2019 não espera…

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E assim, como num piscar de olhos, outro ano se passou. Há poucos instantes estávamos nos abraçando e celebrando o início de 2018. Olhávamos para o céu iluminado na esperança de que o novo ano nos trouxesse esperança. Hoje, esperamos pelo início de 2019 na esperança de que a esperança que 2018 nos trouxe não nos faça esperar por mais um ano.

Somos um povo acostumado a esperar. A esperar que a economia melhore, a esperar que o governo não nos atrapalhe, a esperar que os políticos corruptos sejam condenados e presos, a esperar que o setor em que trabalhamos seja contemplado com subsídios, a esperar que a chuva seja abundante para que não nos falte energia e irrigação, a esperar que a chuva não seja torrencial para que nossas colheitas não se percam, a esperar que os nossos juízes sejam realmente justos…

Mas o que temos esperado de nós mesmos? Mais importante ainda, o que temos feito além de esperar?

Não esperemos mais. Sejamos em 2019 a energia transformadora que o Brasil anseia há décadas. Conseguimos mudar muita coisa em 2018 mas este foi apenas um pequeno passo diante de uma longa caminhada que temos pela frente. Sejamos no próximo ano aquilo que sempre esperamos de todos os demais.

Que não nos acomodemos em 2019. Que fiquemos atentos aos nossos próprios comportamentos. Que questionemos constantemente os nossos próprios conceitos e ideais, afinal, ideias fixas frequentemente são sinais de acomodação. Que saibamos nos reinventar, nos reconstruir. Que nos permitamos cometer erros novos pois os velhos já nos ensinaram o bastante. Que saibamos arriscar com consciência e responsabilidade. Que aprendamos a nos colocar na posição do outro e que entendamos que o nosso ponto de vista é apenas a nossa verdade, não a verdade absoluta, mesmo porque esta não existe. Que consigamos ser tolerantes sem perder a firmeza e flexíveis sem abdicar dos nossos princípios. Que busquemos argumentar sem arrogância, que aprendamos a admitir nossos equívocos apesar daquela incômoda pontinha de vergonha, que possamos ouvir o ponto de vista contrário com a mesma atenção com a qual expomos nossas convicções. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Que tenhamos capacidade de lidar com o contraditório, mesmo que nos pareça completamente absurdo. Que saibamos respeitar as opiniões alheias. Que tenhamos consideração pelos não crentes e, da mesma forma, por aqueles que veem Buda, Alá, Jeová, Oxalá ou Jesus na igreja, no templo, em uma queda d’água, em uma árvore ou dentro de si mesmos. Mas, ao mesmo tempo, que não permitamos que nos sejam impostas regras e condições que restrinjam a liberdade das nossas próprias crenças. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Que tenhamos discernimento para continuar cobrando novas posturas dos nossos novos governantes. Que não deixemos nossos conceitos e ideologias nos tornarem cegos ou parciais. Que poucos de nós se disponham a encontrar desculpas para defender um político preso e condenado, mesmo que já o tenhamos considerado um grande governante no passado. Que poucos de nós se disponham a encontrar desculpas para defender um molestador de centenas de mulheres, mesmo que já o tenhamos considerado um emissário de Deus no passado. Que poucos de nós se disponham a encontrar desculpas para defender um político envolvido em movimentações financeiras evidentemente irregulares, mesmo que já o tenhamos considerado o único candidato honesto do país no passado. Que não percamos a capacidade de nos indignar com os fatos, independente dos autores. Que não sejamos reféns das nossas próprias escolhas. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Façamos dele o ano pelo qual temos esperado há tempos. Façamos dele o ano pelo qual batalharmos, almejarmos, esperançarmos. Os contratempos, as dificuldades, os obstáculos não deixarão de existir, mas não podemos permitir que eles se transformem em desculpas. Não há nada pior do que desculpas para minar a esperança. Desculpas deixam obstáculos árduos intransponíveis, metas ousadas inatingíveis, problemas graves insuperáveis, chances remotas completamente nulas. Nada é mais degradante do que a desculpa. Que tenhamos forças para superar os nossos próprios limites. Que tenhamos, acima de tudo, consciência de que limite é o ponto que as nossas próprias desculpas nos permitiram alcançar até agora. Nossos limites, portanto, são irreais, são ilusórios, são fantasmas que deixamos nos assombrar. Podemos e merecemos bem mais. Podemos e merecemos ir bem mais longe. Podemos e merecemos nos livrar das amarras que nós mesmos criamos. Façamos isso no ano que está para começar.

Que não nos acomodemos em 2019. Que tenhamos determinação, coragem, garra, atitude, otimismo, persistência, vontade de acertar, de crescer e de prosperar. Que tenhamos, ao mesmo tempo, tolerância, respeito, generosidade, integridade, discernimento, humanidade e amor. Que nos permitamos chorar de emoção e gargalhar feito bobos. Que sejamos capazes de perdoar nossos erros e valorizar as nossas vitórias. Que saibamos conquistar cada vez mais amigos verdadeiros, abraços sinceros, olhares autênticos e sorrisos desarmados. Que possamos ser o amigo, o abraço, o olhar e o sorriso que o outro precisa. E que sejamos sempre gratos pelo que a Vida nos oferecer. Façamos isso no ano que está para começar.

Feliz 2019 a todos nós. Façamos de 2019, juntos, o mais feliz dos nossos anos!

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Oh Happy Day…

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Há exatos cinco anos assistíamos à apresentação da Árvore Cantante, na Rua Coberta de Gramado. O Natal Luz de 2013 foi a última experiência natalina que passei ao lado dos meus pais. Um ano depois, na noite de Natal na minha casa, minha mãe já se encontrava em outro plano e meu pai passou apenas alguns minutos conosco, absolutamente debilitado pela cardiopatia que o levaria definitivamente dali a vinte e seis dias. Seu enorme coração, o maior que já conheci, não conseguiu bater por mais de três meses sem o dela por perto…

Voltando à Rua Coberta, lembro-me nitidamente do momento em que os primeiros acordes de “Oh Happy Day” começaram. O público que lotava os bares e restaurantes em torno vibrou. Tirei meus olhos do palco e olhei para a mesa em que estávamos. Meu filho mais velho, minha esposa e meus pais cantavam e sorriam juntos. O pequeno dormia serenamente no meu colo. Voltei a olhar para o coral em forma de árvore de Natal para que ninguém notasse as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Lágrimas de emoção, de gratidão, de felicidade. Cantei aquela música como nunca havia cantado antes. Como nunca mais cantei desde então. Que dia feliz! Tenho saudades daquele dia. Tenho saudades de ver meus pais saudáveis, felizes, cantando com a alegria e o otimismo que sempre os caracterizaram. Tenho grande, imensa, indescritível saudade daqueles dois!

Lembro-me também do exato momento em que a canção terminou, a última daquela apresentação memorável. Pedi silenciosamente que a cantassem novamente. Quem sabe um bis? Não queria que aquela canção terminasse. Não queria que aquele instante tivesse fim. O bis não veio mas percebi, logo em seguida, que vivera ali um daqueles momentos eternos que fazem a vida ter sentido. Um daqueles muitos momentos que, somados, formam o que as pessoas costumam chamar de felicidade.

Que, em 2019, todos tenhamos muitos momentos assim!

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Cinquenta anos inspiradores…

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Sei que há incontáveis Marias Lúcias no Brasil. Certamente bem mais que Welsers. Welsers e Marias Lúcias juntos são, portanto, ainda mais raros. Que me perdoem os demais casais Welsers e Marias Lúcias que hão de existir, mas os nossos Welser e Maria Lúcia não são apenas raros, são definitivamente únicos.

Afinal, os outros Welsers e Marias Lúcias têm que se esforçar para trocar olhares doces e apaixonados. Os nossos Welser e Maria Lúcia não aprenderam a se entreolhar de outra forma.

Os outros Welsers e Marias Lúcias precisam verbalizar sentimentos e intenções. Para os nossos Welser e Maria Lúcia sempre bastou o silêncio.

Os outros Welsers e Marias Lúcias lutam constantemente em busca da superação das adversidades da vida. Os nossos Welser e Maria Lúcia, incessante e igualmente lutam, mas a mansidão sempre prepondera em suas vidas, apesar de todas as eventuais adversidades.

Os outros Welsers e Marias Lúcias gostam de fazer amigos. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia sabem como marcar definitivamente o coração de cada um dos seus.

Os outros Welsers e Marias Lúcias apreciam uma boa música, um bom livro, um bom vinho. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia são capazes de afinar as notas de um concerto, interpretar as mais intrínsecas motivações de um autor, harmonizar a acidez e a exuberância de um Tokaji húngaro degustado às margens do Danúbio.

Os outros Welsers e Marias Lúcias dançam juntos com frequência. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia fazem de cada breve dança um verdadeiro ato de amor.

Os outros Welsers e Marias Lúcias têm bom coração. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia são generosos o bastante para se doarem integralmente.

Os outros Welsers e Marias Lúcias se complementam. Mas só os nossos Welser e Maria Lúcia são cada um apenas quando juntos estão.

Os outros Welsers e Marias Lúcias merecem celebrar suas bodas. Mas só as Bodas de Ouro dos nossos Welser e Maria Lúcia merecem ser celebradas pelo mundo inteiro. Porque somente a união dos dois é capaz de nos apaziguar, de nos harmonizar, de nos fazer refletir, de nos instigar e de nos motivar a crescer, a florescer, a evoluir para, quem sabe um dia, compreendermos o quanto os nossos Welser e Maria Lúcia, entre todos os Welsers e Marias Lúcias que existem por aí, são verdadeiras fontes de luz em uma noite sem lua. Fontes de luz que não se contentam em iluminar o caminho a ser percorrido. Fontes de luz que só se satisfazem quando percebem que realmente conseguiram ensinar a cada um de nós o segredo de como brilhar também!

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Novembro azul…

Você se lembra, caro amigo, de quando era jovem, guri, mancebo?

E alguém o alertou que, um dia, todo vigor que sentia acabaria em desenredo?

O tempo voa, os anos se apressam, assim pelo menos percebo…

E mesmo que, diante do espelho, você ainda se veja como um bom e velho rochedo,

O fato é que alguns cuidados devem ser sempre tomados, de preferência bem cedo.

Não postergue, não se avexe, não é preciso ter medo.

O exame é tão ligeiro que antes de um minuto inteiro estará encerrado o enredo.

Se, depois da experiência, você se sentir amuado, chateado, meio azedo,

Saiba que sua virilidade, pra sua tranquilidade, passou no teste do dedo.

Mas se sentir euforia, tal qual criança que vibra com seu mais novo brinquedo,

Pode até tornar mensal, um exame que já não basta anual com o belo Dr. Alfredo.

Independente da reação, o que importa é a prevenção, não ligue pro meu folguedo.

Marque sua consulta, chame seus amigos, seja fonte de arremedo.

Divulgue sempre com ardor, mas as flores pro doutor você pode guardar segredo!

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Línguas em movimento…

E vazou uma das questões do Enem do próximo ano:

“Egrégio confrade! Rogo-lhe que não se esquive de seu múnus para comigo e proceda a devida quitação de suas obrigações pecuniárias. Se me permite um alvitre, procure descontinuar sua extemporânea progressão de petas ou me verei forçado a fustigá-lo, não obstante ainda reconhecer-me um contumaz censor de quaisquer condutas bestiais.”

Se você entendeu as palavras dessa frase é porque você manja alguma coisa da língua portuguesa, um antigo ‘dialeto secreto’ usado por professores, escritores, poetas, magistrados e doutos intelectuais de um outrora rico país localizado no Hemisfério Sul.

Adepto do uso das expressões, mesmo nos ambientes mais informais, um advogado afirma: ‘É claro que eu não vou falar com meu bofe, com meu ocó ou em uma reunião das neusas, mas na firma, com meus colegas de trabalho, eu falo dos multíscios o tempo inteiro’, brinca. ‘A gente tem que ter cuidado de falar outras palavras porque pode ser que as barbies e os bilús entendam, né? Aí pode rolar o maior bafão. Tá na internet, tem até dicionário…”, comenta.

O dicionário a que ele se refere é o Aurélio, o dicionário da língua portuguesa lançado no ano de 1975. Na obra, há mais de 115.000 verbetes que quase ninguém mais sabe do que se trata.

Não se sabe ao certo quando essa linguagem surgiu, mas sabe-se que é resultado da mistura do português lusitano com as culturas indígena e africana, numa costura iniciada ainda na época do Brasil colonial.

Questão:

Da perspectiva do usuário, a língua portuguesa foi rebaixada à condição de dialeto, deixando o status de patrimônio linguístico, especialmente por:

A: ter mais de quatrocentas mil palavras catalogadas mas apenas mil efetivamente conhecidas pela comunidade;

B: ter palavras que estão se tornando formas de comunicação usadas apenas em sociedades secretas;

C: ter perdido espaço para expressões muito mais autênticas e dignas de uma nova sociedade empoderada;

D: ser utilizada com correção apenas por raríssimos advogados e escritores ultrapassados que insistem em não acompanhar a evolução da língua;

E: ser cada vez mais incomum em conversas nos ambientes de trabalho dominados pelas palavras muito mais aristocráticas e contemporâneas do Pajubá.

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Prestação de contas…

Terça-feira, 30 de outubro, em uma das celas da Polícia Federal de Curitiba…

- O senhor tem visitas.
L – Manda embora. Eu não quero ver ninguém.
– Sou seu carcereiro, não seu mordomo. Tem duas pessoas com autorização para entrar aí fora e eu vou deixar.
L – Não sei o que que eu fiz pra aguentar tanto desaforo…
H – Boa tarde, presidente. Puxa, não sei nem o que dizer. Eu sinto muito mesmo. Eu queria tanto ter ganho essa eleição pro senhor.
L – Não adianta chorar agora, companheiro H. Não sabia que você era um cabra tão frouxo. Se fosse eu essa eleição tava ganha no primeiro turno.
H – Porque o povo vota até em jegue, né presidente?
L – Companheiro H, se você veio aqui pra tirar sarro com a minha cara é melhor ir embora. Já basta o tal do Mano Brown!
H – Imagina, presidente. Eu e a companheira D viemos lhe prestar contas da campanha.
L – Prestar contas? Vocês dois? Era só o que me faltava. Dois incompetentes que não conseguiram se eleger em lugar nenhum. Deixa tudo anotado aí na mesa que eu vejo depois. Vão embora daqui.
H – Mas não tem nada anotado, presidente. Viemos lhe contar tudo pessoalmente.
L – Não quero ouvir nada agora, companheiro H. Manda o Valdeci me entregar tudo amanhã. Não, na semana que vem é melhor.
H – O Valdeci não trabalha mais pra gente, presidente. Ele agora tá trabalhando pro jegue eleito.
L – Até o secretário foi pro outro lado. Isso tá parecendo um pesadelo sem fim.
D – Presidente, o senhor tá me deixando muito preocupada. Nunca te vi tão pra baixo. Aconteceu alguma coisa?
L – Que pergunta idiota é essa, companheira D? Nós acabamos de perder a eleição. Vocês sabem o sacrifício que foi assistir à apuração ao lado do carcereiro? Com o cara sorrindo de lado e comendo coxinha? E depois o filho de uma égua ainda pôs pra tocar todas as músicas do Lobão. Eu não mereço isso não!
H – Imagino presidente, mas nós temos boas notícias.
L – Boas notícias, companheiro H? Será que o Ministro GM vai mandar me soltar?
H – Infelizmente ainda não, presidente. Mas estamos voltando às bases. Vamos comandar a resistência.
L – Comandar a resistência? Contra quem? O Darti Veider??? Tenha paciência. Temos que comandar a oposição, isso sim.
D – Quem é Darti Veider?
H – Tem muita gente querendo comandar a oposição, presidente. É melhor a gente ficar só com a parte da resistência mesmo.
L – Olha só, enquanto vocês ficam brincando de Guerra nas Estrelas eu tô cada vez mais ferrado. Tragam o companheiro C aqui. Vou dar um jeito dele ficar do nosso lado na oposição.
H – Presidente, o companheiro C já disse que nunca mais sobe num palanque conosco. Chamou o senhor de traidor e a gente de asseclas. Ele tá chateado porque o senhor acabou com a candidatura dele.
D – O que que é assecla?
L – Cearense safado! Não se pode confiar em ninguém hoje em dia. Chama a companheira MS então.
H – Ela também já disse que não quer saber da gente. Além disso ela já saiu de férias.
L – Quem ainda tá do nosso lado?
H – Só o companheiro GB. Ele já falou que a turma dele vai invadir as ruas.
L – Ele disse que faria a mesma coisa se eu fosse preso. Tô aqui há mais de seis meses e ninguém fez nada. É outro que só presta pra falar. Agir que é bom, nada!
D – Mas nós estaremos sempre com o senhor, presidente.
L – Companheira D, se você não puder ajudar pelo menos não atrapalha, tá bom? É melhor vocês irem embora agora. E não precisam voltar.
H – Tá na nossa hora mesmo, presidente. Temos que ir na audiência do Valdeci ainda hoje.
L – Que audiência, companheiro? O Valdeci entrou na justiça contra a gente?
H – Sim, presidente. E tá reclamando uma grana alta.
L – Mais essa agora. E ele tá alegando o que?
H – Insalubridade…

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A relevância de Lula…

O grande responsável pelo resultado das eleições de ontem atende pelo nome de Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula foi o promotor da extremista divisão ideológica da sociedade brasileira que permitiu o surgimento de uma figura também extremista como novo protagonista da política nacional.

Lula foi o autor da estratégia de manter sua candidatura até a data limite, mesmo sabendo que não haveria chance alguma de que viesse a disputar as eleições.

Lula incorporou a imagem de injustiçado preso político, mesmo ciente de que essa narrativa hoje só encontra respaldo entre os membros de sua própria militância.

Lula escolheu uma figura inexpressiva e sem carisma como seu poste da vez, deixando claro que sua opção se dava apenas em função do “golpe” do qual era vítima.

Lula tramou para inviabilizar a candidatura de Ciro Gomes de modo a enfraquecer o único nome realmente viável vindo do espectro da esquerda.

Lula imaginou que sua condição de deus intocável ainda seria consenso na sociedade brasileira e se esqueceu de que a maioria do eleitorado não faz parte da seita de fanáticos acéfalos que ainda o idolatram.

Lula propiciou exemplos seguidos e explícitos de arrogância, de prepotência, de soberba, de incapacidade de análise crítica, de enorme incompetência política.

Lula finalmente mostrou ao Brasil e ao mundo que, no fundo, não passa de uma grande farsa.

O fato é que o deus Lula está definitivamente morto. E não vai fazer falta alguma!

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Carta a Bolsonaro…

Bom dia, Jair Messias Bolsonaro, presidente eleito do Brasil. Antes de qualquer coisa, parabéns pela sua vitória. É inegável a grande mobilização popular que você conseguiu em torno do seu nome. Vou me permitir não usar aqui o pronome de tratamento que seu posto agora exige, ok? Afinal, você nunca foi muito afeito a essas formalidades mesmo. Ouvi todos os seus pronunciamentos feitos ontem e gostaria de expor algumas colocações que considero importantes. Não vou tomar muito do seu tempo, pode ficar tranquilo.

Você recebeu o aval de muita gente. Mais de cinquenta e sete milhões de pessoas o vêem como a melhor opção para o país. Eu estou entre elas. Mas meu voto, Bolsonaro, não foi dado por admiração a você e sim em função da minha completa aversão ao seu adversário. O voto de muita gente foi decidido também dessa forma. Eu não fiz propaganda do seu nome, não participei de manifestações ou carreatas, não doei valores para sua campanha e sequer vesti as cores verde e amarelo na hora de votar. O que fiz foi tentar apontar o desastre que seria uma vitória do seu oponente. Portanto, Bolsonaro, lembre-se que, assim como milhões de brasileiros que não votaram em você, eu e outros milhões também não o consideramos o mais preparado dos homens para assumir um cargo desta importância. E aqui vai o meu primeiro e maior pedido a você: surpreenda-nos! Queremos tanto que você acerte, que você consiga se cercar de pessoas verdadeiramente competentes, que você seja capaz de, com o passar do tempo, conquistar também os brasileiros que o rejeitam ou que não confiam em você. O país anseia por isso. Assim, peço-lhe que governe para todos, sem distinções.

O Brasil precisa mais do que nunca de união, Bolsonaro. Não se esqueça disso. Não se esqueça também de que a campanha já terminou e não faz mais sentido continuar alimentando polêmicas. Você será presidente de um país dividido. Sei que você é capaz de adotar um discurso mais moderado, sem deixar de lado as suas características pessoais. Da mesma forma, procure controlar os ânimos de seus aliados, dos seus filhos, daqueles que irão falar em nome do seu governo. Não permita que o sucesso de uma eleição o faça se esquecer de que é apenas uma pessoa a serviço de uma nação. Uma pessoa em quem milhões de outras depositam muita esperança. Mas o cargo não lhe dará carta branca para falar ou agir da forma como bem entender. Você não é um deus, mesmo que alguns de seus seguidores mais radicais o vejam dessa forma. Lembre-se que essa coisa de se achar deus não tem dado muito certo por aqui.

Apesar de não ter ficado muito empolgado com seus discursos ontem, gostei imensamente do que você disse sobre a liberdade. A liberdade é realmente um princípio fundamental em qualquer país, Bolsonaro. E foi muito importante que você tenha ressaltado a liberdade de ir e vir, de empreender, de informar e ter opinião, de fazer escolhas e ser respeitado por elas. Que esse respeito nunca se perca ao longo dos próximos quatro anos. Espero que você faça da liberdade, da honestidade, do respeito e da competência verdadeiros mantras para a sua nova administração.

Por fim, quero apenas lhe desejar toda a sorte do mundo. Os sonhos de milhões de brasileiros estão agora em suas mãos. Não se esqueça jamais disso. Que, em pouco tempo, você seja capaz de conquistar a confiança de um país inteiro, através das suas palavras, mas principalmente através das suas escolhas e atitudes. Quero muito confiar em você, Bolsonaro. Quero muito admirá-lo como homem público, como estadista, como líder de uma nação com uma enorme vontade de crescer e de se tornar mais justa e próspera. Você será nosso presidente. Presidente de todos os brasileiros. Por favor, encare esta oportunidade como a grande missão da sua vida!

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Ponderações e agradecimentos…

E chegamos enfim ao grande dia. Hoje o Brasil irá eleger seu presidente e o restante de seus governadores pelos próximos quatro anos. Não preciso dizer, mais uma vez, que os dois candidatos à presidência pouco me representam. Meu voto hoje vai para a candidatura contrária àquela que considero o desastre maior para o país. Aquela que pretende manter no poder exatamente as mesmas lideranças que trouxeram o Brasil a um dos períodos mais tristes de sua história, inteiramente dominado pela incompetência, pela desonestidade e pela arrogância. Uma turma que jogou a economia do país na maior recessão de que se tem notícia, que provocou o desemprego de mais de quatorze milhões de pessoas, que levou à falência milhares de pequenas e médias empresas, que assaltou as estatais, os fundos de pensão e os bancos públicos protagonizando um dos maiores casos de corrupção da história da humanidade. São recordes e superlativos que não sou capaz de ignorar. Não consigo aceitar que continue no comando um grupo que promoveu a maior divisão da sociedade brasileira, que fez do incentivo à mesquinha aversão entre afins a base para a sustentação de seu discurso de defensor de apenas um dos lados, que imaginava ser eternamente o majoritário. Não é mais. O resultado da eleição de hoje só não será uma lavada de mais de setenta por cento dos votos porque a opção contrária também está longe de apontar um caminho de conciliação e de união do país. Não considero, entretanto, que esteja em risco a democracia e a liberdade do Brasil como tantas pessoas, com o apoio maciço da imprensa, insistem em propagar. As instituições continuarão funcionando, não tenho dúvida alguma disso.

Ao fim de mais uma campanha da qual participei ativamente, tenho muito a agradecer a muita gente. Em primeiro lugar, agradeço aos meus amigos reais e virtuais que se dispuseram a debater comigo. Aproveito também para pedir desculpas àqueles que se sentiram ofendidos em qualquer oportunidade. Tenham a certeza de que jamais foi minha intenção, muito pelo contrário. Mesmo quando fui questionado de forma ríspida e indelicada, procurei manter minhas argumentações rigorosamente dentro do campo das ideias. E tenho muito orgulho disso. Também tenho orgulho de não ter divulgado nenhuma notícia falsa. Tudo o que compartilhei aqui e em outras ferramentas foi checado antes. Tudo também foi acompanhado da minha opinião particular e a campanha deste ano me inspirou a escrever inúmeras crônicas que alcançaram, pela primeira vez, a casa dos milhares de leitores, a quem agradeço profundamente.

Agradeço especialmente à minha família, à minha esposa e aos meus filhos pelo amor incondicional e paciência ao me verem passar horas lendo e escrevendo, exatamente nos momentos em que deveria estar me dedicando exclusivamente a eles.

Agradeço também ao partido NOVO, por ter me mostrado que existe uma nova maneira de se fazer política no Brasil. Nestes muitos meses em que pude conhecer de perto seus líderes, seus valores e seus ideais, percebi pela primeira vez que ainda há esperanças de que um partido brasileiro possa se manter fiel aos seus princípios e ideologias, muito além dos interesses escusos que dominam a podre política contemporânea nacional. Que a oportunidade de governar um estado do tamanho e da importância de Minas Gerais possa ser exemplo do que o partido poderá fazer pelo país em breve. Tenho plena consciência de que muitos ajustes de conduta e diversas correções de rotas serão necessários ao longo do tempo, mas espero que a transparência, a lisura e a vontade de acertar jamais se percam. Estarei atento e serei o primeiro a cobrar caso algo do tipo aconteça.

Enfim, entendo que a campanha deste ano, depois de muito tempo, conseguiu trazer de volta um sentimento de esperança ao brasileiro. A taxa de renovação no congresso foi uma das maiores da história e conhecidos corruptos foram merecidamente reprovados pela vontade popular. Ainda resta muita gente podre e incompetente a ser defenestrada, mas alguns bons passos foram dados na direção correta. Que continuemos com essa mesma consciência daqui por diante. Só assim poderemos alcançar, finalmente, um novo patamar como nação. E que, assim como ocorre agora, jamais fujamos à luta!

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A derradeira semana petista…

A última semana antes da eleição chega ao fim e a campanha petista acumula trapalhadas e desacertos. Mesmo que, publicamente, tenha se mostrado animado com os resultados do Datafolha, que apontou uma pequena diminuição na grande diferença a favor do candidato do PSL, o fato é que o PT tem muito pouco a comemorar.

O discurso de vitimização e a conhecida postura de “coitadinhos honestos sendo ludibriados” foram contrapostos pelas imagens de coletivos circulando com a propaganda do partido na Bahia, em evidente crime eleitoral, pelo resultado do inquérito policial que apontou automutilação no caso da garota supostamente marcada a faca com o símbolo da suástica por apoiadores de Bolsonaro, pela completa ausência de provas ou indícios mais consistentes da bombástica reportagem feita pela Folha na semana passada, pela pesquisa feita pelo Ibope apontando que o percentual de apoiadores que foram influenciados pelas notícias de WhatsApp foi rigorosamente o mesmo para as duas candidaturas, e pela gravíssima acusação feita por Haddad de que o General Mourão, aos dezesseis anos de idade, havia torturado um cantor. Pior ainda, pela sua esquiva em pedir perdão pelo equívoco. “Apenas repliquei a informação de uma pessoa de confiança”, foi a desculpa dada pelo petista. Não é exatamente esse tipo de comportamento que o PT reclama com relação àqueles que espalham fake news?

O fogo amigo continuou causando estragos na candidatura petista. Mano Brown, diante de toda a cúpula do partido, admitiu a derrota, escancarou as falhas e os equívocos de uma esquerda desmantelada e proferiu uma das frases que considero mais relevantes vindas de alguém ligado ao PT: “o que mata a gente é a cegueira e o fanatismo”. O próprio Lula escreveu uma carta na prisão desmerecendo seu poste e evidenciando sua autopercepção de deus injustiçado, condição rechaçada pela maioria dos brasileiros. E, depois de Cid Gomes, seu irmão Ciro deixou o petismo a ver navios ontem, quando saiu do aeroporto sem se posicionar de forma contundente a favor de Haddad, demonstrando que a barca furada atrai cada vez menos gente.

Duas pesquisas realizadas ontem, entre elas aquela que mais se aproximou do resultado das urnas no primeiro turno, apontaram que a diferença entre os dois candidatos não se alterou e se mantém próxima de vinte pontos percentuais.

No campo econômico (ou do desespero, como queiram), Haddad passou a divulgar que suas três primeiras medidas caso eleito serão o aumento do salário mínimo inclusive para os aposentados, aumento de 20% no Bolsa-família e a determinação de que o valor do botijão de gás não poderá passar dos R$ 49,00. Disse também que “já fez as contas”. Aumento de gastos públicos, aumento do rombo da previdência e congelamento de preços. Não poderiam haver exemplos mais claros de como se faz para quebrar de vez um país.

Resta ao PT apenas o consolo de poder explorar as recorrentes bobagens ditas pelos mais diversos membros da campanha adversária, mas que não parecem afetar a intenção de votos mais cristalizada deste pleito. Amanhã veremos quais serão os resultados definitivos que, de uma forma ou de outra, irão mudar a história do Brasil!

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