Juntos…

Sento-me finalmente na poltrona do avião que, assim espero, em pouco mais de onze horas estará pousando no Brasil. Vôo de volta, de final de férias, último refúgio antes dos problemas que deverão ser encarados ao longo dos próximos dias.

Meu ânimo já cambaleante começa a desmoronar quando percebo que, no pequeno espaço entre os meus joelhos e as costas da poltrona à minha frente, cabe apenas um exemplar da revista de bordo. E sem o encarte das ofertas do free shop. Bom, agora não cabe mais pois a passageira da frente resolveu reclinar seu encosto antes mesmo da decolagem. Cogito a hipótese de avisá-la dos procedimentos básicos de segurança mas acabo por deixar a tarefa para a aeromoça sorridente mais próxima.

“Pelo menos estou na janela”, penso eu na vã tentativa de me animar, pouco antes de me lembrar de que o vôo é noturno. Ao meu lado está meu filho mais novo, seguido da minha esposa e do meu primogênito, grandes companheiros de uma viagem inesquecível. O avião decola no horário e o jantar – uma pequena porção de massa com o sabor e a textura de um macarrão instantâneo – é servido com a agilidade de um atendente de fast food. Duas taças (codinome simpático que adotei para os copos plásticos) de vinho não são suficientes para me fazer apagar instantaneamente. A saudade dos “pints” de Guinness já bate forte. Restam ainda quase dez horas de vôo e o primeiro filme está quase no fim. O som dos fones de ouvido é até razoável desde que eu não deixe de pressionar constantemente o plug. Depois de um certo tempo, com meu dedo já dormente, resolvo acompanhar o restante do filme apenas pelas legendas. A ausência de som nunca foi problema para os filmes de Chaplin, por que seria para este? Terminado o filme, só me resta tentar dormir, mas meu filho resolve fazer do meu colo seu travesseiro. Agora não tenho como me mover para a frente e nem para os lados e passo a me condenar por ter reclamado dos metrôs nas horas de pico.

Naquele espaço exíguo, reconheço no piso acarpetado a única forma plana horizontal disponível. Estendo um cobertor junto aos meus pés, ajeito com carinho a esponja que eles chamam de travesseiro e deito ali meu filho. Ele acorda e me pergunta se enlouqueci. “Ainda não”, respondo. Tenho agora um filho esticado no chão e uma cadeira vazia ao meu lado. Claro, não tenho mais onde pisar e jogo minhas pernas para a poltrona desocupada. Minha cabeça está recostada na janela e as turbulências do avião embalam meus pesadelos de cinco minutos de duração. Pouco tempo depois, agora são minhas pernas que estão dormentes. Usando os pés, e surpreso com a minha própria destreza, abro a mesa de refeições em frente à poltrona da minha esposa e apoio minhas pernas ali, torcendo para que o fabricante tenha projetado o sistema de dobradiças para pesos bem maiores do que os 250 gramas de cada refeição. As pontas dos meus pés agora estão pra fora do corredor e meus pesadelos passam a durar não mais do que três minutos, espaço máximo de tempo entre um e outro esbarrão de algum passageiro rumo ao banheiro. Por que será que essa gente não dorme?

Minha esposa e meu filho mais velho não têm melhor sorte e passam a noite entre cochilos esparsos, trechos de filmes mudos, membros dormentes e visões de um avião que parece apenas um ponto imóvel na página de um Atlas (quem tiver menos de 40 anos pode procurar informações a respeito no Google). Ah, se o preço da classe executiva fosse apenas o dobro…

Chegamos finalmente ao Brasil. Meu filho pequeno dormiu bem a noite toda. Quem dera tivéssemos todos no máximo um metro e trinta de altura. Já nós três passamos uma noite de cão, compartilhando um sono nada profundo, raso, superficial. Um sono shallow. De repente, juntos e shallow now passou a fazer um sentido danado pra mim…

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

E a maioridade chegou…

20190514_043544

Meu querido, há exatos 18 anos você vinha ao mundo. Há exatos 18 anos você chegava e transformava inteiramente as nossas vidas. Todas as nossas prioridades foram revistas, os nossos sonhos foram alterados e todos os nossos objetivos passaram a incluir você. Agradecendo e tentando conter as nossas expectativas, naquela noite eu deixava registrado, em um cartão entregue à sua mãe assim que ela voltou para o quarto, o que eu e ela entendíamos ser o nosso papel na sua formação:
“Que nós saibamos dar sem esperar nada em troca. Que saibamos respeitar o nosso filho como o ser humano livre e único que ele é. Que possamos orientá-lo sabendo escutar, adverti-lo sabendo perdoar, questioná-lo sabendo confiar. Que sejamos amigos e confidentes sem que percamos a autoridade inerente à condição de pais. Mas que fiquemos atentos para que essa autoridade seja exercida apenas com base no amor. Que não tenhamos expectativas quanto ao caminho dele, exatamente porque o caminho é só dele e de mais ninguém. Que saibamos não cobrar dele a realização dos nossos sonhos, e sim que possamos apoiá-lo na conquista pessoal dos objetivos que ele determinar. Que tenhamos paciência sem perder a firmeza. Que saibamos dizer sim e não com a mesma naturalidade e o mesmo carinho. Que possamos olhar nos olhos dele e sempre conseguir enxergar sua alma. Que sejamos guias, pais, amigos e companheiros e que, como tais, consigamos ajudá-lo a SER. E peço também ao Criador, Dani, em meio a tantas bênçãos, que o nosso filho possa nos perdoar pelos incontáveis erros que iremos cometer ao longo de nossas vidas, mas que, apesar desses erros, ele seja acima de tudo muito feliz”!

Estou ciente de que nem sempre conseguimos alcançar as nossas próprias metas, meu filho. Afinal, assim como previ, erramos bem mais do que gostaríamos. Mas hoje, meu amor, dezoito anos depois, percebo que qualquer expectativa que pudéssemos ter a seu respeito estaria incorreta. Porque nem nos meus sonhos mais otimistas de pai, poderia imaginar ter um ser humano tão espetacular quanto você como filho. Sua elegância, Arthur, sua ética inabalável, sua sede de justiça, sua extraordinária capacidade de discernimento, sua facilidade para expor suas ideias, seu bom senso, sua generosidade, sua coragem para escolher os caminhos certos, sempre mais difíceis, sua doçura, sua inesgotável capacidade de amar. Jamais seríamos capazes de idealizar alguém tão íntegro e tão verdadeiro.

Por isso, hoje só tenho a agradecer. Agradecer a Deus, à Vida, à sua mãe que sempre soube enxergá-lo muito além das aparências, às suas avós que lhe cobriram de amor enquanto estiveram por perto, ao seu avô Doce que sempre percebeu sua alma antiga (assim como a dele), e que tanto contribuiu para a formação do seu caráter, ao seu avô Lauro que tem em você o grande amigo da sua vida, ao seu irmão, tão desejado por você, e que o enxerga como o grande modelo a ser seguido, aos seus padrinhos e seus tios e tias de sangue e de alma que sempre o orientaram nas suas escolhas, aos amigos que você conquistou. Puxa, é tanta gente boa que fez parte da sua vida até agora… Quero agradecer principalmente a você, Arthur, pela oportunidade única de ter nos escolhido como pais, pela honra de sermos seus primeiros guias por aqui, por nos ter permitido aprender tanto com você.

Você já é um homem, meu amor, e os seus desafios estão só começando. Peço a Deus que você tenha sempre serenidade e paz de espírito para superá-los. Que você tenha confiança e perseverança na busca dos seus sonhos e objetivos. E que você jamais se esqueça de que estaremos sempre do seu lado para ajudá-lo em tudo o que precisar. Seja sempre muito feliz. Amo você acima de tudo!

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Uma casa em Londres…

20190511_071331

Eu ainda era praticamente um garoto quando estive aqui pela primeira vez. A primeira vez tanto tempo longe de casa. A primeira vez tendo que me virar sem a tutela dos meus pais. A primeira vez realmente ciente de que teria que arcar com as consequências das minhas próprias decisões. A primeira vez do outro lado do oceano, hoje quase equivalente a uma temporada em Marte. Outros tempos em que a tecnologia da comunicação se restringia a telefonemas ocasionais tão absurdamente caros que o protagonismo das cartas permanecia intocável, principalmente para aqueles detalhes do cotidiano que poderiam perfeitamente aguardar uma ou duas semanas para serem compartilhados.

Eu me lembro como se fosse hoje do dia em que cheguei aqui, do dia em coloquei os pés pela primeira vez nesta casa e senti seu aroma inconfundível. Ainda não sou capaz de descrevê-lo mas, desde então, passei a associá-lo à liberdade, ao desejo de romper barreiras, à ânsia de se descobrir o mundo e, principalmente, ao amor. Porque amor foi o resumo de tudo o que eu vivi nesta casa durante os meses que aqui passei. Marley e Pedro fizeram com que eu, Marius e Silvio percebêssemos as alegrias e as agruras de se lutar pelos seus objetivos e ir em busca dos seus sonhos. E o fizeram com tanta naturalidade e com tanto carinho que esta passou a ser também a nossa casa, e por isso assim a chamo desde então. Talvez nem mesmo eles tenham a noção do quanto estar aqui foi importante para a formação do meu caráter, para a maneira com a qual passei a encarar meus próprios sonhos e objetivos.

Volto aqui depois de tanto tempo para mostrar à casa o que aprendi com ela. Volto para expor a concretização de muitos dos sonhos que aqui acalentei. Volto para dizer à minha família que parte da minha alma sempre estará aqui, como uma horcrux do bem, ligada intrinsicamente a esta casa e a esta cidade. Volto para comemorar o aniversário do meu filho, que se aproxima agora da idade que eu tinha quando aqui cheguei, e que sabe que em breve terá pela frente, na busca dos seus sonhos, outras casas e cidades para também chamar de suas. Volto, principalmente, para agradecer. Agradecer a esta cidade, às pessoas maravilhosas que aqui me receberam e me acompanharam, à Vida. É sempre muito bom voltar pra casa!

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Ópera com sotaque mineiro…

20190420_200451

Não é de hoje que considero a ópera como a mais nobre das manifestações artísticas teatrais. Faço essa colocação sem nenhum menosprezo a qualquer outra, aliás, muito pelo contrário. A ópera é particularmente especial justamente porque é ali que todos os demais gêneros se encontram. E se encontram de uma forma absolutamente harmoniosa, fluida, entrelaçada, evidenciando a relevância de cada um. Em uma produção operística, teatro, música, dança e canto se unem e se multiplicam. Todos são protagonistas. O canto lírico, por exemplo, é sempre mais emocionante em uma ópera pois cada nota cantada está indissociavelmente ligada à carga dramática de seu contexto. Já a orquestra deve ser sempre mais precisa pois a potência de um não pode sobrepujar a delicadeza do outro. A direção cênica de uma ópera é muito mais desafiadora, uma vez que a autenticidade da cena não pode ser perdida em momento algum, mesmo quando as mesmas palavras são repetidas inúmeras vezes, quando a duração do solo musical entre duas falas ocupa um tempo bem maior que o razoável para qualquer diálogo, ou quando coro e solistas cantam simultaneamente inúmeras frases distintas que devem ser inteiramente compreendidas. Iluminação, cenografia e figurinos são igualmente primordiais para que o espetáculo possa levar o espectador aos diversos ambientes propostos, concedendo agilidade e verossimilhança ao conjunto e, consequentemente, à história. E o maestro deve ter consciência de que seu papel, em uma ópera, é muito mais relevante do que apenas reger sua orquestra. Ele é o grande responsável pela justa distribuição de protagonismos. É ele quem deve ser generoso o bastante para permitir que todos brilhem, para que cada um se torne inesquecível. A ópera é, portanto, na minha visão, o mais belo, completo, justo e democrático de todos os gêneros teatrais.

Que bom que, em Belo Horizonte, há hoje tantas pessoas competentes ainda mais apaixonadas por ópera do que eu. O trabalho desenvolvido pela Fundação Clóvis Salgado nos últimos anos é algo realmente impressionante. Uma casa que, mesmo dispondo de recursos financeiros mais escassos a cada ano, tem conseguido produzir títulos com uma qualidade que, sem nenhum exagero, não fica devendo a muitas produções feitas por grandes e famosos teatros de ópera pelo mundo afora. Lucia di Lammermoor em 2015, Romeu e Julieta e O Guarani em 2016, Norma (eleita a melhor produção do ano no Brasil pela crítica especializada) e Porgy and Bess em 2017, La Traviata (também eleita a melhor produção do ano no país) e O Holandês Errante (primeira ópera de Wagner encenada em Minas Gerais) em 2018. Mais do que o número de títulos (que, diga-se de passagem, tinha tudo para ser bem maior caso houvesse maiores recursos disponíveis), o que chama a atenção é a qualidade dos diretores, solistas, cenógrafos, figurinistas e iluminadores que desfilaram seus talentos pelo palco do Grande Teatro nos últimos anos. Chama ainda mais a atenção a competência e o nível de excelência atingido pelo Coral Lírico e pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, em um trabalho primoroso comandado pelo maestro Silvio Viegas e pela diretora artística Claudia Malta, incansáveis em sua luta pela difusão da cultura em Minas Gerais.

Chegamos em 2019 e a FCS apresenta sua nova produção: O Elixir do Amor, de Gaetano Donizetti. A montagem atual não poderia ser mais surpreendente. O genial (não existe outra palavra para definir esse diretor) Pablo Maritano transporta uma história que originalmente se passa em uma aldeia italiana do século XVIII para dentro de uma escola de ensino médio. E o resultado é absolutamente brilhante. A história flui com naturalidade e a performance cênica e vocal dos solistas é impecável. Carla Cottini e Santiago Martínez estão perfeitos, Homero Velho está impagável como o valentão Belcore, e Homero Pérez-Miranda e Fabíola Protzner completam um elenco afinadíssimo de grandes vozes. O Coral Lírico está sensacional e particularmente inserido entre os alunos da escola. Iluminação, cenários e figurinos totalmente integrados com a proposta completam mais uma produção mágica, deliciosa e imperdível. Claro, a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais consegue entregar mais uma performance formidável, conduzida pelas competentes e experientes mãos do maestro Silvio Viegas, sem dúvida um dos melhores regentes de ópera hoje no Brasil. Mais uma vez uma produção mineira feita com talento, criatividade e competência, reforça meu amor por uma arte que está mais viva a cada ano. Que bom, afinal, ópera é bom demais da conta, sô!

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Fontes confiáveis…

Uma tarde de fim de semana em um barzinho, daqueles em que as mesas estão tão próximas umas das outras que o responsável pela contratação dos garçons corre o sério risco de ser acusado de gordofobia, pode ser extremamente educativa nos dias de hoje. Não há melhor lugar para se obter a retrospectiva da semana. Retrospectiva dos acontecimentos? Claro que não, isso seria enfadonho demais. Lá se ouve, em primeiríssima mão, a retrospectiva das interpretações ideológicas dos fatos, das variações dos fatos e das variações imaginárias baseadas nas variações dos fatos. Esqueça os memes recebidos nos seus grupos de WhatsApp, as notícias tomadas como verdadeiras por um leitor menos atento do Sensacionalista ou os vídeos nos quais, dependendo do editor, ambos interlocutores ostentam no final os ambicionados óculos escuros da vitória. O resumo que recebemos nessas mesas é muito mais completo e abrangente, e sua audição ainda vem acompanhada de cervejas geladas e porções de picanha com batatas fritas. Nenhum jornal pode ser páreo para uma concorrência tão desleal.

Minha experiência de hoje foi absolutamente enriquecedora. À minha esquerda, um grupo de jovens começou condenando energicamente o grande responsável pelo incêndio da Notre Dame: o capitalismo.
– Essa ganância da elite católico-branca-burguesa-patriarcal só poderia resultar em um desastre como esse, disse um deles.
Um segundo concordou:
– Sabem quanto custava a entrada para a igreja? Pra onde ia todo aquele dinheiro?

Enquanto isso, à minha direita, dois amigos também já haviam encontrado os culpados pelo mesmo desastre.
– Os muçulmanos colocaram fogo na Notre Dame e vão colocar fogo em todos os símbolos cristãos de Paris e do mundo, disse energicamente o primeiro.
O segundo ficou curioso:
– Já prenderam os culpados?
– Ainda não, mas não adianta prender. Os muçulmanos devem ser todos crucificados em praça pública. A única solução é a gente acabar com esse povo violento que só quer destruir o Ocidente.
– Também acho, concordou o pacífico amigo.

A censura imposta pelo STF foi o próximo tópico da retrospectiva.
– Sou totalmente a favor da liberdade de expressão, mas aquele site golpista cansou de espalhar notícias falsas nos últimos anos e ninguém fez nada. Acho que eles tinham que fechar aquele antro, disse ao grupo um dos jovens.
– Sem contar as mentiras que espalharam para que Lula fosse preso, completou um outro. Canalhas!

- Liberdade de expressão é sagrada, disse por sua vez um dos amigos na outra mesa. Temos que convocar o soldado e o cabo e fechar de vez aquela joça.
– Bons tempos eram aqueles em que esses imbecis não podiam abrir a boca sem prestar continência antes, completou o segundo.

E assim, atento às acuradas informações de um lado e de outro, mais uma agradável tarde se passou. Muitos outros assuntos foram abordados. Fiquei sabendo, por exemplo, que Bolsonaro demitiu o ministro da educação com razão porque este havia se recusado a mandar embora treze mil militantes petistas disfarçados de professores. Que Maduro escreveu uma carta histórica para o presidente do senado, mostrando a grandeza de sua luta pela manutenção da democracia na América Latina. Que a intervenção de Bolsonaro na Petrobrás é altamente benéfica à empresa e ao país, ao contrário das intervenções da Dilma. Que Danilo Gentili merece apodrecer na prisão por mentiras e calúnias, ao contrário de Gregório Duvivier que só fala verdades. Ufa, quanta informação relevante que a Globo não mostrou.

Antes de sair do bar, já deixei reservado meu lugar para a próxima semana. É muito importante me manter bem informado nesses dias turbulentos e fontes confiáveis são cada vez mais difíceis de serem encontradas. Ainda bem que os tempos são outros e todo mundo já sabe que não se pode confiar em tevês, revistas e jornais. Eles só sabem espalhar fake news…

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Sombras da censura…

LP BLITZ RISCADO

Não carrego traumas por ter nascido e crescido durante a ditadura militar. Meus pais não foram perseguidos, muito menos torturados. Vivíamos uma vida pacata, desprovida de luxos ou mordomias mas sem grandes restrições. Eu e meus irmãos estudávamos em bons colégios, jogávamos futebol toda noite na rua, passávamos nossos fins de semana e feriados no sítio do meu padrinho e, uma vez por ano, enfrentávamos mais de dez horas de estrada para mais uma temporada em uma casa alugada em alguma cidade litorânea do Espírito Santo. Casa que, com enorme frequência, ficava longe da praia de areia escura e mar turvo mais próxima. Pra mim, aquilo tudo era o paraíso.

Durante toda a minha infância, até os arroubos de ufanismo patrocinados pelos militares me pareceram corriqueiros. Ainda me lembro de vários trechos da canção que enaltecia as praias ensolaradas do Brasil e o esplendor do sol do meu país. Cantar “eu te amo, meu Brasil” não me parecia um comportamento estranho, nem conivente, muito menos alienado. Não estávamos expostos ao contraditório. Meus pais não eram favoráveis à ditadura. Mas, como a imensa maioria da população brasileira, também não eram contrários. Fui algumas vezes com eles acompanhar os desfiles de 7 de setembro como um bom programa de feriado, mas sem a reverência que muitos demonstravam diante das formações de tanques, cavalos e soldados. Tampouco meus pais me ensinaram a temê-los ou a considerá-los inimigos. Aquela era a nossa realidade e estávamos plenamente adaptados a ela.

À medida em que fui crescendo, entretanto, algumas situações passaram a chamar a minha atenção. A primeira delas foi quando aguardava ansiosamente pelo início do meu programa favorito e um filme foi transmitido em seu lugar. No dia seguinte, fiquei sabendo que o programa havia sido suspenso porque, no domingo anterior, os quatro protagonistas trapalhões cantaram “esse é um país que vai pra frente” enquanto andavam pra trás. Foi a primeira vez que ouvi (ou, pelo menos, entendi o que significava) a palavra censura. A partir daquele momento, as cores dos decalques “Brasil, ame-o ou deixe-o” nos vidros dos carros, passaram a me parecer particularmente sombrias, apesar de seus vibrantes tons em verde e amarelo.

A segunda situação de que me lembro nitidamente é ter ganho de presente de aniversário um LP. Para quem tem menos de 35 anos de idade, LP era um grande disco preto com um pequeno furo no meio que, em contato com uma agulha mágica, emitia sons, vozes e músicas. Aqueles que ainda não conseguiram visualizar adequadamente, imaginem um LP como uma pequena maquete do nosso planeta segundo a crença dos atuais terraplanistas. Pois bem, ao abrir meu aguardado presente (sinceramente não me recordo de qual artista), uma das faixas – sim, dava pra ver faixa por faixa – havia sido inteiramente riscada por algum material pontiagudo. Dessa forma, nem a mais mágica das agulhas conseguiria desvendar sua música. Pedi à minha mãe que trocasse o disco pois ele estava estragado. Minha mãe sorriu e me disse que aquela faixa havia sido censurada e que todos os LP’s de todas as lojas estavam iguais àquele. Uma vez mais, a palavra censura aparecia para impedir as minhas próprias decisões.

Quem essa tal de censura pensava que era? Que direito ela tinha de determinar o que eu poderia ou não ver e ouvir? Àquela altura, eu somente admitiria que meus pais exercessem tal papel. Mesmo assim, esperaria que qualquer proibição imposta viesse acompanhada de explicações e, acima de tudo, de espaços para contra-argumentações. Mas a censura não agia assim. Nem com amor e muito menos com liberdade de manifestação. Felizmente não tive que conviver com ela por muito mais tempo. A irritação que já tomava conta de mim passou a dominar a maior parte da população brasileira e, enfim, as pessoas perceberam que liberdade era um bem absolutamente precioso. E a censura foi banida do Brasil.

Mais de trinta anos se passaram e, por mais absurdo que pareça, a censura resolveu mostrar sua cara novamente. Assim como antigamente, ela vem travestida de legalidade, fantasiada de combatente da mentira, disfarçada de detentora da verdade e da justiça. Diferentemente de suas roupas coloridas do passado, a censura aparece vestida de preto. Sombria como sempre, agora pelo menos não esconde suas verdadeiras cores. Pobre censura, não tem ideia de onde está se metendo. Mesmo que muitos de nós ainda mantenham a torpe e hipócrita atitude de selecionar qual voz pode ou não ser calada, a verdade é que a grande maioria dos brasileiros não admite mais ver cerceada a sua liberdade de escolha e de expressão. E deixará muito claro à nossa velha conhecida que sua presença não é mais tolerada. Nem de brincadeira, nem por nostalgia, nem por um breve instante de recaída. Porque nenhuma censura tem moral, seja no singular ou no plural, suficiente para nos fazer esquecer do grande mal que sua presença nos causou. Canções não serão mais proibidas, vozes não serão mais caladas, reportagens não serão mais rasgadas. Não mais. Não aqui!

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Postos de reclamações…

20190405_063305

- Bom dia, senhor.
– Bom dia. Eu estive aqui no último feirão de carros usados e levei este verde aqui.
– Sim, eu me lembro. O senhor estava em dúvida se levava o verde-oliva ou o vermelho, não é?
– Não, na verdade eu queria levar aquele laranja novinho mas, no final, só tinha esses modelos à venda. Tive que escolher um dos dois.
– Muita gente viveu esse mesmo dilema. E o que eu posso fazer pelo senhor?
– Eu estou tendo problemas com o carro.
– Que tipo de problemas?
– Nem sei por onde começar.
– Fale dos defeitos mais frequentes.
– Bom, o motor está bem mais lento do que eu imaginava. Toda hora falha.
– Mas o carro já deixou o senhor na mão?
– Na mão ainda não, mas tem hora que cansa essa coisa de ter que pegar no tranco, né? Tô vendo a hora em que ele vai parar e ninguém mais vai querer me ajudar a empurrar.
– Entendo. Alguma outra anomalia?
– Sim, a direção está totalmente desalinhada.
– Desalinhada como, senhor?
– Tá puxando demais pra direita, sabe?
– Mas quando fez o teste drive o senhor não percebeu isso?
– Na verdade eu não fiz teste drive com este modelo. Já tinha feito com o vermelho mas ele puxava muito pra esquerda, só engatava a ré e ainda por cima bebia demais. Por isso escolhi o verde-oliva sem nem experimentar.
– Esse não será um problema de fácil solução, senhor.
– Puxa, ficaria feliz se pelo menos ele puxasse um pouco menos…
– Vamos continuar com a lista de problemas.
– Bom, os espelhos não estão funcionando.
– Os espelhos? Como assim?
– Eles estão distorcendo as imagens, olha só.
– É verdade. Aquela montanha de lixo lá longe parece uma colina verde e florida quando vemos refletida. Que coisa.
– Pois é. As imagens muito distantes parecem melhores e as próximas parecem piores. Não consigo entender.
– Não sei se vamos conseguir ajudá-lo neste item, senhor. O fabricante destes espelhos fechou no início de 1985. Era uma empresa sólida, funcionou por 21 anos. Estão retomando suas atividades agora de forma mais abrangente mas não creio que queiram dar garantias depois de tanto tempo.
– Que pena…
– Mais alguma coisa?
– Sim. A buzina.
– O que tem a buzina?
– Ela toca sozinha quando estou perto dos outros carros.
– Quais carros?
– Qualquer um. Pode ser azul, vermelho, amarelo, até os verdes. Aí os motoristas se irritam e começam a brigar comigo. Parece até que o carro gosta de arrumar confusão com os outros.
– Meu Deus, quanta coisa…
– Ainda não acabou. O rádio, por exemplo.
– O rádio não está funcionando?
– Funciona, mas só pra notícias em inglês.
– Ora, é só trocar de estação.
– Não adianta, todas as estações são em inglês. Só tem um canal em português mas o apresentador só sabe falar palavrão, não dá nem pra ouvir.
– Não sei como resolver esse problema, senhor.
– Bem, vamos para o próximo…
– Próximo? Chega! Nada está bom pro senhor?
– Não se trata disso…
– Já saquei qual é a sua. Se arrependeu e quer trocar pelo carro vermelho, não é?
– Não, de jeito nenhum.
– Fala a verdade, pouco mais de três meses com o carro e é só reclamação. Não deu tempo nem de amaciar a direção, de avaliar o consumo. Mas o senhor tem cara mesmo daqueles que não se contentam com nada.
– Mas eu só quero que meu carro funcione bem, nada mais.
– Essa sua conversinha só serve pra desvalorizar o modelo. Quer que o vermelho volte a ser o campeão de vendas, não é?
– Olha só, já falei que não gosto do vermelho e não o compraria por nada deste mundo. Mas quero que os defeitos do meu carro sejam corrigidos, deu pra entender?
– Acho melhor o senhor cair fora e esperar que os problemas do carro se resolvam sozinhos. Com o tempo o senhor acaba se acostumando.
– Quer saber? É isso mesmo que eu vou fazer.
– Já vai tarde.
– Pode me dizer pelo menos onde eu consigo abastecer aqui por perto?
– Ah, se vira… tchutchucão!

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Uri Geller acima de todos…

Quem tem 50 anos ou mais certamente se lembra de Uri Geller, um ilusionista israelense que, na década de 70, ficou famoso no Brasil ao se apresentar em inúmeros programas de televisão. Recordes de audiência foram quebrados enquanto famílias inteiras se postavam feito zumbis diante da TV, portando garfos e colheres, na esperança de que estes começassem a se retorcer e se enrolar tal qual um tatu bolinha diante do perigo. Muitos faqueiros, verdadeiras relíquias de família, ficaram desfalcados tamanha era a força (mental?) exercida sobre os pobres talheres de aço ou de prata. Naturalmente, apenas os garfos e colheres que se identificavam com os “gêneros” dobradiças e parafusos, conseguiram realmente algum tipo de transmutação. Os demais sofreram danos irreparáveis, nunca mais conseguiram retornar à sua função original, e acabaram relegados ao fundo das gavetas ao lado dos talheres de plástico. Hoje certamente tal prática opressiva seria proibida, cabendo única e exclusivamente aos próprios talheres a decisão de se tornarem, externamente, o que suas naturezas internas lhes permitem e orientam. Reflexos da sociedade empoderada em que vivemos.

Mais de quarenta anos depois, Uri Geller está de volta. Não, nenhuma TV aberta está propondo outra sessão de telepatia metalizada. Isso iria aumentar sobremaneira as assinaturas da Netflix além de alavancar uma corrida pelas ações da Tramontina. Geller agora quer fazer com os líderes mundiais o que fazia com os garfos. E ele já começou sua nova missão com a primeira-ministra britânica Theresa May. Caso May insista na saída do Reino Unido da União Européia, Geller ameaça parar o Brexit através de seus poderes telepáticos. Sim, ou May interrompe o Brexit agora por bem ou vai se contorcer até que o faça por mal. Parece que a força mental de Geller é mesmo assombrosa pois a primeira-ministra não poderia estar mais enrolada no atual momento.

Diante de tanto sucesso, líderes brasileiros já fazem fila para a contratação de Geller. Gleisi Hoffmann, por exemplo, estaria disposta a gastar o resto das propinas da Petrobrás ainda nas mãos do PT para que Geller bombardeasse a cabeça dos ministros do STF e conseguisse a libertação de Lula. Geller, entretanto, declinou do convite ao afirmar que qualquer bombardeio, mesmo mental, aos ministros do STF brasileiro iria requerer manobras jurídicas que nem mesmo o mais preparado advogado internacional é capaz de garantir. Gleisi argumentou que as mentes de Gilmar, Toffoli, Lewandowski e Marco Aurélio já haviam sido previamente bombardeadas por forças extremamente poderosas mas nem essa redução no escopo de trabalho foi suficiente para que Geller aceitasse o desafio.

Olavo de Carvalho foi outro a entrar em contato com Geller. Ele prometeu divulgar o trabalho do ilusionista entre os seus milhões de seguidores caso Geller conseguisse convencer Bolsonaro a se livrar de seu vice, o General Hamilton Mourão. Identificado intelectualmente com Olavo, Geller estava propenso a aceitar até que um delicado e afável telefonema do General Heleno o convenceu a recusar o convite. Olavo não ficou feliz e proferiu cento e trinta e oito palavrões e ofensas em apenas dois minutos de conversa, entrando assim para o livro dos recordes. A sorte é que as ofensas foram feitas todas em português (Olavo não gosta de xingar em inglês para não rivalizar com Trump), Geller não entendeu nada e ambos continuam amigos próximos.

Jean Wyllys, diretamente de Portugal, pediu a Geller que transformasse o autoproclamado presidente José de Abreu no único e efetivo presidente da República do Brasil. Geller aceitou a proposta e conseguiu, apenas com sua força mental e em menos de duas horas, o reconhecimento de países importantes como Venezuela, Cuba e Nicarágua, além dos brilhantes intelectuais e demais militantes do PT. Exultante, Wyllys afirmou que sua volta ao Brasil passou a ser uma possibilidade real, e já pediu a Wagner Moura, com quem irá dividir seu novo apartamento, que providencie a decoração do quarto com silhuetas de Che, Fidel e Marighella.

Outros líderes brasileiros a tentar contratar Geller foram Rodrigo Maia, Joice Hasselmann e Paulo Guedes. Todos pediram encarecidamente a Geller que ensinasse a família Bolsonaro a usar as redes sociais com responsabilidade, apenas em prol do bem do país, divulgando ideias, planos de governo e os benefícios das reformas tão urgentes e necessárias. Geller afirmou, entretanto, que era capaz de dobrar garfos, de influenciar pessoas e até de parar o Brexit, mas que, mesmo sendo conterrâneo de Jesus, ele ainda não aprendera a realizar milagres!

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

E os erros se repetem…

Enquanto o governo Maduro fecha as fronteiras da Venezuela, a esquerda brasileira continua fechando seus olhos para o massacre que ocorre há tempos no país vizinho.

Enquanto o governo Maduro queima caminhões com toneladas de mantimentos destinados a um povo miserável, a esquerda brasileira continua creditando tal miséria exclusivamente aos embargos do imperialismo americano e sua ganância pelo petróleo alheio.

Enquanto o governo Maduro assassina compatriotas que ousam desobedecer as ordens de uma ditadura, a esquerda brasileira se solidariza com o ditador e o chama de democrata eleito pela vontade de um povo soberano.

Enquanto o governo Maduro destrói conjuntamente a economia do país e a esperança de seus cidadãos, a esquerda brasileira continua afirmando que o verdadeiro povo venezuelano caminha junto a seu líder, e chama de golpistas os milhões que protestam diariamente nas ruas.

Enquanto o governo Maduro zomba dos líderes dos países que não mais o reconhecem como presidente, a esquerda brasileira continua zombando da inteligência alheia ao propor um alinhamento com o que há de mais retrógrado, de mais pernicioso, de mais degradante hoje na política externa mundial.

As fronteiras da Venezuela serão reabertas mais cedo ou mais tarde e o governo Maduro não se sustentará por um longo tempo. Mas o povo venezuelano ainda sofrerá muito até que consiga reerguer seu país destroçado pelo socialismo. Como invariavelmente acontece, as promessas iniciais de justiça social, independência, prosperidade e liberdade feitas pelo líder da vez se transformam rapidamente em perdas de direitos, penúria, caos e repressão. Nem a igualdade é atingida mesmo com toda a população igualmente miserável, afinal, toda a cúpula que controla a ditadura acumula cada vez maiores riquezas. O roteiro é sempre, absolutamente sempre igual. Não poderia ter sido mesmo diferente com o socialismo implantado por Hugo Chaves e continuado por Maduro na Venezuela.

Mesmo assim, a esquerda brasileira continuará a exaltá-los e a glorificá-los. Ambos passarão a fazer parte do imaginário coletivo, e juntarão suas icônicas silhuetas às de Fidel, de Che, de Marighella, de Dirceu, de Lula e de tantos outros baluartes do ideário de esquerda. Um ideário tão poderoso que consegue (re)escrever a história de cada um deles à revelia dos fatos. Um ideário que conta com o auxílio de politicos e formadores de opinião comprometidos com a divulgação da prometida e falaciosa “justiça para todos”. Um ideário que consegue ludibriar e convencer milhares de cérebros deturpados, incapazes de questionarem a veracidade das teorias que lhes são impostas. Incapazes de analisarem com imparcialidade o ponto de vista contrário. Incapazes de perceberem, ironicamente, que é exatamente essa incapacidade a grande responsável pelo aumento do abismo cada vez maior entre o que acredita a maioria da população e o que pregam os intelectuais, artistas, filósofos, jornalistas e demais defensores de uma esquerda brasileira irremediavelmente contaminada pela patologia mórbida, destrutiva e devastadora denominada socialismo!

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

O que realmente importa…

Foi encaminhada ontem ao congresso a mais importante Proposta de Emenda Constitucional da história recente do Brasil. Em um país quebrado e com déficit bilionário crescente, nada é tão primordial e urgente quanto a aprovação da reforma da previdência. Nenhuma mudança de postura, nenhum controle mais efetivo dos gastos públicos, nenhuma gestão mais eficiente e enxuta do Estado, nada disso surtirá efeitos reais e duradouros na economia brasileira se a reforma da previdência não for aprovada. Sem a reforma, muito em breve simplesmente não haverá dinheiro para a educação, para a saúde, para a segurança, para o saneamento básico. Sem a reforma, cessarão por completo os já escassos recursos destinados à cultura, ao esporte, aos programas sociais. Sem a reforma, o futuro do país é o completo e absoluto caos. Por isso, seja você de direita ou de esquerda, a favor de um Estado assistencialista ou adepto do Estado mínimo, saiba que, sem uma reforma previdenciária robusta e significativa, não existe a menor possibilidade de que o país venha a obter recursos para a concretização de seus objetivos, sejam eles quais forem.

Jair Bolsonaro agiu como presidente e foi pessoalmente ao congresso levar a proposta, passando aos deputados e à população a devida noção de urgência e importância que o tema merece. Atitude louvável e condizente com o cargo que ocupa. Espero que, daqui pra frente, ele tome gosto por atitudes semelhantes e que abandone, sozinho e em família, o irritante hábito de inventar problemas e de criar crises para seu próprio governo. Espero também que, daqui pra frente, ele aprenda a se impor como autoridade máxima do país junto aos seus subordinados e, principalmente, aos seus filhos. Já bastam os problemas que ele terá para a aprovação de uma PEC que retira privilégios da classe política e do funcionalismo público, e que prolonga o tempo de trabalho e de contribuição de todos os trabalhadores da iniciativa privada. Já bastam os gritos de uma oposição hipócrita que, quando estava no poder, defendeu a necessidade premente da mesma reforma e não teve competência para levá-la adiante. Já bastam os lobbies que diversas corporações começam a fazer junto aos deputados e senadores, na tentativa de manterem suas regalias. Já bastam as mentiras que diversos “formadores de opinião” e “defensores das minorias” começam a propagar no intuito de minar a credibilidade de uma lei crucial para a sustentabilidade do país.

Teremos alguns meses pela frente até que a reforma da previdência seja aprovada. Não considero a hipótese de não aprovação, afinal, trata-se de uma mera questão de sobrevivência. Espero apenas que a proposta não seja amenizada de forma excessiva pelo congresso. Espero ainda mais que, ao longo dos próximos meses, assuntos tais como filmes de cineastas ideologicamente deturpados, cor das roupinhas de bebês recém-nascidos, camisas e chinelos piratas usados por autoridades, caravanas e vigílias feitas a presidiários e outras tantas aberrações que servem apenas para inspirar os incontáveis memes que invadem as redes sociais do país, sejam tratadas com a devida relevância que possuem: nenhuma!

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário