajubá.

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Prestação de contas…

Terça-feira, 30 de outubro, em uma das celas da Polícia Federal de Curitiba…

- O senhor tem visitas.
L – Manda embora. Eu não quero ver ninguém.
– Sou seu carcereiro, não seu mordomo. Tem duas pessoas com autorização para entrar aí fora e eu vou deixar.
L – Não sei o que que eu fiz pra aguentar tanto desaforo…
H – Boa tarde, presidente. Puxa, não sei nem o que dizer. Eu sinto muito mesmo. Eu queria tanto ter ganho essa eleição pro senhor.
L – Não adianta chorar agora, companheiro H. Não sabia que você era um cabra tão frouxo. Se fosse eu essa eleição tava ganha no primeiro turno.
H – Porque o povo vota até em jegue, né presidente?
L – Companheiro H, se você veio aqui pra tirar sarro com a minha cara é melhor ir embora. Já basta o tal do Mano Brown!
H – Imagina, presidente. Eu e a companheira D viemos lhe prestar contas da campanha.
L – Prestar contas? Vocês dois? Era só o que me faltava. Dois incompetentes que não conseguiram se eleger em lugar nenhum. Deixa tudo anotado aí na mesa que eu vejo depois. Vão embora daqui.
H – Mas não tem nada anotado, presidente. Viemos lhe contar tudo pessoalmente.
L – Não quero ouvir nada agora, companheiro H. Manda o Valdeci me entregar tudo amanhã. Não, na semana que vem é melhor.
H – O Valdeci não trabalha mais pra gente, presidente. Ele agora tá trabalhando pro jegue eleito.
L – Até o secretário foi pro outro lado. Isso tá parecendo um pesadelo sem fim.
D – Presidente, o senhor tá me deixando muito preocupada. Nunca te vi tão pra baixo. Aconteceu alguma coisa?
L – Que pergunta idiota é essa, companheira D? Nós acabamos de perder a eleição. Vocês sabem o sacrifício que foi assistir à apuração ao lado do carcereiro? Com o cara sorrindo de lado e comendo coxinha? E depois o filho de uma égua ainda pôs pra tocar todas as músicas do Lobão. Eu não mereço isso não!
H – Imagino presidente, mas nós temos boas notícias.
L – Boas notícias, companheiro H? Será que o Ministro GM vai mandar me soltar?
H – Infelizmente ainda não, presidente. Mas estamos voltando às bases. Vamos comandar a resistência.
L – Comandar a resistência? Contra quem? O Darti Veider??? Tenha paciência. Temos que comandar a oposição, isso sim.
D – Quem é Darti Veider?
H – Tem muita gente querendo comandar a oposição, presidente. É melhor a gente ficar só com a parte da resistência mesmo.
L – Olha só, enquanto vocês ficam brincando de Guerra nas Estrelas eu tô cada vez mais ferrado. Tragam o companheiro C aqui. Vou dar um jeito dele ficar do nosso lado na oposição.
H – Presidente, o companheiro C já disse que nunca mais sobe num palanque conosco. Chamou o senhor de traidor e a gente de asseclas. Ele tá chateado porque o senhor acabou com a candidatura dele.
D – O que que é assecla?
L – Cearense safado! Não se pode confiar em ninguém hoje em dia. Chama a companheira MS então.
H – Ela também já disse que não quer saber da gente. Além disso ela já saiu de férias.
L – Quem ainda tá do nosso lado?
H – Só o companheiro GB. Ele já falou que a turma dele vai invadir as ruas.
L – Ele disse que faria a mesma coisa se eu fosse preso. Tô aqui há mais de seis meses e ninguém fez nada. É outro que só presta pra falar. Agir que é bom, nada!
D – Mas nós estaremos sempre com o senhor, presidente.
L – Companheira D, se você não puder ajudar pelo menos não atrapalha, tá bom? É melhor vocês irem embora agora. E não precisam voltar.
H – Tá na nossa hora mesmo, presidente. Temos que ir na audiência do Valdeci ainda hoje.
L – Que audiência, companheiro? O Valdeci entrou na justiça contra a gente?
H – Sim, presidente. E tá reclamando uma grana alta.
L – Mais essa agora. E ele tá alegando o que?
H – Insalubridade…

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A relevância de Lula…

O grande responsável pelo resultado das eleições de ontem atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula foi o promotor da extremista divisão ideológica da sociedade brasileira que permitiu o surgimento de uma figura também extremista como novo protagonista da política nacional.

Lula foi o autor da estratégia de manter sua candidatura até a data limite, mesmo sabendo que não haveria chance alguma de que viesse a disputar as eleições.

Lula incorporou a imagem de injustiçado preso político, mesmo ciente de que essa narrativa hoje só encontra respaldo entre os membros de sua própria militância.

Lula escolheu uma figura inexpressiva e sem carisma como seu poste da vez, deixando claro que sua opção se dava apenas em função do “golpe” do qual era vítima.

Lula tramou para inviabilizar a candidatura de Ciro Gomes de modo a enfraquecer o único nome realmente viável vindo do espectro da esquerda.

Lula imaginou que sua condição de deus intocável ainda seria consenso na sociedade brasileira e se esqueceu de que a maioria do eleitorado não faz parte da seita de fanáticos acéfalos que ainda o idolatram.

Lula propiciou exemplos seguidos e explícitos de arrogância, de prepotência, de soberba, de incapacidade de análise crítica, de enorme incompetência política.

Lula finalmente mostrou ao Brasil e ao mundo que, no fundo, não passa de uma grande farsa.

O fato é que o deus Lula está definitivamente morto. E não vai fazer falta alguma!

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