Lógico…

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- Você viu? O presidente disse que não vai mais comprar a vacina chinesa.
– Lógico.
– Você concorda com isso?
– Lógico.
– Disse que não vai comprar vacinas que não tiverem sido aprovadas.
– Lógico.
– Ok. Mas ele já comprou a vacina de Oxford, que também está na mesma fase de testes.
– Lógico.
– Como lógico? Ele fez o contrário do que afirmou. Justifica agir assim só porque essa vacina tem tecnologia chinesa?
– Lógico.
– Muita gente pode morrer por causa dessa birrinha ideológica. Você acha isso certo?
– Lógico.
– Nenhuma vacina, chinesa ou inglesa, será distribuída sem a aprovação da Anvisa e do Ministério da Saúde. Mesmo assim você concorda com o presidente?
– Lógico.
– Mas, se a vacinação será feita somente após a aprovação, não faz sentido dizer que o povo será cobaia, faz?
– Lógico.
– Espera um pouco. Você está me dizendo que acha que ele está zelando pelo povo e defendendo a ciência?
– Lógico.
– Receitar cloroquina, que não tem comprovação científica, e descartar uma vacina, mesmo após a sua comprovação, é zelar pelo povo?
– Lógico.
– Daqui a pouco você vai me dizer que ninguém deveria tomar vacina alguma.
– Lógico.
– Estamos no meio de uma pandemia e você acha que o presidente deve continuar incentivando a população a não se vacinar?
– Lógico.
– Cara, é difícil de acreditar.
– Em quê?
– Na sua falta de lógica…

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Fundo perdido…

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- Até agora nada? Tô esperando.
– Não sei se vai rolar.
– Como assim? Vai deixar passar uma oportunidade dessas?
– Eu sei que a notícia é boa, mas…
– Mas o quê?
– É que não dá pra competir.
– Não tô entendendo. Competir com o quê?
– Ora, com os memes.
– Ah, esquece os memes.
– Não dá. Toda hora aparece um.
– Fala de alguma coisa que ninguém comentou ainda.
– Esse é que é o problema. Não sobrou nada.
– Não é possível.
– Olha só, já falaram que o dinheiro veio da rachadinha, do fundão, que tava na poupança, que era dinheiro sujo, que tava guardado no cofrinho…
– Puxa, que povo criativo, heim?
– Qual povo? Os caras dos memes ou os políticos?
– Os dois, eu acho. Ah, pensa em alguma coisa relacionada ao tal fim da corrupção.
– Já falaram que a corrupção pode ter acabado, mas a currupção não; que alguma coisa cheira muito mal nesse governo; que agora é a PF que tem que lavar dinheiro; que esse cara é um político reto.
– Que coisa…
– Tô falando, não sobrou nada.
– Apela pro palavrão.
– Já apelaram: isso é que é encher o cu de dinheiro; menino do cu riscado já era, o bom é o do cu endinheirado; depois dizem que tomar no cu não presta…
– É, acho que já abordaram tudo mesmo.
– Pois é.
– Vai escrever sobre o quê, então?
– Ah, sei lá. Posso falar das queimadas, da destruição das matas nativas, dos animais em extinção…
– Fala do lobo-guará.
– Coitado desse. Ficou todo desmilinguido na nota de 200 reais.
– Como se ele já soubesse que ia entrar pelo cano, né?
– Entrar pelo cano! Muito bom! Não tinha ouvido essa em lugar nenhum.
– Mas, eu só quis diz…
– E bem no centrão!
– O que está acont…
– Liga o computador aí. Chupa, turminha dos memes!

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Viagem…

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Estou pronto pra viagem. Será? Viajar pra fora é fácil, que tal viajar pra dentro? Pro fundo. Profundo. Lá onde a luz é escassa. Tornar-me a caça. Qual é a graça? Afagar o que eu não conheço. Esqueço. Mereço desbravar caminhos. Redemoinhos. Reflexos dos meus pergaminhos. Reflito. O espelho que me entrevista é míope. Distorce. Quero me olhar nos olhos. Não foge. Mostra mais que uma fração. São muitas camadas. Sirvo em fatias. O recheio é bom? De quê? Não sei. Receios caramelizados, talvez. Passo a vez. Não estou com fome. Mas tenho sede. Estremeço, mas não de frio. Vou me saciar no rio. Lá vem outro arrepio. E essa mania chata de querer rimar. Ninguém está olhando. Eu vejo. Que olhem, que julguem. Quem deixou? Não pode. Fode. Foda-se. Explode minha lucidez. A luz me serve. O sol chegou e o calor me queima. Com essa tez. Sensatez. Não tenho protetor. E protege? Projeta. Mergulha. Tem uma agulha na areia. Ali não piso. Não dá pé. Bato os pés. Garanto que sei nadar. Boiar, não consigo. Afundo, só de pensar. Estou no fundo da lagoa. Alguém diria “de boa”. Tá vendo? Quem mandou? Eu? Eu nada. Eu nado. Já estive na floresta. Que festa. Seresta de sons, de cheiros, de medos. Acordei em um fiorde. Sob a montanha. Alguém gritou lá de cima. A margem se aproxima. Tem algo no meio do nada. Algoritmo. Agora não tem mais sombra. Ontem era uma árvore. Vi um vulto debaixo dela. Reconheci as mãos, os braços. Saudades dos meus abraços. O colo do meu pai. O cheiro do meu filho que está longe. Distâncias que eu não gosto. Aposto que o vento leva. A vela inflada, ondulada, tremulando feito uma bandeira. Temo. Tremo. Tremenda ventania. Quem foi que agitou a água? A onda quer me levar. Pra onde, onda? Espera. Acalma. Espera a calma chegar. Ruge. Faz sinfonia pro mar. E essa mania que não vai embora. Sangra. Espuma. Quero ajudar também. Quando eu soltar a minha voz vou cantar alto, entende? Repousa. Pousa. Arremete. Deixa desse trem de pouso. Decola. Garante que nada do que eu disse é certo. Tem certo? Decerto que não. Coberto de grãos. Voltei às mãos. De quem? Do Fernando, aquele que viaja.

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11 anos…

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Ele chegou trazendo sorrisos e lágrimas de felicidade. Logo no primeiro olhar, os irmãos se reconheceram e até hoje se veneram. Logo no primeiro colo, ele sabia que estava em casa. Cresce a cada dia com personalidade forte e múltiplos talentos. Desenha com enorme facilidade e tem uma inata noção de perspectiva. Pode vir a ser um ótimo pintor, designer ou arquiteto.

Adora um bom papo e suas perguntas na hora de dormir renderam textos, suspiros e gargalhadas. Sempre foi uma experiência única colocá-lo na cama. É um autêntico contador de histórias. Não lhe faça uma pergunta esperando ouvir “sim” ou “não”. Ele vai narrar todo o fato e ainda justificar as suas escolhas. Da mesma forma, não ouse respondê-lo de forma simples, principalmente se a resposta for negativa. Seus argumentos vão lhe deixar numa tremenda saia justa. Pode vir a ser um ótimo escritor ou advogado.

É louco por anime, jogos, vídeos e fala o tempo todo “de boas”, “tá ligado?”, “tipo”, “mano”. Mas não se acanha em dizer “eu te amo” sempre que se aninha em meus braços. Pode vir a ser um ótimo programador de games ou youtuber.

É o melhor companheiro de viagem do mundo. Fica acordado no carro só pra não perder a paisagem e não deixar de viver a aventura. É doce, carinhoso e tem um coração imenso. Se emociona com facilidade e ama os animais e a natureza. Tem um olhar apurado para a beleza e encontra adjetivos raros para expressar sua admiração diante de tudo que lhe encanta. Pode vir a ser um ótimo biólogo, fotógrafo ou guia turístico.

Adora tudo relacionado à arte. Aos 7 anos, participou de uma ópera no Palácio das Artes e se sentiu tão à vontade no palco como se estivesse no seu quarto. Em uma das cenas, ao perder o protetor auricular que usava, deixou cair seu ursinho de pelúcia para apanhar ambos objetos sem sair do personagem. Pode vir a ser um ótimo ator.

Esse garoto espetacular está fazendo 11 anos hoje. Há 11 anos ele nos enche de alegria, de ternura, de orgulho, de gratidão. Não tenho a menor ideia de qual será sua profissão no futuro mas estou cada vez mais seguro de que ele será um ótimo ser humano. E é só isso que me importa!

Feliz aniversário, meu amorzinho! Te amo, te amo, te amo!

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Vinte e três e contando…

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Há quase 54 anos eu nascia pela primeira vez, pelo menos neste plano. Digo primeira vez porque renasci, mais tarde, muitas outras vezes. Renasci ao ouvir o primeiro choro dos meus filhos, ao me despedir dos meus pais, ao superar obstáculos que julgava intransponíveis, ao me resignar diante de outros tantos, ao me perdoar.

Hoje comemoro o aniversário do maior dos meus renascimentos. Aquele que possibilitou que eu vivenciasse e superasse todos os demais. Aquele que, tal qual o primeiro, me ensinou a respirar. Aquele que, como nenhum outro, me tirou o fôlego.

São 23 anos desde que ela me apresentou à vida. Há 23 anos, ela insiste em me ensinar a viver e, mesmo diante da minha evidente dificuldade de aprendizado, nunca desiste. Há 23 anos, ela faz com que todos os meus problemas pareçam corriqueiros. Há 23 anos, é ela que abre e ilumina meus caminhos. São 23 anos de paz.

Alguns acham que um amor como esse estava escrito nas estrelas. Não saberia dizer. Mas sei que não consigo desassociá-la da vida, do mundo, da natureza. O nome dela está implícito no desenho das árvores. A sua alegria é capaz de emergir do profundo azul do oceano. O seu sorriso faz frente à beleza dos vales, dos fiordes e das montanhas de onde gritamos juntos em busca do infinito.

São só 23 anos, mas o infinito nos espera…

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Avatalhados…

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- Alô.
– Alô. Senhor Nadir?
– Senhora Nadir. Quem fala?
– É do SAC do Facebook.
– Serviço de Atendimento ao Consumidor?
– Não. Serviço de Acolhida aos Chatos.
– Qual é o assunto?
– É sobre o seu avatar.
– Meu o quê?
– Seu avatar. Aquele desenho que deveria se parecer com a senhora.
– Ah, sim. O que tem ele?
– Ele foi denunciado.
– Denunciado? Como assim?
– Hum… vejamos… ele está sendo acusado de racismo, homofobia e gordofobia.
– Hã?
– Tem também uma denúncia de misoginia mas acho que foi confusão devido ao seu nome neutro. Vou desconsiderar.
– Meu filho, isso é alguma pegadinha?
– Claro que não. Seu avatar está sob investigação.
– É só um desenho.
– Um desenho que a representa, não se esqueça disso.
– Olha, desculpa, mas tenho coisas mais importantes a fazer e…
– A senhora não quer apresentar defesa?
– Defesa de que? De racismo, meu filho? Eu sou negra.
– Mas não tão negra quanto o seu avatar. Black face vale nesses casos também, sabia?
– Tá bom, eu coloco um tom de pele mais claro. Satisfeito?
– Claro que não. Tem a homofobia.
– Não fui homofóbica hora nenhuma.
– Nem quando postou seu avatar pisoteando o símbolo LGBT?
– Era só o que me faltava. Ele estava deslizando sobre um arco-íris.
– Deixe essa desculpa para ser usada em seu parecer. Se colar, é claro.
– Não vou perder meu tempo com parecer nenhum.
– Calma, tem a acusação de gordofobia também.
– Que absurdo.
– Foi verificado que o corpo do seu avatar não corresponde ao seu.
– E daí? Tô fazendo regime. Foi uma meta que coloquei pra mim mesma.
– Pois é, gordofobia explícita e confessa. Seu caso parece irreversível.
– Quer saber? Vou apagar o avatar e acabar com essa palhaçada agora mesmo. Já perdeu a graça.
– Infelizmente isso não será possível, senhora. Seu avatar foi conduzido coercitivamente para maiores investigações.
– Gente, isso parece um pesadelo.
– Que ainda está longe de terminar. Esses crimes cibernéticos estão sendo muito visados.
– Crimes? Não cometi crime nenhum.
– Não cabe à senhora decidir o que é crime ou não.
– Veja bem, não queria usar das minhas influências mas meu avatar está sendo liberado agora mesmo.
– Não acredito. Como a senhora conseguiu tão rápido?
– Sou amiga do avatar do Gilmar Mendes…

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Agora é assim…

- Pai, tô saindo.
– Aonde você vai?
– Vou comprar a carne pro churrasco que vou fazer com os meus amigos hoje.
– Você comprando carne? Quem diria. Sempre foi vegetariana.
– As pessoas mudam.
– Quer ajuda?
– Só pra descarregar as bebidas.
– Que bebidas?
– Ué, cerveja, vodka, rum.
– Minha filha, você nunca bebeu nada disso. No máximo um espumante de vez em quando.
– Pois é. Agora detesto espumante e adoro uma cachaça.
– Você está passando bem?
– Tô ótima. Por quê?
– Tô te achando muito estranha.
– Tá tudo certo. Dá uma força pra mamãe. Ela tá cuidando da salada de repolho com jiló.
– Ah, agora chega! O que que tá acontecendo? Você sempre odiou repolho e jiló.
– Pois é, né pai? Olha o tempo que eu perdi na vida.
– Não estou te reconhecendo.
– Sou assim agora.
– Mas…
– Ah, e antes que você se assuste, a playlist do churrasco só vai ter funk, sertanejo e pagode.
– Minha filha, você é pianista clássica. Acho que vou te levar no médico.
– Exagero seu. O Adalberto sempre me disse que você era exagerado mesmo.
– Que Adalberto? Seu ex-namorado?
– Sim. Nós voltamos. O churrasco é com a turma dele.
– Filha, o cara é um cafajeste, marginal, traficante e ainda vivia te colocando chifres. Você enlouqueceu?
– Pai, ele mudou. Merece uma segunda chance.
– Filhinha, ninguém muda assim de uma hora pra outra.
– Será, pai? Você há pouco tempo vivia xingando o Gilmar, o Toffoli, o Centrão, as pedaladas da Dilma, o assistencialismo do PT e todo mundo que criticava a Lava Jato.
– Bem, as circunstâncias mud…
– Que circunstâncias, pai? Você dizia que o tal do mito iria acabar com a corrupção e colocar essa turma toda na cadeia.
– Filha, olha só…
– Você me chamava de comunista quando eu gritava “ele não”, lembra?
– Mas, querida, eu n…
– Agora até o Renan virou aliado dele. Renan Calheiros, pai!! E você continua apoiando o sujeito.
– Querida, acho que…
– Então não venha me dizer o que eu posso ou não posso fazer, fui clara?
– …
– Vai, fala alguma coisa.
– Quando você for comprar cerveja, traz Kaiser ou Schin, tá bom?

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Limpeza pesada…

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- Prezados, hoje tem que ser na base do mutirão. Tem sujeira espalhada pra todo lado.
– Nem me fale, Alexandre. Vi que você começou a limpeza ontem mesmo. Sua determinação me impressiona.
– Caio, eu tinha que dar o exemplo. Sei que sou inspiração pra muita gente, inclusive pra jovens como você.
– Confesso que estou com um pouco de preguiça, pessoal. Essa rotina de limpeza cansa. Não prometo fazer muito esforço pra limpar debaixo do tapete não.
– Qual é, Rodrigo? Vai roer a corda agora? Somos um time ou não? E desde quando a gente limpa debaixo do tapete?
– Força de expressão, Augusto. Somos um time sim. Fica tranquilo, é só um desânimo passageiro. Amanhã prometo que terei de volta toda a minha gana de passador de pano.
– Ótimo. A gente precisa de união.
– Gente, cadê o Guilherme e a Ana Paula? Até agora não deram as caras.
– Não se preocupem. Sabemos como eles são. Quando a sujeira é grande demais, sempre esperam a poeira baixar.
– É verdade, Alexandre. E aposto que a AP vai alegar que está mais ligada na faxina americana.
– Bom, a sujeira é das grossas por lá também.
– Foco, pessoal. Foco. Enquanto a gente fica nesse lero-lero o pó só acumula.
– Quem me preocupa mesmo é o J.R. Ele jogou a merda toda no ventilador ontem, vocês viram?
– Calma, Rodrigo. Ainda tá muito cedo pra chegarmos a uma conclusão. Da outra vez foi a mesma coisa e ele voltou pra turma com o paninho entre as pernas.
– Tomara que você tenha razão, Caio. Mas lembre-se de que já perdemos bons faxineiros ao longo do último ano.
– Não adianta a gente entrar nessa paranoia agora. Diante do trabalho, os preguiçosos somem. Vamos dar tempo ao tempo.
– Não temos muito tempo não. Olhem só, nem o Allan apareceu. E ele é sempre o primeiro. Tô ficando preocupado.
– Pois é. É daqueles que não têm vergonha de se contorcer pra limpar até as sujeirinhas mais difíceis. Tipo o Alexandre, só que bem mais tosco.
– Prezados, nossos esforços têm que ser muito coordenados agora. Teremos que acumular tarefas, pelo menos até que o resto da turma apareça.
– Perfeito, Alexandre. O comando é seu.
– Pois bem. Caio, você poderia passar pano pro currículo do nomeado.
– Combinado. Vou limpar e ainda dar um lustro.
– Excelente. Como o Rodrigo está desanimado, ele fica a cargo de passar pano pro desapontamento do eleitor. Sujeirinha fácil de limpar.
– Deixa comigo. Limpo e ainda toco o berrante.
– Você é mesmo bom nisso, Rodrigo. Agora, Augusto, você prefere ficar a cargo da limpeza da reunião com o Gilmar ou do abraço efusivo no Toffoli?
– Alexandre, sabe o que é? Minha coluna está me matando nesses dias. Não sei se dou conta de todo esse contorcionismo.
– Augusto, sou mais velho que você e consigo me enfiar em qualquer greta pra passar um pano bem passado.
– É que você já está aposentado. Faz isso pelo amor à faxina. E a sua coluna é bem mais maleável.
– Então passa pano pras pedaladas, pro Renda Brasil e pro desfalque no Fundeb. Pode ser?
– Farei o que puder.
– Já vi que sobrou pra mim a sujeira mais encardida. Alguma sugestão, prezados?
– Água sanitária e um pouco de soda cáustica, Alexandre. Só o pano ali não vai dar nem pro começo…

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Consultoria grátis…

- Puff… puff… puff…
– Cansou?
– Tô morto.
– Mas você tá só começando.
– Eu sei. Não sei como você conseguiu manter o rítmo por tanto tempo.
– Manter? Eu fui só aumentando, esqueceu?
– Como poderia? Você é minha inspiração… puff… puff…
– Como o mundo dá voltas, né?
– É. Mas eu vou até o final.
– Será? Eu também achava.
– Mas você estava sozinha. Não tinha ajuda nenhuma. Olha só quanta gente está me incentivando.
– É… você tem a companhia de uma turma grande. Mas você sabe que eles também estavam comigo quando eu comecei, né?
– É que eu os trato bem demais. Eles gostam.
– Ah, eu sei que eles adoram ser mimados. Mas experimenta parar de agradar pra ver o que acontece.
– Tô cada vez mais generoso… puff… puff…
– O que você chama de generosidade eles chamam de obrigação.
– Você anda muito pessimista.
– É que eu já vi esse filme.
– Agora é diferente. Até o árbitro da prova eu estou indicando.
– Eu vi. Aliás, parabéns pela escolha. Eu não teria feito melhor. Foi mais uma recomendação deles, né?
– Claro. Só indico gente centrada.
– Isso é verdade. Essa turma toda é bem centrada.
– Olha só, essa conversa tá me fazendo perder o fôlego… puff… puff…
– Desculpa. Longe de mim querer te atrapalhar. Aliás, quanto mais você avançar mais feliz eu fico.
– Puff… puff…
– Vai, força! Você consegue!
– Puff… puff… você vai ficar me incentivando?
– Mas é lógico. Adoro quando os outros seguem meus passos. Ajuda na minha autoestima, sabe?
– Tô sentindo um certo sarcasmo nesse seu papinho…
– Imagina. Falo do fundo do coração.
– Sei. Daqui a pouco você vai me aconselhar a estocar vento também.
– Não, cada um com seu estilo. Eu saúdo a mandioca, você saúda embalagem de cloroquina. O importante é cada um deixar a sua marca na história.
– Puff… puff…
– Bom, vou indo.
– Vai não. Conto com a sua consultoria, talquei?
– Ah, você não precisa. Seus amigos são mais especialistas no assunto do que eu.
– Alguma dica final? Puff… puff…
– Só uma: continua pedalando!

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Uso compulsório…

- Você não vai usar?
– Claro que não.
– Mas assim você não entra.
– Não quero nem saber. Cadê a minha liberdade de ir e vir?
– Ninguém está te proibindo de ir a lugar nenhum.
– Estão sim. Tô sempre sendo impedido de entrar. Nem aqui eu posso.
– Você está sendo impedido porque não está usando.
– Pois é. Estão cerceando a minha liberdade.
– E o respeito às outras pessoas, não conta?
– Não respeito gente frouxa, covarde e submissa.
– Frouxa, covarde e submissa por quê?
– Ora, por aceitar passivamente essas imposições. Fossem por estes estaríamos vivendo no comunismo.
– Cuidado e respeito não têm nada a ver com comunismo.
– Essa gente é que não se dá ao respeito.
– Eu também devo ser comunista pra você.
– Se a carapuça serviu…
– Bom, então vai ficar de fora.
– Ah, mas não vou mesmo. Nem que tenha que chamar a polícia.
– Você acha que a polícia vai lhe dar razão?
– Deveria. Duvido que um policial aprove essa barbárie.
– Não importa. Regras existem para serem seguidas.
– Maldito STF comunista. Se tudo estivesse nas mãos do presidente nada disso estaria acontecendo.
– Pois é, vai usar ou não vai?
– Não!
– Acho que sei qual é o seu problema. Você não tem nenhuma, né?
– Claro que eu tenho. Só não quero usar.
– Então mostra.
– Não preciso te provar nada.
– Tá escrito ali que não precisa ser grande.
– Já disse que não.
– Bom, eu estou entrando.
– Eu que não perco o meu tempo com isso.
– Beleza. A gente se vê em outras por aí…

“Página do Fernando. Exige-se um mínimo de capacidade de discernimento para participar”

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