Sombras da censura…

LP BLITZ RISCADO

Não carrego traumas por ter nascido e crescido durante a ditadura militar. Meus pais não foram perseguidos, muito menos torturados. Vivíamos uma vida pacata, desprovida de luxos ou mordomias mas sem grandes restrições. Eu e meus irmãos estudávamos em bons colégios, jogávamos futebol toda noite na rua, passávamos nossos fins de semana e feriados no sítio do meu padrinho e, uma vez por ano, enfrentávamos mais de dez horas de estrada para mais uma temporada em uma casa alugada em alguma cidade litorânea do Espírito Santo. Casa que, com enorme frequência, ficava longe da praia de areia escura e mar turvo mais próxima. Pra mim, aquilo tudo era o paraíso.

Durante toda a minha infância, até os arroubos de ufanismo patrocinados pelos militares me pareceram corriqueiros. Ainda me lembro de vários trechos da canção que enaltecia as praias ensolaradas do Brasil e o esplendor do sol do meu país. Cantar “eu te amo, meu Brasil” não me parecia um comportamento estranho, nem conivente, muito menos alienado. Não estávamos expostos ao contraditório. Meus pais não eram favoráveis à ditadura. Mas, como a imensa maioria da população brasileira, também não eram contrários. Fui algumas vezes com eles acompanhar os desfiles de 7 de setembro como um bom programa de feriado, mas sem a reverência que muitos demonstravam diante das formações de tanques, cavalos e soldados. Tampouco meus pais me ensinaram a temê-los ou a considerá-los inimigos. Aquela era a nossa realidade e estávamos plenamente adaptados a ela.

À medida em que fui crescendo, entretanto, algumas situações passaram a chamar a minha atenção. A primeira delas foi quando aguardava ansiosamente pelo início do meu programa favorito e um filme foi transmitido em seu lugar. No dia seguinte, fiquei sabendo que o programa havia sido suspenso porque, no domingo anterior, os quatro protagonistas trapalhões cantaram “esse é um país que vai pra frente” enquanto andavam pra trás. Foi a primeira vez que ouvi (ou, pelo menos, entendi o que significava) a palavra censura. A partir daquele momento, as cores dos decalques “Brasil, ame-o ou deixe-o” nos vidros dos carros, passaram a me parecer particularmente sombrias, apesar de seus vibrantes tons em verde e amarelo.

A segunda situação de que me lembro nitidamente é ter ganho de presente de aniversário um LP. Para quem tem menos de 35 anos de idade, LP era um grande disco preto com um pequeno furo no meio que, em contato com uma agulha mágica, emitia sons, vozes e músicas. Aqueles que ainda não conseguiram visualizar adequadamente, imaginem um LP como uma pequena maquete do nosso planeta segundo a crença dos atuais terraplanistas. Pois bem, ao abrir meu aguardado presente (sinceramente não me recordo de qual artista), uma das faixas – sim, dava pra ver faixa por faixa – havia sido inteiramente riscada por algum material pontiagudo. Dessa forma, nem a mais mágica das agulhas conseguiria desvendar sua música. Pedi à minha mãe que trocasse o disco pois ele estava estragado. Minha mãe sorriu e me disse que aquela faixa havia sido censurada e que todos os LP’s de todas as lojas estavam iguais àquele. Uma vez mais, a palavra censura aparecia para impedir as minhas próprias decisões.

Quem essa tal de censura pensava que era? Que direito ela tinha de determinar o que eu poderia ou não ver e ouvir? Àquela altura, eu somente admitiria que meus pais exercessem tal papel. Mesmo assim, esperaria que qualquer proibição imposta viesse acompanhada de explicações e, acima de tudo, de espaços para contra-argumentações. Mas a censura não agia assim. Nem com amor e muito menos com liberdade de manifestação. Felizmente não tive que conviver com ela por muito mais tempo. A irritação que já tomava conta de mim passou a dominar a maior parte da população brasileira e, enfim, as pessoas perceberam que liberdade era um bem absolutamente precioso. E a censura foi banida do Brasil.

Mais de trinta anos se passaram e, por mais absurdo que pareça, a censura resolveu mostrar sua cara novamente. Assim como antigamente, ela vem travestida de legalidade, fantasiada de combatente da mentira, disfarçada de detentora da verdade e da justiça. Diferentemente de suas roupas coloridas do passado, a censura aparece vestida de preto. Sombria como sempre, agora pelo menos não esconde suas verdadeiras cores. Pobre censura, não tem ideia de onde está se metendo. Ainda que muitos de nós ainda mantenham a torpe e hipócrita atitude de selecionar qual voz pode ou não ser calada, a verdade é que a grande maioria dos brasileiros não admite mais ver cerceada a sua liberdade de escolha e de expressão. E deixará muito claro à nossa velha conhecida que sua presença não é mais tolerada. Nem de brincadeira, nem por nostalgia, nem por um breve instante de recaída. Porque nenhuma censura tem moral, seja no singular ou no plural, suficiente para nos fazer esquecer do grande mal que sua presença nos causou. Canções não serão mais proibidas, vozes não serão mais caladas, reportagens não serão mais rasgadas. Não mais. Não aqui!

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Postos de reclamações…

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- Bom dia, senhor.
– Bom dia. Eu estive aqui no último feirão de carros usados e levei este verde aqui.
– Sim, eu me lembro. O senhor estava em dúvida se levava o verde-oliva ou o vermelho, não é?
– Não, na verdade eu queria levar aquele laranja novinho mas, no final, só tinha esses modelos à venda. Tive que escolher um dos dois.
– Muita gente viveu esse mesmo dilema. E o que eu posso fazer pelo senhor?
– Eu estou tendo problemas com o carro.
– Que tipo de problemas?
– Nem sei por onde começar.
– Fale dos defeitos mais frequentes.
– Bom, o motor está bem mais lento do que eu imaginava. Toda hora falha.
– Mas o carro já deixou o senhor na mão?
– Na mão ainda não, mas tem hora que cansa essa coisa de ter que pegar no tranco, né? Tô vendo a hora em que ele vai parar e ninguém mais vai querer me ajudar a empurrar.
– Entendo. Alguma outra anomalia?
– Sim, a direção está totalmente desalinhada.
– Desalinhada como, senhor?
– Tá puxando demais pra direita, sabe?
– Mas quando fez o teste drive o senhor não percebeu isso?
– Na verdade eu não fiz teste drive com este modelo. Já tinha feito com o vermelho mas ele puxava muito pra esquerda, só engatava a ré e ainda por cima bebia demais. Por isso escolhi o verde-oliva sem nem experimentar.
– Esse não será um problema de fácil solução, senhor.
– Puxa, ficaria feliz se pelo menos ele puxasse um pouco menos…
– Vamos continuar com a lista de problemas.
– Bom, os espelhos não estão funcionando.
– Os espelhos? Como assim?
– Eles estão distorcendo as imagens, olha só.
– É verdade. Aquela montanha de lixo lá longe parece uma colina verde e florida quando vemos refletida. Que coisa.
– Pois é. As imagens muito distantes parecem melhores e as próximas parecem piores. Não consigo entender.
– Não sei se vamos conseguir ajudá-lo neste item, senhor. O fabricante destes espelhos fechou no início de 1985. Era uma empresa sólida, funcionou por 21 anos. Estão retomando suas atividades agora de forma mais abrangente mas não creio que queiram dar garantias depois de tanto tempo.
– Que pena…
– Mais alguma coisa?
– Sim. A buzina.
– O que tem a buzina?
– Ela toca sozinha quando estou perto dos outros carros.
– Quais carros?
– Qualquer um. Pode ser azul, vermelho, amarelo, até os verdes. Aí os motoristas se irritam e começam a brigar comigo. Parece até que o carro gosta de arrumar confusão com os outros.
– Meu Deus, quanta coisa…
– Ainda não acabou. O rádio, por exemplo.
– O rádio não está funcionando?
– Funciona, mas só pra notícias em inglês.
– Ora, é só trocar de estação.
– Não adianta, todas as estações são em inglês. Só tem um canal em português mas o apresentador só sabe falar palavrão, não dá nem pra ouvir.
– Não sei como resolver esse problema, senhor.
– Bem, vamos para o próximo…
– Próximo? Chega! Nada está bom pro senhor?
– Não se trata disso…
– Já saquei qual é a sua. Se arrependeu e quer trocar pelo carro vermelho, não é?
– Não, de jeito nenhum.
– Fala a verdade, pouco mais de três meses com o carro e é só reclamação. Não deu tempo nem de amaciar a direção, de avaliar o consumo. Mas o senhor tem cara mesmo daqueles que não se contentam com nada.
– Mas eu só quero que meu carro funcione bem, nada mais.
– Essa sua conversinha só serve pra desvalorizar o modelo. Quer que o vermelho volte a ser o campeão de vendas, não é?
– Olha só, já falei que não gosto do vermelho e não o compraria por nada deste mundo. Mas quero que os defeitos do meu carro sejam corrigidos, deu pra entender?
– Acho melhor o senhor cair fora e esperar que os problemas do carro se resolvam sozinhos. Com o tempo o senhor acaba se acostumando.
– Quer saber? É isso mesmo que eu vou fazer.
– Já vai tarde.
– Pode me dizer pelo menos onde eu consigo abastecer aqui por perto?
– Ah, se vira… tchutchucão!

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Uri Geller acima de todos…

Quem tem 50 anos ou mais certamente se lembra de Uri Geller, um ilusionista israelense que, na década de 70, ficou famoso no Brasil ao se apresentar em inúmeros programas de televisão. Recordes de audiência foram quebrados enquanto famílias inteiras se postavam feito zumbis diante da TV, portando garfos e colheres, na esperança de que estes começassem a se retorcer e se enrolar tal qual um tatu bolinha diante do perigo. Muitos faqueiros, verdadeiras relíquias de família, ficaram desfalcados tamanha era a força (mental?) exercida sobre os pobres talheres de aço ou de prata. Naturalmente, apenas os garfos e colheres que se identificavam com os “gêneros” dobradiças e parafusos, conseguiram realmente algum tipo de transmutação. Os demais sofreram danos irreparáveis, nunca mais conseguiram retornar à sua função original, e acabaram relegados ao fundo das gavetas ao lado dos talheres de plástico. Hoje certamente tal prática opressiva seria proibida, cabendo única e exclusivamente aos próprios talheres a decisão de se tornarem, externamente, o que suas naturezas internas lhes permitem e orientam. Reflexos da sociedade empoderada em que vivemos.

Mais de quarenta anos depois, Uri Geller está de volta. Não, nenhuma TV aberta está propondo outra sessão de telepatia metalizada. Isso iria aumentar sobremaneira as assinaturas da Netflix além de alavancar uma corrida pelas ações da Tramontina. Geller agora quer fazer com os líderes mundiais o que fazia com os garfos. E ele já começou sua nova missão com a primeira-ministra britânica Theresa May. Caso May insista na saída do Reino Unido da União Européia, Geller ameaça parar o Brexit através de seus poderes telepáticos. Sim, ou May interrompe o Brexit agora por bem ou vai se contorcer até que o faça por mal. Parece que a força mental de Geller é mesmo assombrosa pois a primeira-ministra não poderia estar mais enrolada no atual momento.

Diante de tanto sucesso, líderes brasileiros já fazem fila para a contratação de Geller. Gleisi Hoffmann, por exemplo, estaria disposta a gastar o resto das propinas da Petrobrás ainda nas mãos do PT para que Geller bombardeasse a cabeça dos ministros do STF e conseguisse a libertação de Lula. Geller, entretanto, declinou do convite ao afirmar que qualquer bombardeio, mesmo mental, aos ministros do STF brasileiro iria requerer manobras jurídicas que nem mesmo o mais preparado advogado internacional é capaz de garantir. Gleisi argumentou que as mentes de Gilmar, Toffoli, Lewandowski e Marco Aurélio já haviam sido previamente bombardeadas por forças extremamente poderosas mas nem essa redução no escopo de trabalho foi suficiente para que Geller aceitasse o desafio.

Olavo de Carvalho foi outro a entrar em contato com Geller. Ele prometeu divulgar o trabalho do ilusionista entre os seus milhões de seguidores caso Geller conseguisse convencer Bolsonaro a se livrar de seu vice, o General Hamilton Mourão. Identificado intelectualmente com Olavo, Geller estava propenso a aceitar até que um delicado e afável telefonema do General Heleno o convenceu a recusar o convite. Olavo não ficou feliz e proferiu cento e trinta e oito palavrões e ofensas em apenas dois minutos de conversa, entrando assim para o livro dos recordes. A sorte é que as ofensas foram feitas todas em português (Olavo não gosta de xingar em inglês para não rivalizar com Trump), Geller não entendeu nada e ambos continuam amigos próximos.

Jean Wyllys, diretamente de Portugal, pediu a Geller que transformasse o autoproclamado presidente José de Abreu no único e efetivo presidente da República do Brasil. Geller aceitou a proposta e conseguiu, apenas com sua força mental e em menos de duas horas, o reconhecimento de países importantes como Venezuela, Cuba e Nicarágua, além dos brilhantes intelectuais e demais militantes do PT. Exultante, Wyllys afirmou que sua volta ao Brasil passou a ser uma possibilidade real, e já pediu a Wagner Moura, com quem irá dividir seu novo apartamento, que providencie a decoração do quarto com silhuetas de Che, Fidel e Marighella.

Outros líderes brasileiros a tentar contratar Geller foram Rodrigo Maia, Joice Hasselmann e Paulo Guedes. Todos pediram encarecidamente a Geller que ensinasse a família Bolsonaro a usar as redes sociais com responsabilidade, apenas em prol do bem do país, divulgando ideias, planos de governo e os benefícios das reformas tão urgentes e necessárias. Geller afirmou, entretanto, que era capaz de dobrar garfos, de influenciar pessoas e até de parar o Brexit, mas que, mesmo sendo conterrâneo de Jesus, ele ainda não aprendera a realizar milagres!

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E os erros se repetem…

Enquanto o governo Maduro fecha as fronteiras da Venezuela, a esquerda brasileira continua fechando seus olhos para o massacre que ocorre há tempos no país vizinho.

Enquanto o governo Maduro queima caminhões com toneladas de mantimentos destinados a um povo miserável, a esquerda brasileira continua creditando tal miséria exclusivamente aos embargos do imperialismo americano e sua ganância pelo petróleo alheio.

Enquanto o governo Maduro assassina compatriotas que ousam desobedecer as ordens de uma ditadura, a esquerda brasileira se solidariza com o ditador e o chama de democrata eleito pela vontade de um povo soberano.

Enquanto o governo Maduro destrói conjuntamente a economia do país e a esperança de seus cidadãos, a esquerda brasileira continua afirmando que o verdadeiro povo venezuelano caminha junto a seu líder, e chama de golpistas os milhões que protestam diariamente nas ruas.

Enquanto o governo Maduro zomba dos líderes dos países que não mais o reconhecem como presidente, a esquerda brasileira continua zombando da inteligência alheia ao propor um alinhamento com o que há de mais retrógrado, de mais pernicioso, de mais degradante hoje na política externa mundial.

As fronteiras da Venezuela serão reabertas mais cedo ou mais tarde e o governo Maduro não se sustentará por um longo tempo. Mas o povo venezuelano ainda sofrerá muito até que consiga reerguer seu país destroçado pelo socialismo. Como invariavelmente acontece, as promessas iniciais de justiça social, independência, prosperidade e liberdade feitas pelo líder da vez se transformam rapidamente em perdas de direitos, penúria, caos e repressão. Nem a igualdade é atingida mesmo com toda a população igualmente miserável, afinal, toda a cúpula que controla a ditadura acumula cada vez maiores riquezas. O roteiro é sempre, absolutamente sempre igual. Não poderia ter sido mesmo diferente com o socialismo implantado por Hugo Chaves e continuado por Maduro na Venezuela.

Mesmo assim, a esquerda brasileira continuará a exaltá-los e a glorificá-los. Ambos passarão a fazer parte do imaginário coletivo, e juntarão suas icônicas silhuetas às de Fidel, de Che, de Marighella, de Dirceu, de Lula e de tantos outros baluartes do ideário de esquerda. Um ideário tão poderoso que consegue (re)escrever a história de cada um deles à revelia dos fatos. Um ideário que conta com o auxílio de politicos e formadores de opinião comprometidos com a divulgação da prometida e falaciosa “justiça para todos”. Um ideário que consegue ludibriar e convencer milhares de cérebros deturpados, incapazes de questionarem a veracidade das teorias que lhes são impostas. Incapazes de analisarem com imparcialidade o ponto de vista contrário. Incapazes de perceberem, ironicamente, que é exatamente essa incapacidade a grande responsável pelo aumento do abismo cada vez maior entre o que acredita a maioria da população e o que pregam os intelectuais, artistas, filósofos, jornalistas e demais defensores de uma esquerda brasileira irremediavelmente contaminada pela patologia mórbida, destrutiva e devastadora denominada socialismo!

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O que realmente importa…

Foi encaminhada ontem ao congresso a mais importante Proposta de Emenda Constitucional da história recente do Brasil. Em um país quebrado e com déficit bilionário crescente, nada é tão primordial e urgente quanto a aprovação da reforma da previdência. Nenhuma mudança de postura, nenhum controle mais efetivo dos gastos públicos, nenhuma gestão mais eficiente e enxuta do Estado, nada disso surtirá efeitos reais e duradouros na economia brasileira se a reforma da previdência não for aprovada. Sem a reforma, muito em breve simplesmente não haverá dinheiro para a educação, para a saúde, para a segurança, para o saneamento básico. Sem a reforma, cessarão por completo os já escassos recursos destinados à cultura, ao esporte, aos programas sociais. Sem a reforma, o futuro do país é o completo e absoluto caos. Por isso, seja você de direita ou de esquerda, a favor de um Estado assistencialista ou adepto do Estado mínimo, saiba que, sem uma reforma previdenciária robusta e significativa, não existe a menor possibilidade de que o país venha a obter recursos para a concretização de seus objetivos, sejam eles quais forem.

Jair Bolsonaro agiu como presidente e foi pessoalmente ao congresso levar a proposta, passando aos deputados e à população a devida noção de urgência e importância que o tema merece. Atitude louvável e condizente com o cargo que ocupa. Espero que, daqui pra frente, ele tome gosto por atitudes semelhantes e que abandone, sozinho e em família, o irritante hábito de inventar problemas e de criar crises para seu próprio governo. Espero também que, daqui pra frente, ele aprenda a se impor como autoridade máxima do país junto aos seus subordinados e, principalmente, aos seus filhos. Já bastam os problemas que ele terá para a aprovação de uma PEC que retira privilégios da classe política e do funcionalismo público, e que prolonga o tempo de trabalho e de contribuição de todos os trabalhadores da iniciativa privada. Já bastam os gritos de uma oposição hipócrita que, quando estava no poder, defendeu a necessidade premente da mesma reforma e não teve competência para levá-la adiante. Já bastam os lobbies que diversas corporações começam a fazer junto aos deputados e senadores, na tentativa de manterem suas regalias. Já bastam as mentiras que diversos “formadores de opinião” e “defensores das minorias” começam a propagar no intuito de minar a credibilidade de uma lei crucial para a sustentabilidade do país.

Teremos alguns meses pela frente até que a reforma da previdência seja aprovada. Não considero a hipótese de não aprovação, afinal, trata-se de uma mera questão de sobrevivência. Espero apenas que a proposta não seja amenizada de forma excessiva pelo congresso. Espero ainda mais que, ao longo dos próximos meses, assuntos tais como filmes de cineastas ideologicamente deturpados, cor das roupinhas de bebês recém-nascidos, camisas e chinelos piratas usados por autoridades, caravanas e vigílias feitas a presidiários e outras tantas aberrações que servem apenas para inspirar os incontáveis memes que invadem as redes sociais do país, sejam tratadas com a devida relevância que possuem: nenhuma!

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Postagens problemáticas…

- Ai, amor, essa foto nossa ficou ótima! Posta no Instagram.
– Agora, meu amorzinho. Dá uma olhada aí.
– “Namorada boa é aquela que tá contigo na praia até o nascer do sol”?! Que palhaçada é essa Túlio?
– Como assim, meu tchutchuquinho? A gente não tá junto agora vendo o sol nascer?
– Não desconversa, Túlio. Então, se eu não ficasse até agora com você eu não seria “uma namorada boa”. É isso?
– De jeito nenhum, meu amor. Que bobagem, eu só te fiz um elogio. Aliás, foi você que insistiu pra que a gente virasse a noite na praia, lembra?
– Pois é. E o que você diria se eu escrevesse que “namorado bom é o que topa virar a noite na praia com você”, heim?
– Ué, não vejo problema nenhum…
– Não vê porque você é homem, Túlio. Homem não vê quando está sendo machista e você está sendo machista e misóg…
– Mas, Fafá…
– Viu? Quer prova maior do que essa?
– Meu Deus, o que foi que eu fiz agora?
– Manterrupting.
– Hã???
– Você sempre me interrompe quando eu estou falando, Túlio!
– Imagina, meu amor. Eu só estava querendo lhe mostrar que você entendeu tudo errado.
– Ah, eu que entendi errado, né? E você não tem vergonha de fazer um mansplaining bem na minha cara?
– Foi algum aplicativo do Insta que eu usei sem querer?
– Não se faça de desentendido, Túlio! Você tá me chamando de idiota?
– Não, Fafá. Olha, vamos recomeçar nosso dia. Vou apagar essa postagem e vamos voltar a curtir esse nascer do sol lindo.
– Não vai apagar nada. Só depois que eu der um print. Isso é uma prova do quanto eu sofro nas suas mãos.
– Prova de sofrimento? Um elogio?
– Além do mais você tá ficando famoso. Já tem cinco comentários no seu post de mulheres lindas, vitoriosas e empoderadas chamando você de machista. Agora que você não vai apagar nada mesmo!
– Que mulheres, meu Deus?
– Marcia Tiburi, Kéfera, Manuela d’Ávila, Gleisi e a Pabllo.
– Mulheres? Isso só pode ser piada…
– Ah, que emoção, a Maria Gadu acabou de comentar também. Sou fã demais dela. Ela tá falando que você está sendo duplamente machista.
– Aham…
– Que namorada boa é aquela que não se condiciona a especifismo algum. Gente, ela é genial! E que praia também é feminino e que a sua presença aqui está atrapalhando a desova das tartarugas e agredindo a natureza.
– Não tem nem caranguejo nessa praia, quanto mais tartaruga…
– Meu Deus, eu não tinha pensado nisso!
– Pensado em que?
– Túlio, eu já estava começando a sacar o seu machismo, mas até agora não tinha percebido que você era um monstro. Eu quero distância de você!
– Olha, quer saber? Desisto. Quem quer distância sou eu. Não tô a fim de aguentar gente louca no meu pé. Pode ficar na praia feminina, no mar masculino, na pedra LGBT ou no escambau. E vou apagar a porcaria desse post agora mesmo.
– Não tem problema, seu brutamontes. Já salvei tudo.
– Olha só, Fafá. Acabamos de receber um convite pro programa do Ratinho e outro pra participar do BBB.
– Ai, amor. Que tudo!! Senta aqui e tira outra selfie nossa. A luz agora tá bárbara!
– Claro, meu tchutchuquinho!

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2019 não espera…

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E assim, como num piscar de olhos, outro ano se passou. Há poucos instantes estávamos nos abraçando e celebrando o início de 2018. Olhávamos para o céu iluminado na esperança de que o novo ano nos trouxesse esperança. Hoje, esperamos pelo início de 2019 na esperança de que a esperança que 2018 nos trouxe não nos faça esperar por mais um ano.

Somos um povo acostumado a esperar. A esperar que a economia melhore, a esperar que o governo não nos atrapalhe, a esperar que os políticos corruptos sejam condenados e presos, a esperar que o setor em que trabalhamos seja contemplado com subsídios, a esperar que a chuva seja abundante para que não nos falte energia e irrigação, a esperar que a chuva não seja torrencial para que nossas colheitas não se percam, a esperar que os nossos juízes sejam realmente justos…

Mas o que temos esperado de nós mesmos? Mais importante ainda, o que temos feito além de esperar?

Não esperemos mais. Sejamos em 2019 a energia transformadora que o Brasil anseia há décadas. Conseguimos mudar muita coisa em 2018 mas este foi apenas um pequeno passo diante de uma longa caminhada que temos pela frente. Sejamos no próximo ano aquilo que sempre esperamos de todos os demais.

Que não nos acomodemos em 2019. Que fiquemos atentos aos nossos próprios comportamentos. Que questionemos constantemente os nossos próprios conceitos e ideais, afinal, ideias fixas frequentemente são sinais de acomodação. Que saibamos nos reinventar, nos reconstruir. Que nos permitamos cometer erros novos pois os velhos já nos ensinaram o bastante. Que saibamos arriscar com consciência e responsabilidade. Que aprendamos a nos colocar na posição do outro e que entendamos que o nosso ponto de vista é apenas a nossa verdade, não a verdade absoluta, mesmo porque esta não existe. Que consigamos ser tolerantes sem perder a firmeza e flexíveis sem abdicar dos nossos princípios. Que busquemos argumentar sem arrogância, que aprendamos a admitir nossos equívocos apesar daquela incômoda pontinha de vergonha, que possamos ouvir o ponto de vista contrário com a mesma atenção com a qual expomos nossas convicções. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Que tenhamos capacidade de lidar com o contraditório, mesmo que nos pareça completamente absurdo. Que saibamos respeitar as opiniões alheias. Que tenhamos consideração pelos não crentes e, da mesma forma, por aqueles que veem Buda, Alá, Jeová, Oxalá ou Jesus na igreja, no templo, em uma queda d’água, em uma árvore ou dentro de si mesmos. Mas, ao mesmo tempo, que não permitamos que nos sejam impostas regras e condições que restrinjam a liberdade das nossas próprias crenças. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Que tenhamos discernimento para continuar cobrando novas posturas dos nossos novos governantes. Que não deixemos nossos conceitos e ideologias nos tornarem cegos ou parciais. Que poucos de nós se disponham a encontrar desculpas para defender um político preso e condenado, mesmo que já o tenhamos considerado um grande governante no passado. Que poucos de nós se disponham a encontrar desculpas para defender um molestador de centenas de mulheres, mesmo que já o tenhamos considerado um emissário de Deus no passado. Que poucos de nós se disponham a encontrar desculpas para defender um político envolvido em movimentações financeiras evidentemente irregulares, mesmo que já o tenhamos considerado o único candidato honesto do país no passado. Que não percamos a capacidade de nos indignar com os fatos, independente dos autores. Que não sejamos reféns das nossas próprias escolhas. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Façamos dele o ano pelo qual temos esperado há tempos. Façamos dele o ano pelo qual batalharmos, almejarmos, esperançarmos. Os contratempos, as dificuldades, os obstáculos não deixarão de existir, mas não podemos permitir que eles se transformem em desculpas. Não há nada pior do que desculpas para minar a esperança. Desculpas deixam obstáculos árduos intransponíveis, metas ousadas inatingíveis, problemas graves insuperáveis, chances remotas completamente nulas. Nada é mais degradante do que a desculpa. Que tenhamos forças para superar os nossos próprios limites. Que tenhamos, acima de tudo, consciência de que limite é o ponto que as nossas próprias desculpas nos permitiram alcançar até agora. Nossos limites, portanto, são irreais, são ilusórios, são fantasmas que deixamos nos assombrar. Podemos e merecemos bem mais. Podemos e merecemos ir bem mais longe. Podemos e merecemos nos livrar das amarras que nós mesmos criamos. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Que tenhamos determinação, coragem, garra, atitude, otimismo, persistência, vontade de acertar, de crescer e de prosperar. Que tenhamos, ao mesmo tempo, tolerância, respeito, generosidade, integridade, discernimento, humanidade e amor. Que nos permitamos chorar de emoção e gargalhar feito bobos. Que sejamos capazes de perdoar nossos erros e valorizar as nossas vitórias. Que saibamos conquistar cada vez mais amigos verdadeiros, abraços sinceros, olhares autênticos e sorrisos desarmados. Que possamos ser o amigo, o abraço, o olhar e o sorriso que o outro precisa. E que sejamos sempre gratos pelo que a Vida nos oferecer. Façamos isso no ano que está para começar.

Feliz 2019 a todos nós. Façamos de 2019, juntos, o mais feliz dos nossos anos!

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Oh Happy Day…

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Há exatos cinco anos assistíamos à apresentação da Árvore Cantante, na Rua Coberta de Gramado. O Natal Luz de 2013 foi a última experiência natalina que passei ao lado dos meus pais. Um ano depois, na noite de Natal na minha casa, minha mãe já se encontrava em outro plano e meu pai passou apenas alguns minutos conosco, absolutamente debilitado pela cardiopatia que o levaria definitivamente dali a vinte e seis dias. Seu enorme coração, o maior que já conheci, não conseguiu bater por mais de três meses sem o dela por perto…

Voltando à Rua Coberta, lembro-me nitidamente do momento em que os primeiros acordes de “Oh Happy Day” começaram. O público que lotava os bares e restaurantes em torno vibrou. Tirei meus olhos do palco e olhei para a mesa em que estávamos. Meu filho mais velho, minha esposa e meus pais cantavam e sorriam juntos. O pequeno dormia serenamente no meu colo. Voltei a olhar para o coral em forma de árvore de Natal para que ninguém notasse as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Lágrimas de emoção, de gratidão, de felicidade. Cantei aquela música como nunca havia cantado antes. Como nunca mais cantei desde então. Que dia feliz! Tenho saudades daquele dia. Tenho saudades de ver meus pais saudáveis, felizes, cantando com a alegria e o otimismo que sempre os caracterizaram. Tenho grande, imensa, indescritível saudade daqueles dois!

Lembro-me também do exato momento em que a canção terminou, a última daquela apresentação memorável. Pedi silenciosamente que a cantassem novamente. Quem sabe um bis? Não queria que aquela canção terminasse. Não queria que aquele instante tivesse fim. O bis não veio mas percebi, logo em seguida, que vivera ali um daqueles momentos eternos que fazem a vida ter sentido. Um daqueles muitos momentos que, somados, formam o que as pessoas costumam chamar de felicidade.

Que, em 2019, todos tenhamos muitos momentos assim!

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Cinquenta anos inspiradores…

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Sei que há incontáveis Marias Lúcias no Brasil. Certamente bem mais que Welsers. Welsers e Marias Lúcias juntos são, portanto, ainda mais raros. Que me perdoem os demais casais Welsers e Marias Lúcias que hão de existir, mas os nossos Welser e Maria Lúcia não são apenas raros, são definitivamente únicos.

Afinal, os outros Welsers e Marias Lúcias têm que se esforçar para trocar olhares doces e apaixonados. Os nossos Welser e Maria Lúcia não aprenderam a se entreolhar de outra forma.

Os outros Welsers e Marias Lúcias precisam verbalizar sentimentos e intenções. Para os nossos Welser e Maria Lúcia sempre bastou o silêncio.

Os outros Welsers e Marias Lúcias lutam constantemente em busca da superação das adversidades da vida. Os nossos Welser e Maria Lúcia, incessante e igualmente lutam, mas a mansidão sempre prepondera em suas vidas, apesar de todas as eventuais adversidades.

Os outros Welsers e Marias Lúcias gostam de fazer amigos. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia sabem como marcar definitivamente o coração de cada um dos seus.

Os outros Welsers e Marias Lúcias apreciam uma boa música, um bom livro, um bom vinho. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia são capazes de afinar as notas de um concerto, interpretar as mais intrínsecas motivações de um autor, harmonizar a acidez e a exuberância de um Tokaji húngaro degustado às margens do Danúbio.

Os outros Welsers e Marias Lúcias dançam juntos com frequência. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia fazem de cada breve dança um verdadeiro ato de amor.

Os outros Welsers e Marias Lúcias têm bom coração. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia são generosos o bastante para se doarem integralmente.

Os outros Welsers e Marias Lúcias se complementam. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia são cada um apenas quando juntos estão.

Os outros Welsers e Marias Lúcias merecem celebrar suas bodas. Mas só as Bodas de Ouro dos nossos Welser e Maria Lúcia merecem ser celebradas pelo mundo inteiro. Porque somente a união dos dois é capaz de nos apaziguar, de nos harmonizar, de nos fazer refletir, de nos instigar e de nos motivar a crescer, a florescer, a evoluir para, quem sabe um dia, compreendermos o quanto os nossos Welser e Maria Lúcia, entre todos os Welsers e Marias Lúcias que existem por aí, são verdadeiras fontes de luz em uma noite sem lua. Fontes de luz que não se contentam em iluminar o caminho a ser percorrido. Fontes de luz que só se satisfazem quando percebem que realmente conseguiram ensinar a cada um de nós o segredo de como brilhar também!

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Novembro azul…

Você se lembra, caro amigo, de quando era jovem, guri, mancebo?

E alguém o alertou que, um dia, todo vigor que sentia acabaria em desenredo?

O tempo voa, os anos se apressam, assim pelo menos percebo…

E mesmo que, diante do espelho, você ainda se veja como um bom e velho rochedo,

O fato é que alguns cuidados devem ser sempre tomados, de preferência bem cedo.

Não postergue, não se avexe, não é preciso ter medo.

O exame é tão ligeiro que antes de um minuto inteiro estará encerrado o enredo.

Se, depois da experiência, você se sentir amuado, chateado, meio azedo,

Saiba que sua virilidade, pra sua tranquilidade, passou no teste do dedo.

Mas se sentir euforia, tal qual criança que vibra com seu mais novo brinquedo,

Pode até tornar mensal, um exame que já não basta anual com o belo Dr. Alfredo.

Independente da reação, o que importa é a prevenção, não ligue pro meu folguedo.

Marque sua consulta, chame seus amigos, seja fonte de arremedo.

Divulgue sempre com ardor, mas as flores pro doutor você pode guardar segredo!

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