Línguas em movimento…

E vazou uma das questões do Enem do próximo ano:

“Egrégio confrade! Rogo-lhe que não se esquive de seu múnus para comigo e proceda a devida quitação de suas obrigações pecuniárias. Se me permite um alvitre, procure descontinuar sua extemporânea progressão de petas ou me verei forçado a fustigá-lo, não obstante ainda reconhecer-me um contumaz censor de quaisquer condutas bestiais.”

Se você entendeu as palavras dessa frase é porque você manja alguma coisa da língua portuguesa, um antigo ‘dialeto secreto’ usado por professores, escritores, poetas, magistrados e doutos intelectuais de um outrora rico país localizado no Hemisfério Sul.

Adepto do uso das expressões, mesmo nos ambientes mais informais, um advogado afirma: ‘É claro que eu não vou falar com meu bofe, com meu ocó ou em uma reunião das neusas, mas na firma, com meus colegas de trabalho, eu falo dos multíscios o tempo inteiro’, brinca. ‘A gente tem que ter cuidado de falar outras palavras porque pode ser que as barbies e os bilús entendam, né? Aí pode rolar o maior bafão. Tá na internet, tem até dicionário…”, comenta.

O dicionário a que ele se refere é o Aurélio, o dicionário da língua portuguesa lançado no ano de 1975. Na obra, há mais de 115.000 verbetes que quase ninguém mais sabe do que se trata.

Não se sabe ao certo quando essa linguagem surgiu, mas sabe-se que é resultado da mistura do português lusitano com as culturas indígena e africana, numa costura iniciada ainda na época do Brasil colonial.

Questão:

Da perspectiva do usuário, a língua portuguesa foi rebaixada à condição de dialeto, deixando o status de patrimônio linguístico, especialmente por:

A: ter mais de quatrocentas mil palavras catalogadas mas apenas mil efetivamente conhecidas pela comunidade;

B: ter palavras que estão se tornando formas de comunicação usadas apenas em sociedades secretas;

C: ter perdido espaço para expressões muito mais autênticas e dignas de uma nova sociedade empoderada;

D: ser utilizada com correção apenas por raríssimos advogados e escritores ultrapassados que insistem em não acompanhar a evolução da língua;

E: ser cada vez mais incomum em conversas nos ambientes de trabalho dominados pelas palavras muito mais aristocráticas e contemporâneas do Pajubá.

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Prestação de contas…

Terça-feira, 30 de outubro, em uma das celas da Polícia Federal de Curitiba…

- O senhor tem visitas.
L – Manda embora. Eu não quero ver ninguém.
– Sou seu carcereiro, não seu mordomo. Tem duas pessoas com autorização para entrar aí fora e eu vou deixar.
L – Não sei o que que eu fiz pra aguentar tanto desaforo…
H – Boa tarde, presidente. Puxa, não sei nem o que dizer. Eu sinto muito mesmo. Eu queria tanto ter ganho essa eleição pro senhor.
L – Não adianta chorar agora, companheiro H. Não sabia que você era um cabra tão frouxo. Se fosse eu essa eleição tava ganha no primeiro turno.
H – Porque o povo vota até em jegue, né presidente?
L – Companheiro H, se você veio aqui pra tirar sarro com a minha cara é melhor ir embora. Já basta o tal do Mano Brown!
H – Imagina, presidente. Eu e a companheira D viemos lhe prestar contas da campanha.
L – Prestar contas? Vocês dois? Era só o que me faltava. Dois incompetentes que não conseguiram se eleger em lugar nenhum. Deixa tudo anotado aí na mesa que eu vejo depois. Vão embora daqui.
H – Mas não tem nada anotado, presidente. Viemos lhe contar tudo pessoalmente.
L – Não quero ouvir nada agora, companheiro H. Manda o Valdeci me entregar tudo amanhã. Não, na semana que vem é melhor.
H – O Valdeci não trabalha mais pra gente, presidente. Ele agora tá trabalhando pro jegue eleito.
L – Até o secretário foi pro outro lado. Isso tá parecendo um pesadelo sem fim.
D – Presidente, o senhor tá me deixando muito preocupada. Nunca te vi tão pra baixo. Aconteceu alguma coisa?
L – Que pergunta idiota é essa, companheira D? Nós acabamos de perder a eleição. Vocês sabem o sacrifício que foi assistir à apuração ao lado do carcereiro? Com o cara sorrindo de lado e comendo coxinha? E depois o filho de uma égua ainda pôs pra tocar todas as músicas do Lobão. Eu não mereço isso não!
H – Imagino presidente, mas nós temos boas notícias.
L – Boas notícias, companheiro H? Será que o Ministro GM vai mandar me soltar?
H – Infelizmente ainda não, presidente. Mas estamos voltando às bases. Vamos comandar a resistência.
L – Comandar a resistência? Contra quem? O Darti Veider??? Tenha paciência. Temos que comandar a oposição, isso sim.
D – Quem é Darti Veider?
H – Tem muita gente querendo comandar a oposição, presidente. É melhor a gente ficar só com a parte da resistência mesmo.
L – Olha só, enquanto vocês ficam brincando de Guerra nas Estrelas eu tô cada vez mais ferrado. Tragam o companheiro C aqui. Vou dar um jeito dele ficar do nosso lado na oposição.
H – Presidente, o companheiro C já disse que nunca mais sobe num palanque conosco. Chamou o senhor de traidor e a gente de asseclas. Ele tá chateado porque o senhor acabou com a candidatura dele.
D – O que que é assecla?
L – Cearense safado! Não se pode confiar em ninguém hoje em dia. Chama a companheira MS então.
H – Ela também já disse que não quer saber da gente. Além disso ela já saiu de férias.
L – Quem ainda tá do nosso lado?
H – Só o companheiro GB. Ele já falou que a turma dele vai invadir as ruas.
L – Ele disse que faria a mesma coisa se eu fosse preso. Tô aqui há mais de seis meses e ninguém fez nada. É outro que só presta pra falar. Agir que é bom, nada!
D – Mas nós estaremos sempre com o senhor, presidente.
L – Companheira D, se você não puder ajudar pelo menos não atrapalha, tá bom? É melhor vocês irem embora agora. E não precisam voltar.
H – Tá na nossa hora mesmo, presidente. Temos que ir na audiência do Valdeci ainda hoje.
L – Que audiência, companheiro? O Valdeci entrou na justiça contra a gente?
H – Sim, presidente. E tá reclamando uma grana alta.
L – Mais essa agora. E ele tá alegando o que?
H – Insalubridade…

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A relevância de Lula…

O grande responsável pelo resultado das eleições de ontem atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula foi o promotor da extremista divisão ideológica da sociedade brasileira que permitiu o surgimento de uma figura também extremista como novo protagonista da política nacional.

Lula foi o autor da estratégia de manter sua candidatura até a data limite, mesmo sabendo que não haveria chance alguma de que viesse a disputar as eleições.

Lula incorporou a imagem de injustiçado preso político, mesmo ciente de que essa narrativa hoje só encontra respaldo entre os membros de sua própria militância.

Lula escolheu uma figura inexpressiva e sem carisma como seu poste da vez, deixando claro que sua opção se dava apenas em função do “golpe” do qual era vítima.

Lula tramou para inviabilizar a candidatura de Ciro Gomes de modo a enfraquecer o único nome realmente viável vindo do espectro da esquerda.

Lula imaginou que sua condição de deus intocável ainda seria consenso na sociedade brasileira e se esqueceu de que a maioria do eleitorado não faz parte da seita de fanáticos acéfalos que ainda o idolatram.

Lula propiciou exemplos seguidos e explícitos de arrogância, de prepotência, de soberba, de incapacidade de análise crítica, de enorme incompetência política.

Lula finalmente mostrou ao Brasil e ao mundo que, no fundo, não passa de uma grande farsa.

O fato é que o deus Lula está definitivamente morto. E não vai fazer falta alguma!

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Carta a Bolsonaro…

Bom dia, Jair Messias Bolsonaro, presidente eleito do Brasil. Antes de qualquer coisa, parabéns pela sua vitória. É inegável a grande mobilização popular que você conseguiu em torno do seu nome. Vou me permitir não usar aqui o pronome de tratamento que seu posto agora exige, ok? Afinal, você nunca foi muito afeito a essas formalidades mesmo. Ouvi todos os seus pronunciamentos feitos ontem e gostaria de expor algumas colocações que considero importantes. Não vou tomar muito do seu tempo, pode ficar tranquilo.

Você recebeu o aval de muita gente. Mais de cinquenta e sete milhões de pessoas o vêem como a melhor opção para o país. Eu estou entre elas. Mas meu voto, Bolsonaro, não foi dado por admiração a você e sim em função da minha completa aversão ao seu adversário. O voto de muita gente foi decidido também dessa forma. Eu não fiz propaganda do seu nome, não participei de manifestações ou carreatas, não doei valores para sua campanha e sequer vesti as cores verde e amarelo na hora de votar. O que fiz foi tentar apontar o desastre que seria uma vitória do seu oponente. Portanto, Bolsonaro, lembre-se que, assim como milhões de brasileiros que não votaram em você, eu e outros milhões também não o consideramos o mais preparado dos homens para assumir um cargo desta importância. E aqui vai o meu primeiro e maior pedido a você: surpreenda-nos! Queremos tanto que você acerte, que você consiga se cercar de pessoas verdadeiramente competentes, que você seja capaz de, com o passar do tempo, conquistar também os brasileiros que o rejeitam ou que não confiam em você. O país anseia por isso. Assim, peço-lhe que governe para todos, sem distinções.

O Brasil precisa mais do que nunca de união, Bolsonaro. Não se esqueça disso. Não se esqueça também de que a campanha já terminou e não faz mais sentido continuar alimentando polêmicas. Você será presidente de um país dividido. Sei que você é capaz de adotar um discurso mais moderado, sem deixar de lado as suas características pessoais. Da mesma forma, procure controlar os ânimos de seus aliados, dos seus filhos, daqueles que irão falar em nome do seu governo. Não permita que o sucesso de uma eleição o faça se esquecer de que é apenas uma pessoa a serviço de uma nação. Uma pessoa em quem milhões de outras depositam muita esperança. Mas o cargo não lhe dará carta branca para falar ou agir da forma como bem entender. Você não é um deus, mesmo que alguns de seus seguidores mais radicais o vejam dessa forma. Lembre-se que essa coisa de se achar deus não tem dado muito certo por aqui.

Apesar de não ter ficado muito empolgado com seus discursos ontem, gostei imensamente do que você disse sobre a liberdade. A liberdade é realmente um princípio fundamental em qualquer país, Bolsonaro. E foi muito importante que você tenha ressaltado a liberdade de ir e vir, de empreender, de informar e ter opinião, de fazer escolhas e ser respeitado por elas. Que esse respeito nunca se perca ao longo dos próximos quatro anos. Espero que você faça da liberdade, da honestidade, do respeito e da competência verdadeiros mantras para a sua nova administração.

Por fim, quero apenas lhe desejar toda a sorte do mundo. Os sonhos de milhões de brasileiros estão agora em suas mãos. Não se esqueça jamais disso. Que, em pouco tempo, você seja capaz de conquistar a confiança de um país inteiro, através das suas palavras, mas principalmente através das suas escolhas e atitudes. Quero muito confiar em você, Bolsonaro. Quero muito admirá-lo como homem público, como estadista, como líder de uma nação com uma enorme vontade de crescer e de se tornar mais justa e próspera. Você será nosso presidente. Presidente de todos os brasileiros. Por favor, encare esta oportunidade como a grande missão da sua vida!

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Ponderações e agradecimentos…

E chegamos enfim ao grande dia. Hoje o Brasil irá eleger seu presidente e o restante de seus governadores pelos próximos quatro anos. Não preciso dizer, mais uma vez, que os dois candidatos à presidência pouco me representam. Meu voto hoje vai para a candidatura contrária àquela que considero o desastre maior para o país. Aquela que pretende manter no poder exatamente as mesmas lideranças que trouxeram o Brasil a um dos períodos mais tristes de sua história, inteiramente dominado pela incompetência, pela desonestidade e pela arrogância. Uma turma que jogou a economia do país na maior recessão de que se tem notícia, que provocou o desemprego de mais de quatorze milhões de pessoas, que levou à falência milhares de pequenas e médias empresas, que assaltou as estatais, os fundos de pensão e os bancos públicos protagonizando um dos maiores casos de corrupção da história da humanidade. São recordes e superlativos que não sou capaz de ignorar. Não consigo aceitar que continue no comando um grupo que promoveu a maior divisão da sociedade brasileira, que fez do incentivo à mesquinha aversão entre afins a base para a sustentação de seu discurso de defensor de apenas um dos lados, que imaginava ser eternamente o majoritário. Não é mais. O resultado da eleição de hoje só não será uma lavada de mais de setenta por cento dos votos porque a opção contrária também está longe de apontar um caminho de conciliação e de união do país. Não considero, entretanto, que esteja em risco a democracia e a liberdade do Brasil como tantas pessoas, com o apoio maciço da imprensa, insistem em propagar. As instituições continuarão funcionando, não tenho dúvida alguma disso.

Ao fim de mais uma campanha da qual participei ativamente, tenho muito a agradecer a muita gente. Em primeiro lugar, agradeço aos meus amigos reais e virtuais que se dispuseram a debater comigo. Aproveito também para pedir desculpas àqueles que se sentiram ofendidos em qualquer oportunidade. Tenham a certeza de que jamais foi minha intenção, muito pelo contrário. Mesmo quando fui questionado de forma ríspida e indelicada, procurei manter minhas argumentações rigorosamente dentro do campo das ideias. E tenho muito orgulho disso. Também tenho orgulho de não ter divulgado nenhuma notícia falsa. Tudo o que compartilhei aqui e em outras ferramentas foi checado antes. Tudo também foi acompanhado da minha opinião particular e a campanha deste ano me inspirou a escrever inúmeras crônicas que alcançaram, pela primeira vez, a casa dos milhares de leitores, a quem agradeço profundamente.

Agradeço especialmente à minha família, à minha esposa e aos meus filhos pelo amor incondicional e paciência ao me verem passar horas lendo e escrevendo, exatamente nos momentos em que deveria estar me dedicando exclusivamente a eles.

Agradeço também ao partido NOVO, por ter me mostrado que existe uma nova maneira de se fazer política no Brasil. Nestes muitos meses em que pude conhecer de perto seus líderes, seus valores e seus ideais, percebi pela primeira vez que ainda há esperanças de que um partido brasileiro possa se manter fiel aos seus princípios e ideologias, muito além dos interesses escusos que dominam a podre política contemporânea nacional. Que a oportunidade de governar um estado do tamanho e da importância de Minas Gerais possa ser exemplo do que o partido poderá fazer pelo país em breve. Tenho plena consciência de que muitos ajustes de conduta e diversas correções de rotas serão necessários ao longo do tempo, mas espero que a transparência, a lisura e a vontade de acertar jamais se percam. Estarei atento e serei o primeiro a cobrar caso algo do tipo aconteça.

Enfim, entendo que a campanha deste ano, depois de muito tempo, conseguiu trazer de volta um sentimento de esperança ao brasileiro. A taxa de renovação no congresso foi uma das maiores da história e conhecidos corruptos foram merecidamente reprovados pela vontade popular. Ainda resta muita gente podre e incompetente a ser defenestrada, mas alguns bons passos foram dados na direção correta. Que continuemos com essa mesma consciência daqui por diante. Só assim poderemos alcançar, finalmente, um novo patamar como nação. E que, assim como ocorre agora, jamais fujamos à luta!

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A derradeira semana petista…

A última semana antes da eleição chega ao fim e a campanha petista acumula trapalhadas e desacertos. Mesmo que, publicamente, tenha se mostrado animado com os resultados do Datafolha, que apontou uma pequena diminuição na grande diferença a favor do candidato do PSL, o fato é que o PT tem muito pouco a comemorar.

O discurso de vitimização e a conhecida postura de “coitadinhos honestos sendo ludibriados” foram contrapostos pelas imagens de coletivos circulando com a propaganda do partido na Bahia, em evidente crime eleitoral, pelo resultado do inquérito policial que apontou automutilação no caso da garota supostamente marcada a faca com o símbolo da suástica por apoiadores de Bolsonaro, pela completa ausência de provas ou indícios mais consistentes da bombástica reportagem feita pela Folha na semana passada, pela pesquisa feita pelo Ibope apontando que o percentual de apoiadores que foram influenciados pelas notícias de WhatsApp foi rigorosamente o mesmo para as duas candidaturas, e pela gravíssima acusação feita por Haddad de que o General Mourão, aos dezesseis anos de idade, havia torturado um cantor. Pior ainda, pela sua esquiva em pedir perdão pelo equívoco. “Apenas repliquei a informação de uma pessoa de confiança”, foi a desculpa dada pelo petista. Não é exatamente esse tipo de comportamento que o PT reclama com relação àqueles que espalham fake news?

O fogo amigo continuou causando estragos na candidatura petista. Mano Brown, diante de toda a cúpula do partido, admitiu a derrota, escancarou as falhas e os equívocos de uma esquerda desmantelada e proferiu uma das frases que considero mais relevantes vindas de alguém ligado ao PT: “o que mata a gente é a cegueira e o fanatismo”. O próprio Lula escreveu uma carta na prisão desmerecendo seu poste e evidenciando sua autopercepção de deus injustiçado, condição rechaçada pela maioria dos brasileiros. E, depois de Cid Gomes, seu irmão Ciro deixou o petismo a ver navios ontem, quando saiu do aeroporto sem se posicionar de forma contundente a favor de Haddad, demonstrando que a barca furada atrai cada vez menos gente.

Duas pesquisas realizadas ontem, entre elas aquela que mais se aproximou do resultado das urnas no primeiro turno, apontaram que a diferença entre os dois candidatos não se alterou e se mantém próxima de vinte pontos percentuais.

No campo econômico (ou do desespero, como queiram), Haddad passou a divulgar que suas três primeiras medidas caso eleito serão o aumento do salário mínimo inclusive para os aposentados, aumento de 20% no Bolsa-família e a determinação de que o valor do botijão de gás não poderá passar dos R$ 49,00. Disse também que “já fez as contas”. Aumento de gastos públicos, aumento do rombo da previdência e congelamento de preços. Não poderiam haver exemplos mais claros de como se faz para quebrar de vez um país.

Resta ao PT apenas o consolo de poder explorar as recorrentes bobagens ditas pelos mais diversos membros da campanha adversária, mas que não parecem afetar a intenção de votos mais cristalizada deste pleito. Amanhã veremos quais serão os resultados definitivos que, de uma forma ou de outra, irão mudar a história do Brasil!

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Ligações perigosas…

Segunda-feira, 22 de outubro de 2018, na sede de um dos partidos políticos da capital paulista…

H – Alô, quem fala?
L – Companheiro H? É você?
H – Sim, sou eu, presidente. Que prazer ouvir sua voz novamente. Estava com muitas saudades.
L – Obrigado, companheiro. Mas não posso demorar hoje. Tenho muito pouco tempo de ligação.
H – Achei que o senhor não pudesse fazer ligações de dentro da cela, presidente.
L – O Valdeci me emprestou escondido. Estou passando pra ele tudo o que você deve fazer nesta última semana. Mas algumas coisas eu prefiro falar diretamente.
H – Sou todo ouvidos, presidente. O que o senhor quer me dizer?
L – Seu corno, bexiguento, excomungado, cachorro da moléstia, filho de uma p…
H – Calma presidente, o que foi que eu fiz?
L – O que foi que você fez? Você tá acabando com as minhas chances de sair daqui. Com as minhas chances de mandar neste país de novo!
H – Mas, presidente, eu fiz tudo que o senhor me pediu.
L – Companheiro H, eu te entreguei essa eleição de mão beijada. Uma reportagem de primeira página acusando a campanha do outro jegue de caixa 2. Um escândalo internacional! Você sabe o que eu tive que fazer pra conseguir isso?
H – Imagino, presidente…
L – Imagina nada, companheiro H. Antigamente era só eu estalar os dedos que todo mundo tava pronto pra publicar qualquer merda que eu quisesse. Hoje eu tenho que vender a alma pro diabo pra achar alguém com essa disposição. E, mesmo depois disso tudo, o jegue do outro lado continua disparado na frente.
H – Mas eu fiz tudo o que a gente combinou. Fiz cara de indignado como se nem soubesse o que é caixa 2, disse que estamos perdendo por causa das fake news como se a gente nunca tivesse espalhado notícia falsa, reclamei do pessoal comprado pra mandar mensagens de WhatsApp como se a gente não tivesse uma turma nossa só por conta disso, e até gritei exigindo rapidez do TSE em excluir a candidatura do outro jegue.
L – Gritou, companheiro H? Gritou? Você quando fala alto parece que tá sussurrando. Sua cara de bravo não assusta ninguém, sua voz não convence ninguém, nem pra tomar conta de uma bíblia que ganhou de presente você serve. Você tinha que estar com as veias do pescoço saindo pra fora da pele igual as minhas tão agora! Você é um vexame, companheiro!
H – Mas eu ainda tenho confiança que a candidatura do outro jegue será cassada, presidente. Vamos disputar o segundo turno com o companheiro C!
L – Você ficou louco, companheiro H? Mesmo que isso fosse possível o companheiro C ia acabar com a sua raça. E aquele irmão amalucado dele ainda ia gozar com a nossa cara de novo. Ah, se eu encontro aquele babaca na minha frente não ia sobrar um dente dele pra contar a história. Babaca! Eu não sei mais o que fazer, companheiro. Se eu estivesse aí essa eleição tava no papo! Que vergonha!
H – Não seja pessimista, presidente. Acho que nós conseguimos mudar muitos votos!
L – Só se mudou pro lado do outro jegue. Você não viu como as ruas ficaram lotadas ontem? Ninguém tá nem aí pra reportagem nenhuma. A gente já dançou!
H – Mas as provas da reportagem ainda vão aparecer. O povo vai se convencer de que só estamos perdendo porque a gente tá sendo roubado.
L – Provas? Que provas, companheiro? Eu só consegui a reportagem, prova não é comigo. Desde pequeno que eu nunca fui bom de prova. Aliás, as provas sempre me ferraram.
H – Lamento muito desapontar o senhor, presidente, mas não vou jogar a toalha ainda. O senhor me ensinou que a gente não pode desistir nunca!
L – Companheiro, duvido muito! Já faz tempo que ninguém consegue me fazer dar um sorriso. Nem o Coringão me dá alegria mais. Conseguiu perder pr’aquela desgraça daquele time de Minas, dentro do meu estádio e com VAR e tudo!!
H – Calma presidente…
L – Ô time azul excomungado, metido a besta, filho de uma égua…
H – Por favor, presidente…
L – Meu Deus, companheiro H, o Valdeci enlouqueceu. Ele tá chamando o carcereiro pra mim. Tenho que desligar, tô ferrado!
H – Era o que eu estava tentando lhe avisar, presidente. O Valdeci é cruzeirense…

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Os muros de hipocrisia que nos cercam…

“Eu vejo a vida melhor no futuro,
eu vejo isso por cima de um muro
de hipocrisia que insiste em nos rodear…”

O muro de hipocrisia que insiste em nos rodear está cada vez mais alto. E, à medida em que ganha altura, mais escassas se tornam as chances de que possamos vislumbrar as nossas vidas melhores no futuro. A cada dia, as pessoas embasam suas interpretações dos fatos unicamente pelos seus autores. Como se todos aqueles com quem não simpatizamos fossem literalmente incapazes de proferir sequer uma opinião correta. Como se todos aqueles que admiramos fossem incapazes de errar. Estamos atingindo o limite da irracionalidade. Não podemos fechar os olhos para as atitudes dos nossos ao mesmo tempo em que condenamos comportamentos idênticos dos outros. Assim, quem perde a moral somos nós mesmos. E aqui me incluo. Sei que, muitas vezes, somos hipócritas sem que percebamos. “Foi só desta vez”, “todo mundo erra”, “os outros também fazem”, “é por uma boa causa”. Desculpas como essas são comuns quando avaliamos comportamentos condenáveis de afins. A mesma tolerância é absolutamente inexistente quando analisamos os díspares. Mas o problema maior acontece quando deixamos de refletir sobre as nossas próprias digressões e, assim, passamos a correr o sério risco de que elas se insiram definitivamente no nosso caráter. Nada mais perigoso para que o muro de hipocrisia continue a crescer.

Em tempos de extremismo como o que vivemos hoje, é cada vez mais difícil nos mantermos atentos aos nossos próprios comportamentos. Eu mesmo, embora não me veja representado por nenhuma das duas opções deste segundo turno, tenho que me esforçar para tentar fazer uma análise imparcial da denúncia apresentada pela Folha de São Paulo contra a campanha de Jair Bolsonaro. Não apenas pela falta de evidências contidas na reportagem, mas principalmente pela reação que provocou na campanha adversária. Acho, entretanto, que toda denúncia merece investigações e punições contundentes, caso realmente se comprove o envolvimento dos investigados. Mas não se pode inocentar ou acusar de antemão quem quer que seja e entendo que qualquer postura diferente disso mereça atenção redobrada daquele que se propuser a garantir sua visão límpida acima do famigerado muro da hipocrisia.

Por falar em hipocrisia, a candidatura petista já chegou ao seu veredito: Jair Bolsonaro cometeu crime de caixa 2 e deve ser imediatamente retirado do pleito. Mais ainda, o segundo turno deverá ser disputado entre Haddad e Ciro Gomes porque o candidato antidemocrático e simpático à ditadura só liderou o primeiro turno graças às notícias falsas espalhadas via Whatsapp. Bom, chegamos aqui naquele ponto em que o muro se torna completamente intransponível.

Afinal, pede a inelegibilidade de um candidato o mesmo partido que se recusa a aceitar a inelegibilidade de um político investigado durante anos, condenado em primeira e segunda instâncias, preso e réu em outras cinco ações ainda não julgadas.

Pede a condenação de um candidato com base em uma única reportagem o mesmo partido que não consegue ver provas em mais de duzentas e cinquenta mil páginas de um processo criminal repleto de documentos, de fotos, de testemunhos e de evidências.

Reclama de ser vítima de fake news o mesmo partido que, nas últimas eleições, destruiu as candidaturas adversárias com mentiras mirabolantes elaboradas por marqueteiros pagos com uma fortuna em dinheiro roubado. O mesmo partido que já é alvo de investigação pelo Ministério Público pela criação de uma rede de ativistas digitais, pagos para fazer campanha na internet. O único partido que se recusou a assinar um acordo contra notícias falsas poucos meses antes das eleições.

Cobra a condenação por caixa 2 de um candidato o mesmo partido que, comprovadamente, escondeu bilhões de reais dos gastos de todas as campanhas eleitorais das quais participou, inclusive da última campanha do atual candidato à presidência pelo partido, e pela qual ele também já é investigado.

Chama uma candidatura de antidemocrática e ditatorial o mesmo partido que apoiou, incentivou e financiou ilicitamente, durante mais de uma década, ditaduras consolidadas e diversos governos antidemocráticos pelo mundo afora.

Recusa-se a aceitar o resultado praticamente certo de uma eleição o mesmo partido que coloca a responsabilidade da maior crise da história do Brasil única e exclusivamente nas mãos de uma oposição, igualmente hipócrita, exatamente por esta não ter aceitado o resultado das urnas há quatro anos.

E completando a aula de hipocrisia, comportam-se como indignados, como vítimas, como ultrajados e como puros os membros do mesmo partido que mentiu, que roubou, que destruiu a economia do país, que promoveu a divisão da sociedade brasileira e que até hoje foi incapaz de admitir qualquer erro, qualquer incompetência ou qualquer responsabilidade no caos em que nos encontramos.

Por tudo isso, apesar de estar ciente que um muro de hipocrisia circunda de uma forma geral toda a nossa sociedade, entendo que o hipócrita muro petista impede terminantemente qualquer possibilidade de visão exterior. É o mais opressor de todos os muros, o mais contaminado, o mais arrogante e o mais retrógrado. É o muro onde a hipocrisia já criou raízes, já se inseriu no caráter de seus membros e de sua seita. É o muro que, se não for derrubado desta vez, fará com que este país provavelmente nunca mais consiga enxergar além das imagens de igualdade, de justiça, de prosperidade que, infelizmente, não passarão de cenas fantasiosas projetadas em um muro tão alto, mas tão alto, que até a luz do sol terá dificuldade de suplantar!

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A falácia do voto moral…

A esquerda brasileira, como já se tornou hábito, conclama mais uma vez para si o monopólio das virtudes. Votar em Haddad hoje, dizem eles, é se posicionar a favor da democracia, da liberdade, da decência, da ética. Porque, segundo eles, toda a maldade humana está concentrada na candidatura adversária. Assim, o discurso de ódio do candidato do PSL é responsável direto por toda violência existente hoje no país, levada a cabo pelas figuras fascistas que apoiam um candidato fascista. Segundo eles, portanto, o Brasil é um país hoje com, pelo menos, quarenta e nove milhões de fascistas. Nenhuma análise poderia ser mais rasa, simplista, tola e irreal do que essa.

Tal atitude, como já deixei bem claro, não surgiu agora. Se autoproclamar detentora exclusiva da bondade humana é estratégia que a esquerda utiliza há tempos. Mas o que me surpreende agora é a postura de muitos daqueles que pretendem votar na esquerda não por ideologia, mas apenas por a considerarem uma opção “menos pior”. E me refiro a esses não pelo fato de terem escolhido o caminho oposto ao meu, mas sim por considerarem, talvez influenciados pela própria esquerda, que seus votos são “moralmente superiores” aos votos destinados a Jair Bolsonaro. Não são. Essa é uma postura excludente e arrogante. É como se, de uma hora para outra, eu e todos aqueles que entendem ser o candidato da esquerda a opção mais desastrosa para o país, passássemos a ser coniventes com a violência, a aprovar a perseguição aos negros, a estimular o espancamento de homossexuais. Que bobagem é essa? Se essa premissa fosse verdadeira seria de se supor, em contrapartida, que todos os que pensam em migrar para o PT aprovam os roubos astronômicos aos cofres públicos, os assaltos aos fundos de pensão dos aposentados, o apoio às ditaduras bolivarianas, a irresponsabilidade fiscal e o completo descaso com as contas públicas do país.

Portanto, caros amigos que pretendem votar no candidato petista neste segundo turno, lembrem-se de que não dispomos mais de votos bons e maus. Ambas as opções têm sérios problemas e estão, segundo a minha ótica, longe de serem o melhor caminho para o país. Mesmo assim, votarei de acordo com a minha consciência buscando o que entendo ser o menos prejudicial ao Brasil. Sugiro que façam o mesmo. Sugiro também que, daqui pra frente, antes de acusarem todo autor de alguma agressão ou incidente de “eleitor do coiso”, lembrem-se de chamá-lo, antes de tudo, de criminoso ou imbecil, e de que pessoas assim existem aos montes em ambos os lados. Não é o fato de alguém votar em Bolsonaro ou Haddad que irá determinar sua índole ou seu caráter. Sugiro, finalmente, quando ouvir mais uma vez que a esquerda é o único caminho para a liberdade e a democracia, que você se lembre de Guilherme Boulos incentivando uma multidão em comício a invadir a casa de Jair Bolsonaro; de José de Abreu ofendendo Regina Duarte e afirmando que não respeita “artista que defende fascista”; da garota que havia afirmado ter sido ferida com o símbolo da suástica por três apoiadores de Bolsonaro sob suspeita de automutilação; das testemunhas do assassinato de um professor de capoeira, além do próprio assassino, declarando que a briga que resultou no crime não foi provocada por divergência política, ao contrário do divulgado pela imprensa; das duas deputadas mulheres e do deputado negro mais votados da história do país, eleitos pelo PSL, e que não receberam um único aplauso vindo dos movimentos feminista ou negro; do professor da Universidade Federal da Bahia que foi preso em Salvador após tentar atropelar um homem que vendia camisas de apoio a Bolsonaro.

Se todos esses e muitos outros exemplos não o fizerem perceber que não estamos assistindo a uma luta entre Deus e o demônio, se ainda assim você considerar que existe o “ódio do bem”, talvez o voto mais imoral desta eleição seja exatamente o seu!

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Mudança de planos…

Segunda-feira, 08 de outubro, naquela mesma cela da Polícia Federal de Curitiba…

H – Bom dia, presidente. Como foi sua semana?
L – Tensa, companheiro H, muito tensa. Ainda bem que chegou.
H – Estou aqui, presidente, como em toda segunda, aguardando as instruções da semana.
L – E serão as últimas, companheiro.
H – Últimas? Como assim, presidente? Justo agora que estamos no segundo turno? Não consigo fazer tudo sozinho. Não sou capaz de fazer o povo votar até num jegue como o senhor.
L – Tá me chamando de jegue, companheiro H?
H – De jeito nenhum, presidente. Formulei mal a frase. Quis dizer que só o senhor consegue fazer com que o povo vote até num jegue. Me perdoe por favor.
L – Dessa vez passa, companheiro H. E é claro que vou continuar determinando o que você vai fazer. Mas serão as últimas instruções que te passo pessoalmente. Não quero que você volte mais aqui até o final da campanha.
H – Por que, presidente?
L – Porque não está funcionando. Parece que as pessoas perceberam que você é só um poste.
H – Mas o senhor disse que todo mundo já sabia disso. Que, se o senhor mandasse, o povo iria votar até num jegue… quer dizer, em mim.
L – É verdade, companheiro H. Mas parece que já alcançamos os votos de todos que são capazes de votar num jeg… em você. Estamos no segundo turno e agora precisamos de mais gente.
H – Gente que vota em jegue?
L – Não, companheiro. Gente que não vota no jegue do outro lado.
H – E como a gente faz pra convencê-los a votar no nosso jeg… em mim?
L – Eu tenho que me afastar de você, companheiro. Não quero que você fale mais o meu nome, não quero que me dê mais boa noite nos debates, não quero que diga que eu sou preso político e principalmente não quero que você faça aquele L com a mão que dá uma urucubaca danada.
H – Urucubaca, presidente?
L – Isso mesmo. O companheiro L dançou no Rio, o companheiro S dançou em São Paulo, a companheira D acabou com o nosso dinheiro e dançou em Minas e também em Minas o companheiro P conseguiu perder a vaga no segundo turno prum capiau que parece que saiu agorinha da roça. Fazer L com a mão tá proibido.
H – O que mais, presidente?
L – Chega de bandeira vermelha. Quero só bandeiras do Brasil.
H – Mas presidente, todo mundo sabe que a nossa bandeira é vermelha. É a nossa marca registrada.
L – Eu sei, companheiro. Mas o povo que a gente busca não vota de jeito nenhum em bandeira vermelha. Eles têm uma espécie de reação alérgica, sabe? Só vão votar se a bandeira for verde e amarela. Aliás, muda também a sua logomarca pra essas cores.
H – Igual à do jegue do outro lado?
L – Isso. Igualzinho!
H – Ok.
L – Por último, também muito importante, não faça nenhum tipo de contato, nem por sinal de fumaça, com o companheiro JD.
H – Mas, presidente, eu tinha um jantar marcado com ele hoje mesmo.
L – Cancela! Se perguntarem, diga que não o vê há anos. Aliás, que nem o conhece direito.
H – Mas por que, presidente?
L – Temos que colocar você como um cara da nova ala do partido, mais moderno, menos radical, quase um social-democrata, entende?
H – Tipo um tucano?
L – Isso. Essa gente costuma votar em tucano e não em jegue.
H – Muito bem. Que Fidel nos ajude nessa jornada, presidente.
L – Não, companheiro H!! Fidel não! Deus! Que Deus nos ajude. Repete isso quinhentas vezes na cabeça da companheira M. Eu sei que pra ela é mais difícil.
H – Combinado, presidente. Farei tudo o que o senhor mandou.
L – Mas você vai se lembrar de tudo? Não vai anotar nada?
H – Não se preocupe. Tudo está sendo anotado pelo meu secretário ali na entrada da cela, presidente.
L – Que secretário? Você nunca teve secretário, companheiro H.
H – Contratei o Valdeci…

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