O Carnaval 2018 informa…

Muita atenção, senhoras e senhores. Informamos que, por falta de jurados, o nosso grande concurso de fantasias não será mais realizado neste Carnaval. Havíamos convidado oito dos mais proeminentes nomes da cultura brasileira atual. Entretanto, ao verem as fantasias inscritas na disputa, todos eles se recusaram a participar.

Como não poderia deixar de ser, a filósofa Márcia Kiporri foi a primeira a sair correndo da raia. Ela alegou que a fantasia de “Rei Arthur” era vilipendiosa pois o ente lendário não passa de um ser abjeto de formação subjetiva. Um embusteiro que, usando como metáfora uma espada que só ele é capaz de carregar, representa ardilosamente toda a opressão característica do patriarcado ocidental capitalista. Tentamos explicar a ela que a fantasia, na verdade, era do “Pequeno Príncipe” mas ela se recusou a ouvir e disse, através de mímicas, que não conversava com fascistas.

A segunda celebridade a desistir foi o mais novo e aplaudido intelectual brasileiro, Alexandre Chacota. Segundo ele, a fantasia de “Soldadinho de Chumbo” era uma representação boba e infantil da única instituição que merece a nossa inteira confiança nos dias de hoje: o exército brasileiro. Informamos a ele que a fantasia era baseada em um conto de Hans Christian Andersen mas ele nos disse que não estava a par das novas produções do mercado erótico já fazia algum tempo.

Já o deputado Jean Bullying afirmou que a fantasia “Branca de Neve e os Sete Anões” era evidentemente racista. Não apenas pelo nome duplamente albugíneo da única mulher presente mas pelo fato de, em grupo de sete homens, nenhum deles ser negro, nenhum deles ser gay, nenhum deles ser trans, nenhum deles ser pobre, nenhum deles ser portador de deficiência (ser anão não é deficiência, seu preconceituoso), nenhum deles ser refugiado e nenhum deles ser fã de Pabllo Vittar. Tentamos dissuadi-lo da desistência mas, como resposta, ele cuspiu em um dos nossos produtores e, antes de sair, gritou em alto e bom som: “canalhas!”

O famoso cantor Caetano Meloso também não deixou de se posicionar. O motivo da desistência foi uma fantasia intitulada “Álcool e tabagismo, os grandes males da atualidade”. Segundo ele, a fantasia poderia passar a falsa ideia de que o consumo de baseados, enquanto expressão legítima da representatividade humana no contexto do autoconhecimento coletivo, pode ser prejudicial a alguém. Coincidentemente, seu grande amigo, Chico Lularque, também saiu por discordar da mesma peça. O motivo alegado por este, entretanto, era de que a fantasia trazia a imagem de uma garrafa de cachaça, numa clara e inaceitável referência ao seu ídolo, o ex-homem mais honesto, Luís Sicário da Silva.

O “web influencer” Kim Katafora foi o próximo. Ele se recusou a participar da competição por causa da criativa fantasia “Eva em um Paraíso sem Adão”, curiosamente a única que mereceu elogios rasgados de Márcia Kiporri. Segundo Kim, Eva e a cobra sozinhas no Paraíso representavam uma distorção esquerdopata do tradicional conceito de família além de materializarem uma evidente apologia à zoofilia.

Já o ativista Guilherme Tolos afirmou que a fantasia de “Juiz Moro” era um acinte. Um juíz que protagonizou o maior golpe dado contra a democracia brasileira não era digno de ser lembrado em qualquer manifestação popular. Tentamos alertá-lo que, na realidade, se tratava de uma fantasia histórica sobre a “Raiz dos Mouros”, mas ele já tinha saído para ocupar o Sambódromo.

E, por último, o grande gênio moderno Gilberto Esquerdein, editor do site Babaca Livre, se recusou a ser jurado do concurso porque nenhuma das fantasias concorrentes era de super-herói, de unicórnio ou de plantas, as únicas que ele recomenda, permite e respeita!

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Aflições do Uber…

Alguém me disse hoje que os motoristas de Uber dão notas aos passageiros.
– Você se confundiu – disse-lhe eu. Nós é que damos notas aos motoristas ao final da viagem.
– Sim – ele concordou. Mas o motorista também avalia e dá nota a cada solicitante. A média das suas notas fica disponível no perfil do seu aplicativo.

Meu coração gelou. Aquilo me parecia inconcebível. Recusei-me a acreditar que tivesse andado sub judice por anos a fio. Como não me dei conta? Por que não fui comunicado? Não posso concordar com uma avaliação imposta, antidemocrática, quase fascista, sem que eu esteja a par dos termos do julgamento. Se tivessem me informado devidamente, teria tido a chance de, pelo menos, tomar um banho antes de entrar nos domínios do avaliador ou, quem sabe, levado alguns copinhos de água gelada como cortesia, ou me inteirado das propostas de leis restritivas aos aplicativos e criticá-las com maior veemência nas conversas ao longo dos diversos itinerários. Quantos pontos preciosos deixei de ganhar.

Tentei me lembrar de cada uma de minhas viagens. Impossível, eu sei. Será que fiquei em silêncio na maior parte do tempo, dando a chance ao meu antagonista de me julgar orgulhoso ou prepotente? Ou, quem sabe, será que falei demais ao celular, dando todas as oportunidades do mundo para que ele me avaliasse pelo meu tom de voz, minha gargalhada muito alta, ou minha cara de impaciência ao atender uma ligação? O fato é que eu não estava preparado. Todo mundo tem o direito de se preparar antes de se submeter a qualquer avaliação. Não gostava de provas surpresas nem quando estava na escola. Um pesadelo como esse não poderia se repetir na vida adulta.

Não, não é justo que eu sofra toda esta angústia. Não é justo que a situação não tenha ficado clara para ambas as partes. Eu e o motorista estivemos, durante todo esse tempo, em posições flagrantemente desiguais. Afinal, ele sempre soube que estava sob a minha avaliação. Ele teve a chance de limpar o carro, de escolher a trilha musical que iria ser tocada, de se atualizar sobre os assuntos mais comentados no dia, de esconder embaixo do banco a flâmula do seu time de futebol para não correr o risco de ofender um rival logo de cara. Eu não sabia de nada. E agora começo a me martirizar tentando me lembrar se já peguei um Uber vestindo a camisa do meu time. Minha nota pode ter despencado por conta disso…

Bom, não adianta mais lamentar. As notas foram dadas e só posso chorar pelas oportunidades perdidas. Por todas as chances que tive de não ser eu mesmo. E a vida passa tão rápido…

Abro o aplicativo com as mãos trêmulas. Leio a tradicional pergunta “para onde” e penso: “para o diabo que o carregue”. Busco me acalmar e abro o menu no canto superior esquerdo da tela. Vejo meu nome em letras grandes. A nota está logo abaixo mas tento desviar o meu olhar. Tarde demais, lá está ela: 4,9.

Não consigo conter uma lágrima de alívio. Foram muitas emoções para um só dia. Abro a geladeira e pego uma cerveja para tentar relaxar. Antes de fechá-la, entretanto, coloco dez garrafinhas de água mineral para gelar…

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As ninfas feministas…

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Comprovando a tese de que a epidemia do politicamente correto se espalhou pelo mundo, a curadora da Galeria de Arte de Manchester retirou da exposição a obra “Hilas e as Ninfas”, pintada por John William Waterhouse em 1896. A razão alegada é que a pintura retratava o corpo feminino como “forma decorativa passiva”, obviamente subjugada pelo másculo Hilas. Assim, o museu informa que quer “fazer pensar”.

Talvez o objetivo do museu tenha sido alcançado pois eu não consigo deixar de pensar sobre o quanto este mundo está se tornando mais pobre a cada dia. Que tipo de engajamento e de empatia o atual movimento feminista pretende conquistar com posturas como essa? Ao mesmo tempo em que busca salvar as indefesas mulheres da mitologia, enaltece atitudes absolutamente conflitantes, dependendo de quem as pratica. Corpos femininos à mostra podem ser tratados como submissão ou empoderamento. Opiniões bem elaboradas são exaltadas quando se adequam aos ideais do movimento ou demonizadas quando se tornam contraponto. Assédios criminosos obviamente condenáveis são colocados no mesmo patamar de elogios e paqueras de mau gosto. Em nome de uma pseudo-igualdade, perde-se até a capacidade de percepção de que um corpo masculino jamais será idêntico ao feminino (e vice-versa), não importa quantas cirurgias sejam feitas ou quantos hormônios diferentes sejam administrados.

A própria liberdade, que sempre foi o objetivo da luta de tantas extraordinárias mulheres que muito fizeram pela paridade de direitos conquistada ao longo dos anos, vem sendo agredida por um movimento que impõe uma agenda baseada em conceitos deturpados, que restringe a capacidade individual de discernimento e que promove absurdos tais como os que testemunhamos hoje com as grid girls, desempregadas da Fórmula 1 em nome da “integridade feminina”, com o linchamento virtual das poucas artistas que ousam contextualizar situações que as novas damas de preto só conseguem enxergar de forma genérica, com as recentes sensações do esporte nacional que quebram recordes para o delírio das igualitárias, com os assaltos feitos à língua portuguesa para se adequar àqueles que pensam que o simples uso da letra “a” ou da letra “x” pode trazer dignidade instantânea a todas as castas, com as censuras veladas feitas em nome da arrogante autonomeada posição de “defensoras dos direitos alheios”. Não penso que tais condutas sejam capazes de elevar um debate absolutamente necessário para que as distorções de comportamento das sociedades possam ser continuamente revistas e depuradas.

Por fim, atendendo aos anseios do museu de Manchester de nos fazer pensar, imaginei uma solução para o impasse da obra removida da exposição. Como se sabe, o belo Hilas era, segundo a mitologia, amante de Héracles. As ninfas, aparentemente tão passivas, o atraíram e o raptaram, deixando seu companheiro inconsolável a ponto de o fazer abandonar a expedição dos Argonautas. Ainda segundo a mitologia, Hilas nunca mais foi visto e nunca se soube o que foi feito dele. Pois bem, aproveitando a lacuna mitológica, talvez a curadora possa permitir a volta do quadro às paredes do museu se a sequência da história mostrar que aquele momento retratado na pintura foi o último de Hilas como homem, antes de se transformar em Hilária, a primeira e mais empoderada ninfa trans da história. As aventuras de uma personagem tão lacradora, certamente jamais poderiam deixar de enriquecer qualquer galeria da atualidade!

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Desenhando…

Da série “indagações dos meus filhos”:
– Pai, por que muitas pessoas insistem em afirmar que o Holocausto não ocorreu?
– Filho, tem muita gente que afirma que a Terra é plana. Tem gente que diz que o comunismo é uma maravilha. Tem gente que garante que não há provas contra o Lula. Ah, e tem gente que jura que Pabllo Vittar canta pra caramba!
– Entendi, pai. Valeu!

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A queda do mais honesto dos homens…

Estou entre aqueles que esperaram anos e anos pelo dia de hoje. Afinal, não é todo dia que um criminoso dissimulado travestido de estadista perde legalmente o direito de concorrer a cargos eletivos. Um marginal, uma pessoa desprovida de qualquer caráter e qualquer senso de ética, um corrupto, um arrogante arremedo de homem público que, liderando uma gangue de delinquentes igualmente mal intencionados, usou seu carisma como arma para amealhar uma horda de seguidores ineptos. Não é todo dia que a bruma do retrocesso que pairava no horizonte do país recebe uma rajada de vento suficientemente forte a ponto de nos fazer acreditar que o brilho de um novo amanhecer finalmente poderá ser visto.

Mesmo assim, não creio que o dia de hoje marque a volta da crença na justiça, a sensação de que o bem sempre prevalece, ou a confirmação de que, no fim, colhe-se aquilo que se planta. Na verdade, o dia de hoje deveria ser celebrado com extrema moderação, mesmo com a derrocada de alguém tão desprezível e que tanto mal tem feito ao país e à sua população. E razões para isso não faltam. Primeiro porque existem centenas de outros políticos que deveriam estar igualmente impedidos de se apresentarem à sociedade, e assim não estão devido a uma legislação capenga, corporativista e ultrapassada que os protege através do privilégio do foro e da subserviência do Supremo. Segundo porque, em se tratando de Brasil, nenhuma reviravolta jurídica ou política pode ser descartada antecipadamente. E terceiro porque, mesmo com o afastamento do líder, a idolatria desmedida, a ideologia tacanha e a seita de fanáticos permanecerão. Mais ainda, continuarão a ser alimentadas pelas convicções dos “progressistas”, divulgadas pelos inúmeros jornalistas comprometidos com a “causa”, aplaudidas pelos artistas e outros ditos formadores de opinião que se autoproclamam arautos da justiça e da igualdade. Todos hipócritas conscientes do quanto seus aclamados ideais são seletivos. Nenhum deles capaz de avaliar o fato, basta-lhes conhecer o autor. Hipócritas que existem também no outro extremo e que, infelizmente, também continuarão a bradar suas incoerências igualmente estúpidas e desprovidas de autocrítica. Espero apenas que, com o enfraquecimento de um dos extremos, o outro também esmaeça. Essa é a esperança derradeira para aqueles que acreditam no equilíbrio, no meio-termo e na moderação como os únicos elementos capazes de indicar um caminho robusto e sustentável ao país. Essa é a grande esperança que surge neste dia histórico!

Hoje, a maioria dos brasileiros vai dormir mais aliviada. A “alma mais honesta do país” sofreu uma derrota dura de ser absorvida, mesmo para uma pessoa que se acostumou a ser blindada por seus fiéis seguidores. Durante muitos anos, sempre houve aquele disposto a assumir a culpa no lugar do deus fictício, mantendo-o imaculado, puro, intocável. Durante muitos anos, quase todos ao seu redor caíram, foram denunciados, presos, condenados. Ele jamais soube de coisa alguma. E a horda de fanáticos cegos sempre acreditou. A horda ainda acredita e, para estes, não há absolutamente nada capaz de convencê-los do contrário. Evidência alguma jamais será comprometedora, denúncia alguma jamais será confiável, prova alguma jamais será suficiente. Pois que continuem com a imagem casta que criaram para o seu deus. Que chamem a justiça de parcial, os juízes de agentes da CIA, a condenação de golpe, a prisão de atentado à democracia, o condenado de santo, mártir ou guerreiro, não me importa. O que realmente importa é que, agora, temos a oportunidade de recomeçar. Depois de tantos e tantos anos sendo governados por bandidos incompetentes, e me refiro aqui a grande parte da história contemporânea brasileira, temos finalmente a chance de escolher pessoas com ideias novas, modernas, sem os vícios de um sistema podre e corrompido. A partir de hoje, enquanto a horda continua venerando a imagem de seu presidiário de estimação, que os demais brasileiros voltem a acreditar que o futuro do Brasil, o eterno país do futuro, pode, quem sabe um dia, virar presente!

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Um teste para entender o ano…

O ano passado foi repleto de acontecimentos marcantes. Será que você conseguiu compreender bem todos eles? Então responda rapidamente as seguintes perguntas:

1) Um famoso político brasileiro, sem foro privilegiado, é réu em seis ações diferentes, sempre acusado de corrupção em diversas áreas. Ele já foi condenado em primeira instância em uma delas e, se for condenado em segunda instância, não poderá concorrer nas próximas eleições. Se você fosse o juiz responsável pela análise do caso, como agiria?
a. Declararia inocente e nem precisaria analisar o caso;
b. Declararia culpado e nem precisaria analisar o caso;
c. De que partido ele é?
d. Tanto faz, um cara como esse não teria chance alguma na eleição… Teria? TERIA?? SÉRIO???? MEU DEUS!!!

2) Duas atletas trans, uma jogadora de vôlei e uma lutadora, conseguem autorização para participarem das ligas profissionais de suas modalidades. Ambas apresentam um rendimento físico muito superior aos das suas colegas mulheres e são os grandes destaques das suas competições. Se você fosse adversária de uma dessas atletas, como se sentiria?
a. Seria a primeira a pedir autógrafo a essas guerreiras, lacradoras e empoderadas. #ORGULHO;
b. Trans? Se fosse lá em casa meu pai teria dado uma surra por dia e essa frescura não iria adiante.
c. Daria um chute no saco de cada uma delas. Elas ainda têm, não é?
d. Atletas? Que atletas?

3) As fabricantes de cerveja são acusadas de machismo por mostrarem mulheres seminuas em todas as suas propagandas. Igualmente seminua, a mais famosa cantora brasileira da atualidade atinge o status de ícone do feminismo em seu novo clipe de funk. Para você, essas posturas divergentes são:
a. Situações completamente diferentes. Se você não é capaz de ver isso, você é o problema!
b. Normais. As mulheres das propagandas são muito mais gostosas e ainda descem redondo;
c. Evidentes. Afinal, uma tem celulite e as outras não;
d. Não me interessa. Não gosto nem de Skol na laje e nem de Brahma na caixa d’água.

4) Os Ministros do STF permitem que um senador da República, flagrado pedindo e recebendo propina de um grande empresário corrupto, possa exercer suas atividades normalmente, assim como muitos outros políticos de todas as esferas. Se o Supremo fosse um filme, que filme seria?
a. O Poderoso Chefão, com Gilmar Mendes;
b. Os Infiltrados, com Dias Toffoli e Alexandre de Moraes;
c. O Gângster, com Lewandowski
d. Papai Peppa e seus amigos;

5) Uma grande emissora de televisão demite o âncora de seu telejornal após o vazamento de um áudio no qual ele chama de “coisa de preto” uma atitude que o incomodou. Atores dessa mesma emissora são flagrados cuspindo em pessoas e depredando uma viatura policial, mas estes continuam trabalhando normalmente. Como você avalia as decisões da emissora?
a. Corretas. Cuspe na cara de coxinha e paulada na polícia fascista merecem até promoção;
b. Absurdas. Todo mundo chama o Trump de laranja e ninguém fala nada;
c. É daquela emissora golpista? É golpe, foi golpe, toda decisão é golpe!
d. Não sei. Só assisto a Game of Thrones!

6) Uma bela fotografia tirada em Copacabana, na virada de ano novo, capta a imagem de um menino negro, solitário, dentro da água, olhando para o céu, enquanto centenas de pessoas ao fundo, vestidas de branco, comemoram a chegada de 2018. Analise a foto e marque a alternativa que melhor descreve a imagem:
a. É o retrato de como o negro é tratado na sociedade brasileira. Um soco na cara da elite fascista patriarcal;
b. Esse menino obviamente não deveria estar ali, em um ambiente tão requintado;
c. Deividison, volta aqui agora ou vai virar oferenda pra Iemanjá!
d. Ufa, já não aguentava mais de tanta vontade de fazer xixi!

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O que não pode faltar…

Que você tenha saúde. Saúde para continuar vivendo cada dia com vitalidade, com otimismo, com confiança. Que, em 2018, não lhe falte saúde.

Que você tenha amigos. Mesmo que seja apenas um, mas aquele que esteja ao seu lado em qualquer circunstância, que seja seu companheiro, seu confidente, seu conselheiro, seu apoio. Que, em 2018, não lhe faltem amigos.

Que você tenha sonhos. Basta um, mas que seja aquele que o motive a seguir em frente, a superar as adversidades, a buscar ser melhor do que você é hoje, a acordar todos os dias com mais disposição e fé. Que, em 2018, não lhe faltem sonhos.

Que você tenha amor no seu coração. Amor pela sua família, pelos seus amigos, pelas suas escolhas, pela vida. Que, em 2018, não lhe falte amor.

Que você tenha fé. Fé em Deus, fé na vida, fé em si mesmo, fé nas pessoas que ama, não importa. Que, em 2018, não lhe falte fé.

Que você saiba perdoar. Porque perdoar o ajudará a entender que não se vira verdadeiramente uma fase, uma página, um ano sem que as mágoas sejam superadas. Que, em 2018, não lhe falte o perdão.

Que você sorria muito mas, quando você chorar, lembre-se de que suas lágrimas não apagam suas alegrias. Elas apenas lhe mostram um caminho diferente para continuar sorrindo. Que, em 2018, não lhe faltem sorrisos.

Que você tenha paz. Porque a paz é aquele estado de espírito que lhe permite perceber todas as bênçãos que a vida lhe proporciona, por maiores que sejam as dificuldades. Que, em 2018, não lhe falte a paz.

Mas, acima de tudo, que não lhe falte gratidão em 2018. E que você seja sempre grato pela sua saúde, pelos seus amigos, pela sua fé, pelo seu trabalho, pelos seus sonhos, pelos seus sorrisos, pela sua vida. Afinal, ela é só sua. Que, em 2018, você VIVA… em paz!

Feliz Ano Novo!

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As tentações do populismo…

Ainda não sou capaz de apontar, com segurança, qual candidato à presidência receberá meu voto no próximo ano. Entre os nomes lançados e especulados até agora, ainda não identifiquei aquele que personifique inteiramente meus anseios de liberdade individual, valorização da meritocracia, responsabilidade fiscal, descentralização do poder, redução do peso do Estado, e isonomia de oportunidades a todo cidadão. Apesar da enorme ansiedade, sei que não devo ter pressa para me decidir. Afinal, na minha opinião, a eleição do ano que vem será, simplesmente, a mais importante da história brasileira até agora. Chegamos ao ponto de inflexão da nossa própria sobrevivência. Mudamos a curva ou perecemos, simples assim. A próxima oportunidade será também a última para um país em frangalhos. Nossa cota de erros se esgotou. Eu e todos os brasileiros teremos tempo suficiente para analisar a história, as propostas, a coerência e as intenções dos postulantes ao posto mais importante do Brasil. Entretanto, além de todas essas observações tão relevantes, creio que deveremos estar particularmente atentos à forma como cada candidato irá lidar com os riscos do populismo eleitoral.

Não me refiro, é claro, ao populismo rasgado, ostensivo, insolente, tão em voga nas últimas décadas da política brasileira. Uma candidatura com tal inclinação não poderia sequer ser considerada uma opção diante do desolador cenário em que nos encontramos. Refiro-me ao populismo velado, escondido nos pequenos detalhes, dissimulado nas mais inocentes arguições. Aquele que faz até os simpatizantes do liberalismo recorrerem a metáforas ininteligíveis sempre que questionados sobre um determinado assunto. Aquele que os levam a se justificarem demoradamente primeiro para, somente depois, emitirem, rápida e seletivamente, suas opiniões. Aquele que os fazem engolir em seco, enquanto secam suas esperanças de que respostas monossilábicas possam satisfazer seus interlocutores. Aquele que os fazem calcular quantos votos perderiam caso o ponto de vista integral, sem cortes, viesse a ser pronunciado.

Vivemos em um país que não permite que as verdades de cada um, assim como suas reais intenções, possam ser apresentadas sem um véu que as embacem. E já passou da hora de acabarmos com esse contrassenso, com essa ilusão consensual, com essa interpretação tendenciosa dos fatos. Que tipo de líder pode surgir em um ambiente tão deturpado? O que queremos ouvir dele? Embromações? Meias verdades? Realidades açucaradas para atender às expectativas de um povo que se habituou a ser enganado sistematicamente? Palavras autocensuradas pelas regras impostas por uma sociedade mimada pela farsa do politicamente correto? É momento de decidirmos qual é o perfil do líder que buscamos desta vez.

Os estudiosos da arte da oratória afirmam que o uso de metáforas e parábolas nos discursos proferidos pelos comandantes de diversas culturas sempre facilitou sua comunicação com as massas. Inúmeros líderes da história se valeram e continuam se valendo desse artifício em todo o mundo. Somente assim, dizem eles, o povo, ignorante em sua maioria, é realmente capaz de compreender suas mensagens. No Brasil, como de costume, levamos essa “linguagem popular” a outro nível. Aqui, o populismo está a serviço da desvalorização do ser humano. Cultura, preparo, competência, educação, iniciativa, capacidade de empreendedorismo, todas essas qualidades passaram a ser tratadas como valores elitistas, quase repugnantes. Através dos simbolismos e das bravatas populistas, o país conseguiu a façanha de desestimular o esforço individual, o desejo de crescer, de produzir, de gerar empregos, renda e riqueza. Os discursos repletos de metáforas, tão bem usados em épocas longínquas, só têm feito com que o sucesso individual seja tratado como crime, e não como mérito. Como motivo de escárnio, e não de admiração. É tempo de mudarmos esse triste quadro.

Por tudo isso, a primeira coisa que espero dos meus candidatos em potencial é que não tentem usar subterfúgios para divulgar suas ideias. Que não tratem as pessoas como limitadas, como idiotas. Quero propostas claras, compostas de metas claras e factíveis, origem clara dos recursos necessários, e plena viabilidade jurídica e constitucional. Quero honestidade, coerência e sinceridade diante de qualquer assunto, mesmo os mais polêmicos. Quero opiniões fortes e bem fundamentadas, ainda que muita gente discorde delas. É primordial que eles entendam que ninguém vai conseguir agradar a todo mundo o tempo todo. E aquele que insistir nisso certamente irá se perder. Quero alguém que tenha a coragem de se posicionar a favor de temas impopulares e seja capaz de explicar com clareza os motivos que o levaram a tal posição. Quero alguém que não tenha como meta a sua própria reeleição no pleito seguinte. Quero alguém comprometido com o desenvolvimento intelectual do Brasil, em todos os seus aspectos, com todas as suas complexidades. Quero, finalmente, alguém que enxergue o populismo como a anomalia que é: uma distorção patética dos fatos, um escambo obsceno em que um abre mão da dignidade em troca do voto do outro, um manto de turbidez que a democracia brasileira não pode mais se permitir usar!

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Ode à hipocrisia…

Uma pequena manifestação em frente ao Palácio das Artes, em Belo Horizonte, marcou hoje o lançamento da Frente Nacional Contra a Censura (FNCC), movimento que surgiu depois que exposições e atividades artísticas sofreram críticas e boicotes relacionadas ao seu conteúdo. Artistas como Chico Buarque e Caetano Veloso declaram seu apoio ao movimento e mostram preocupação com a escalada do conservadorismo e do fascismo no país. Afinal, dizem eles, a liberdade de expressão não pode e não deve ser restringida em nenhuma hipótese.

Sete cineastas decidiram retirar suas produções de um festival de cinema em Pernambuco, alegando que dois filmes da mostra estavam alinhados a uma direita conservadora e fascista. Desde então, esses mesmos filmes têm sido alvos de críticas e boicotes e, invariavelmente, suas exibições pelo país vêm acompanhadas de protestos e ameaças aos exibidores e espectadores. Curiosamente, aqueles que buscam impedir a exibição destes filmes são os mesmos que apoiam incondicionalmente a liberdade defendida pela Frente Nacional Contra a Censura lançada hoje.

Em contrapartida, um grupo se destaca na defesa da livre exibição dos filmes contestados. Através de ações de marketing, ajudam a divulgar tanto os filmes quanto as tentativas de censura a que estão sendo submetidos. Promovem debates e procuram, assim, mostrar o outro lado de uma mesma história. Afinal, dizem eles, a liberdade de expressão não pode e não deve ser restringida em nenhuma hipótese.

Entretanto, esse mesmo grupo que, curiosamente, se autodenomina liberal, acredita que museus e galerias só podem abrigar exposições validadas, aprovadas e chanceladas por ele. Qualquer tentativa de fuga dos padrões determinados pelo grupo não deve e não pode ser considerada uma manifestação artística. Muitas pessoas discordam desse entendimento e, em defesa da liberdade de expressão, criam movimentos como a Frente Nacional Contra a Censura, lançada hoje.

E, assim, mais um triste círculo se fecha no triste atual cotidiano brasileiro. Mais triste ainda é constatar que círculos como esse se repetem aos montes a cada dia. Na teoria, todos defendem a liberdade plena e irrestrita. Na prática, querem livres apenas as vozes que os acompanham. Tudo em nome de suas malfadadas ideologias. E, assim, seguem todos ignorando o conceito de liberdade.

Brasil, um país de hipócritas!

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O último elo…

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Não falta mais a outra taça.
Não faltam mais as conversas e as risadas.
Não faltam mais os olhares condescendentes de quem sempre soube o caminho certo mas esperava que o outro o descobrisse pelos seus próprios erros.
Não faltam mais os olhos nos olhos na hora do brinde.
Não faltam mais as súplicas silentes para que aqueles momentos pudessem durar só mais um dia, mais um mês, mais um ano.
Não faltam mais as palavras que faziam surgir novos horizontes.
Não falta mais o silêncio que calava a alma.
Não falta mais ele…
Pelo menos, não nesta mesa, não nesta varanda, não nesta casa, não nesta pequena maquete do Paraíso.
Tudo passou e não poderia ser diferente.
Daqui para frente, os brindes serão feitos apenas em outras mesas, em outras casas, com outras taças.
O último elo está rompido e não poderia ser diferente.
Elos, eras, ciclos só podem existir com prazo de validade.
Postergá-los além da data de vencimento os tornam, no mínimo, difíceis de serem inteiramente compreendidos.
A vida é assim e, somente assim, ela se perpetua.
Finalmente, rompido o elo, vem a revelação: sem a taça dele, a minha não estaria aqui.
Por isso, mesmo que a foto mostre apenas uma taça, a outra sempre estará lhe fazendo companhia.
Poderia ser diferente? Sim, mas não com ele…

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