Diferenças muito parecidas…

Eu não tenho dúvidas de que existam petistas altruístas, petistas bem intencionados, petistas que acreditam apoiar o que há de melhor para o Brasil. Mesmo cientes dos erros e defeitos de Lula, eles ainda o vêem como uma saída para um país imerso no marasmo em que se encontra, para que o Brasil volte a crescer e a prosperar, e para que o brasileiro volte a ter orgulho de ter nascido por aqui. Mesmo divergindo inteiramente de suas opiniões, não contesto a motivação de seus princípios, e tampouco a sinceridade de seus anseios.

Mas existe uma grande parte de petistas que se comporta como se pertencessem a uma seita. Para eles, Lula nunca fez nada de errado, simplesmente porque Lula nunca erra. Lula é o iluminado, é o homem que veio resgatar o Brasil das trevas, é a única esperança para um povo carente de um grande líder. Para eles, qualquer crítica feita a Lula é infundada, qualquer indício contra ele é obra de uma imprensa ideológica e partidária. Para seus seguidores mais radicais, Lula representa a única expressão da esquerda e, consequentemente, de todas as virtudes humanas. Quem não está com Lula não pode ser identificado como alguém que abomina as atrocidades e o fascismo da direita. Quem não está com Lula, não passa de um traidor do Brasil e é, portanto, tão inimigo quanto os mais ferrenhos defensores da ideologia oposta. Quem não está com Lula, da mesma forma, não merece qualquer consideração por parte daqueles que se julgam os donos da esquerda, que se julgam os únicos e verdadeiros defensores do Brasil. Infelizmente, com essa grande turma de petistas, não há a menor possibilidade de diálogo.

Bem, essa é a minha opinião. Minha opinião também permanecerá a mesma quando o texto acima for relido trocando-se Lula por Bolsonaro, petistas por bolsonaristas e esquerda por direita. Sei que a maioria dos meus amigos simpatizantes do “mito” se encaixa no primeiro grupo. Peço, entretanto, aos demais eleitores de Jair Bolsonaro que verifiquem se não estão se aproximando perigosamente do segundo. Talvez esse exercício lhes sirva de alerta para que não se tornem um exemplo daquilo que mais abominam!

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Uma escolha preciosa…

Tenho repetido e acredito firmemente que as próximas eleições serão as mais importantes da história do Brasil. Não temos mais nenhuma margem para erros. Se não mudarmos de rumo, iremos perecer como nação, não tenho a menor dúvida. Não podemos correr o risco de eleger alguém que não tenha compromisso com a desburocratização, com a liberdade individual, com o apoio ao empreendedorismo, com a universalização do saneamento básico e da educação de qualidade, com a responsabilidade fiscal e com a segurança pública, entre muitas outras importantes metas. Cada eleitor tem, não apenas o direito, mas o dever de escolher o candidato que melhor represente seus anseios e suas expectativas. Afinal, durante muitas eleições, nossa capacidade de escolha ficou limitada a dois polos não tão opostos como queriam que acreditássemos a princípio. Ficamos presos a nomes que jamais sintetizaram nossos ideais e acabávamos votando em quem acreditávamos ser o menos bandido, o menos incompetente ou o menos estúpido. Hoje, pela primeira vez em quase trinta anos, vislumbramos um cenário diferente. Hoje temos um número de candidatos bem maior e uma polarização muito mais restrita às ideologias do que aos nomes outrora impostos. Hoje, pela primeira vez para a maioria da população, cada eleitor poderá votar em um candidato em quem realmente confie. E isso é precioso.

Entretanto, talvez ainda pelos resquícios das experiências vividas, tenho percebido um movimento no sentido de voltarmos a nos comportar como nas eleições passadas, nas quais as ideologias teoricamente à direita e à esquerda determinavam seus únicos representantes e estes concentravam o recebimento de quase a totalidade dos votos válidos. Como eu disse, nossa escolha era baseada na completa desaprovação da candidatura rejeitada e não na aprovação daquela na qual votamos. Eu me recuso a vivenciar isso novamente, pelo menos enquanto tiver escolha. Eu me recuso a cogitar um “voto útil” no primeiro turno se tenho, pela primeira vez em décadas, um candidato que realmente represente meus ideais. Além do mais, estamos a cinquenta dias das eleições e nenhum cenário está sequer perto de se consolidar. Votar em um candidato com quem não me identifico simplesmente porque ele tem, teoricamente, mais chances de se eleger do que aquele no qual confio é, na minha opinião, um completo despropósito. É como se eu estivesse deliberadamente escolhendo a direção errada tendo absoluta consciência daquela que deveria seguir. E quando falo de certo e errado aqui, refiro-me exclusivamente à minha consciência, às minhas crenças, aos meus anseios. Cada um tem as suas, e quem sou eu para dizer que a minha escolha é a correta. Mas ela é minha, e isso também é absolutamente precioso.

Portanto, eleitor brasileiro, se me permite um conselho, no primeiro turno vote em alguém que realmente mereça sua confiança. Alguém que você considere verdadeiramente capacitado a mudar os rumos de um país à deriva. O momento que estamos vivendo é muito raro. O sistema político brasileiro é podre, viciado e não permite essa pulverização de candidaturas e ideias com frequência. Conheça e divulgue as propostas do seu candidato, defenda seus ideais e jamais o abandone em função de pesquisas ou do receio de candidaturas adversárias. Assim, mesmo que o seu candidato não venha a ser eleito, você irá experimentar a extraordinária sensação de paz por ter trilhado o caminho certo, ainda que menos percorrido. E nada é mais precioso do que isso!

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A celebração de um sorriso…

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Há exatos dezessete anos, três sorrisos se percebiam próximos. Três sorrisos se reconheciam afins, refletidos no sorriso alheio. Os mesmos olhos semicerrados, os mesmos vincos ao redor de queixos e bocas, as mesmas expressões de regozijo, as mesmas vibrações de quem se dispunha a trilhar caminhos recém-descobertos. Dezessete anos atrás, três sorrisos íntimos se saudavam como em um ansiado reencontro.

Ali, uma nova etapa de vida se iniciava para cada um deles. Pela primeira vez, três gerações sorriam mutuamente em um dia de celebração. A primeira celebração de um avô, mais pai a cada dia. A primeira celebração de um pai, ainda tão filho. A primeira celebração de um filho, responsável direto pela admirável injeção de luzes e cores inéditas nos olhares de quem o contemplava. De repente, todos se descobriam aprendizes diante de um universo a ser desvendado. Todos se revelavam exploradores prontos a desbravar novas trilhas. E, apesar dos receios denunciados pelos recorrentes calafrios, apesar das indagações ávidas de pistas confiáveis, todos sorriam. Sorrisos ardilosamente ingênuos, inundados de esperança. Sorrisos receosamente destemidos, armados só de amor.

Ao longo dos anos, os sorrisos ficaram mais sábios e maduros, um deles bem mais que os outros. E, ao longo dos anos, o sorriso experiente tentou passar aos demais sorrisos os ensinamentos que também lhes permitissem sorrir de forma mais leve, sem expectativas de retribuição, sem contrapartidas nem disfarces, sem ansiedades e, consequentemente, sem frustrações. Tentou ensiná-los a sorrir de forma plena e desarmada, assim como ele sorria. Assim como só ele era capaz de sorrir.

Durante muitos anos, as três gerações de sorrisos dividiram experiências mágicas e inesquecíveis, mesmo nos breves momentos em que um ou outro deixou de sorrir. Até que chegou o momento em que os três sorrisos se apagaram completamente. Algum tempo depois, ao retornarem, apenas dois deles seguiram sorrindo. E assim seguem desde então, sorrindo e buscando compreeender os conselhos e os segredos ainda indecifráveis daquele sorriso pleno.

Hoje, em mais um dia de celebração, a lembrança, a imagem e a força do sorriso pleno deixam mais saudosos os demais sorrisos que, mesmo carentes de seu guia, continuam a sorrir mutuamente. Sorriem enquanto caminham, cientes de que cada novo passo os aproxima da plenitude. Sorriem enquanto sonham com o dia, quem sabe, em que um novo sorriso volte a compor, com eles, um trio de gerações. Sorriem enquanto se imaginam sábios o bastante para, finalmente, serem também capazes de sorrir plenamente. Sorriem enquanto anseiam pelo momento em que, findadas suas longas e felizes viagens individuais, possam outra vez sorrir junto ao mais puro, o mais verdadeiro e o mais pleno de todos os sorrisos!

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Roda de imbecis…

Duas coisas me assombraram na entrevista de Bolsonaro no Roda Viva: a primeira é o completo despreparo do candidato, incapaz de apontar um único caminho, uma única proposta, uma única solução, um único momento de lucidez nas pouquíssimas vezes em que foi questionado sobre algum projeto ou ação de governo, ou seja, sobre algum ponto realmente relevante para um postulante ao cargo mais importante do Brasil. Mas o que mais me impressionou foi a completa incompetência de todos os “jornalistas” convidados, que passaram noventa por cento do tempo da entrevista tentando revelar o caráter fascista, homofóbico e racista que atribuem ao entrevistado. Assim, só conseguiram fazer com que ele se sentisse à vontade e pudesse se comportar da forma como mais gosta, repetindo suas frases de efeito e conquistando ainda mais seguidores. Se a imprensa brasileira continuar lhe fazendo perguntas imbecis como as feitas no programa de ontem, escancarando um viés ideológico que a maioria da população não suporta mais, essa mesma imprensa só estará ajudando a elegê-lo. O calcanhar de Aquiles de Bolsonaro não é o fascismo que lhe atribuem. Este, ao contrário, é o seu único ponto forte. A verdadeira fraqueza de Jair Bolsonaro está na sua própria indisfarçável mediocridade. Quem não perceber isso estará apenas contribuindo para conduzi-lo ao Planalto!

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A segregação das virtudes…

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O “Festival Lula Livre” realizado ontem no Rio de Janeiro foi o que dele se esperava: um culto à imagem mística e idealizada de um deus cada vez mais acorrentado às consequências de suas próprias escolhas. Nenhuma reflexão mais aprofundada, nenhuma autocrítica pontual, nenhuma sugestão de novos rumos. Apenas o conhecido vitimismo, a velha transferência de responsabilidades, as mesmas tentativas de se manter viva a imagem distorcida de um preso político impedido de guiar mais uma vez o seu sofrido povo. Esforços que encontram eco apenas no número cada vez menor de militantes seguidores de uma cartilha ditada pelo partido e que se mantém viva graças aos artistas, órgãos de imprensa, jornalistas e políticos engajados com a causa. E são esses ditos formadores de opinião os maiores defensores da autodeclarada posse exclusiva de todas as virtudes. Sim, os petistas e grande parte da esquerda brasileira adoram propagar a ideia de que são os únicos preocupados com as pessoas, com o planeta, com a natureza. Que são os únicos a possuírem verdadeiramente coração e alma. Que são os únicos a zelar pelos pobres, pelas minorias, pelos menos favorecidos. Que são os únicos abertos ao diálogo e que prezam pela liberdade e pela democracia. Como se todos os demais cidadãos, mesmo os que se posicionam mais ao centro do espectro político, simplesmente vivessem imersos em seu próprio egocentrismo.

Com que direito reclamam eles o trono da benevolência? Que tipo de atitude discriminatória e excludente pode vir a preparar pessoas verdadeiramente contrárias ao preconceito e à discriminação? Que conceito de diálogo é esse que joga todo contraditório na vala comum do fascismo e da intolerância? Que liberdade é essa na qual a censura a qualquer antagonista é aplaudida e incentivada? Que democracia é essa em que regimes totalitários são enaltecidos e usados como exemplos de soberania? Bando de hipócritas incapazes de analisarem suas próprias atitudes com um mínimo de isenção. Bando de cegos que se comportam como se escolhidos divinos fossem, ungidos pelo poder e pela força de um líder supremo infalível e onipotente.

Não há benevolência alguma em quem se considera o único bondoso. Não há sensibilidade alguma em quem se julga no direito de determinar os únicos aptos a se emocionar. Não há solidariedade alguma em quem se autoproclama o único disposto a ajudar. Não há coerência alguma na defesa de qualquer fato ou atitude não pelo seu conteúdo, mas simplesmente pelo seu autor. Não pode haver virtude alguma em ações pautadas na hipocrisia.

Enquanto isso, a maioria dos brasileiros, independente de crenças e ideologias, continua se emocionando com a música, com a literatura, com todas as formas de arte, com a natureza. Milhares continuam se levantando todos os dias dispostos a ajudar os muitos desassistidos. A maioria continua se indignando com a corrupção, com a injustiça, com a impunidade. Milhões continuam trabalhando com afinco e honestidade, e outros tantos continuam proporcionando empregos e oportunidades a quem precisa. Alheio às normas ditadas por uma turma barulhenta e cada vez menor, o brasileiro continua sendo um povo como qualquer outro, com mais gente honesta que desonesta, trabalhadora que vagabunda, solidária que egoísta. Um povo, também como qualquer outro, cuja maioria gostaria de ver todos os bandidos e políticos ineptos na cadeia, ao contrário da pequena turma barulhenta que insiste em transformar seus corruptos políticos de estimação em deuses e suas ideologias cegas em seitas. Uma turma que, ao se autodeclarar detentora do monopólio das virtudes, apenas escancara seu próprio universo de segregação, de preconceito, de hipocrisia e de extrema estupidez!

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Problemas de um plantonista…

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Sede da Polícia Federal de Curitiba, quinze para uma da tarde de um domingo qualquer…

- Alô?… quem?… não me lembro… ah, plantonista, entendi… sim, senhor… sério?… imediatamente senhor… vou mandar soltá-lo, senhor… vamos sentir falta dele aqui, senhor, ele é um ótimo comentarista de futebol… claro, senhor… tenho só que atender uma outra linha, também estou sozinho aqui de plantão, senhor… sim, fique tranquilo, ele será solto daqui a pouco…

- Alô?… boa tarde, doutor… sim senhor… sério?… mas o senhor não estava de férias?… me desculpe, doutor, realmente isso não é da minha conta… pode deixar, vou mantê-lo preso, doutor… não, daqui ele não sai de jeito nenhum… sim, e ninguém entra… pode deixar, doutor, fique tranquilo. Deixe-me só atender a outra linha…

- Alô?… sim senhor… como assim? Acabei de receber a ligação do doutor… ok, vou esquecer que ele me ligou… ok, não repito mais o nome dele, senhor… sim, senhor, fique tranquilo, vou mandar soltá-lo agora. Só tenho que atender uma outra ligação primeiro…

- Alô?… aham… aham… aham… não, doutor, é que estou ficando muito confuso por aqui… mas o senhor fala uma coisa e ele me fala outra… sim, doutor, vou mantê-lo preso… sim… tem uma outra ligação na espera doutor… até logo, doutor…

- Alô?… mas… senh… por fav… será que o senhor poderia gritar um pouco menos?… por que ainda não o soltei? Eu nem consegui sair do telefone até agora, senhor… sim, senhor… vou tentar senhor… ah, meu Deus, tenho mais uma ligação, senhor… mas eu tenho que atender, senhor… sim, se for ele de novo eu prometo que desligo, senhor… até logo, senhor…

- Alô?… sim, doutora… sim, ele me ligou… três vezes… sim, ele também me ligou… mas, doutora, o que eu faço?… tiro o telefone do gancho?… todas as linhas?… até quando?… e se alguém vier pessoalmente?… portas fechadas e linhas ocupadas… entendi, doutora… sim, não atendo mais ligação nenhuma… pode deixar… meu nome, doutora? É Welington, à sua disposição… sim, sou plantonista… não, não vou fazer nenhuma bobagem, pode ficar tranquila… entendo o seu receio, doutora… não, não bebo nada há três dias… não, nunca fui filiado a nenhum partido… sim, fique tranquila… boa tarde para a senhora…

- Welington, grita o carcereiro.

- Diga.

- O senhor Luís Inácio disse que tem um tal de Rogério querendo falar com você no telefone dele.

- E desde quando preso tem telefone?

- Desde que o Dr. Gilmar veio visitá-lo na semana passada…

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Os donos da bola…

Bem, amigos da Rede Globo. Chegamos ao final do décimo terceiro dia da Copa do Mundo da Rússia. O maior evento esportivo do planeta. O mundo inteiro só fala disso, o Brasil todo só fala disso, a Copa do Mundo é o maior barato, amigo! Em São Petersburgo, a Argentina bateu a Nigéria por dois a um num jogo dramático decidido só nos últimos minutos e agora, amigo, quem é que segura a Argentina? A França só empatou com a Dinamarca e será a próxima adversária dos nossos hermanos. Mas quem acha que o grande protagonista do dia foi o Messi, está muito enganado. Sabe quem jogou demais hoje, amigo? Ele mesmo, o Lewandowisk. Não, não foi o atacante polonês. Foi o nosso Lewandowisk, o presidente da segunda turma do STF. O que tá jogando esse garoto é uma barbaridade. Ele e seus dois fiéis escudeiros, Toffoli e Gilmar, já estão sendo chamados de trio infernal. Um ataque com a característica do brasileiro, com aquela malandragem, com aquele jeitinho, com aquela ginga, com aquela malemolência que acaba levando todo mundo na conversa. Como é bonito ver o entrosamento dos três, amigo. Eles jogam por música. Olha, tô pra te dizer que a sintonia de pensamento que eles demonstram nem Pelé, Tostão e Jairzinho conseguiram alcançar. E a bola deles rola mais redonda quando perdem o medo, quando perdem inteiramente a vergonha, quando se esquecem do que lhes resta de pudor, quando jogam livres, leves e soltos. Na segunda turma não tem pra ninguém. Pra cima deles, trio infernal!

Hoje a partida deles foi histórica, absolutamente memorável. Uma goleada que deixou até o Fenômeno de boca aberta aqui do meu lado. Os três começaram arquivando as denúncias contra Fernando Capez. Lembra dele, amigo? Aquele deputado do PSDB acusado de lavagem de dinheiro no caso da máfia das merendas do governo paulista. E sabe com quem o irmão do Capez trabalha? Com o nosso Toffoli. Não tô falando, amigo? Esse trio dá nó em pingo d’água. Vai que é sua, Toffoli!

Logo depois os três entraram tabelando na área e confirmaram a libertação do Milton Lyra, aquele lobista do PMDB e grande parceiro do Renan Calheiros. Aquele que o Gilmar, com toda sua costumeira habilidade verborrágica, já tinha mandado mais cedo pro chuveiro quentinho de casa. Logo na sequência, já na saída de bola, eles emendaram de sem-pulo a anulação de todas as provas contra Gleisi Hoffmann e seu marido obtidas pela Polícia Federal. E ainda falaram que a ação da PF tinha sido um ultrage, um absurdo. Eles não são moleza não, amigo!

No segundo tempo vocês acham que eles diminuíram o ritmo? Ao contrário, foi aí que partiram para a goleada. Em apenas quarenta e cinco minutos de partida, os três libertaram João Cláudio Genu, ex-tesoureiro do PP, condenado a mais de oito anos de prisão e fecharam a partida antológica com um golaço, daqueles que merecem ser eternizados em uma placa, ou pelo menos em uma gravação não autorizada: soltaram José Dirceu, o mentor do mensalão, o gurú do PT, o guerreiro do povo brasileiro, o cara condenado a mais de 30 anos de prisão. Que gol foi esse, amigo? Fachin até tentou impedir a goleada mas os três pareciam um rolo compressor, um ataque imparável, e passaram por cima dele como Romário costumava passar pelos zagueiros adversários. Por falar em Romário, o trio infernal já se prepara para, em breve, poder jogar também ao lado do baixinho.

E você, amigo, acredita que eles ainda saíram cabisbaixos depois de uma atuação dessas? É que eles tinham planejado marcar mais um grande gol ainda hoje. Um gol que iria levar à loucura toda a barulhenta torcida rubro-rubra espalhada pelo país. Mas Fachin conseguiu, pelo menos, postergar essa nova partida para agosto, quando o trio infernal promete fazer o possível e o impossível pra marcar o grande gol do ano, desde já forte candidato ao Prêmio Puskas ou, pelo menos, ao Prêmio CUT. Quem viu a atuação deles hoje, amigo, sabe bem do que eles são capazes.

Por hoje é só, amigos da Rede Globo. E, não se esqueçam, amanhã tem Brasil em campo. Bem, na verdade, amanhã tem seleção brasileira em campo, afinal, o Brasil foi o adversário do trio infernal hoje. E, amigo, vai levar muito tempo pra esse povinho se recuperar da surra que levou!

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O que determina a lei…

- Boa tarde. Sou do Datafolha. Será que o senhor poderia responder a uma pesquisa sobre as próximas eleições?
– Claro. Pode perguntar.
– Em quem o senhor vai votar para presidente?
– No Frederico Amparo de Vasconcelos.
– Quem é esse?
– Meu pai. Tenho certeza de que ele será um ótimo presidente.
– Ele é filiado a algum partido?
– Não.
– Então ele não pode concorrer.
– Por quê?
– É o que determina a lei.
– Bom, então vou votar no Juscelino.
– Que Juscelino?
– Kubitschek, é claro. Político filiado a um partido.
– Mas ele já morreu.
– Tem que estar vivo pra concorrer, né?
– Claro! É o que determina a lei.
– Entendi. Então acho que vou votar no Obama.
– Que Obama? O ex-presidente americano?
– Sim.
– Ele não pode concorrer.
– E por que não?
– Porque ele não é brasileiro.
– Só brasileiros podem concorrer à presidência?
– É o que determina a lei.
– Puxa, vou votar no Nelson Marchezan Júnior então. Gosto dele.
– O prefeito de Porto Alegre?
– Ele mesmo. Ele está vivo, é brasileiro e é filiado a um partido.
– Sim, mas ele também não pode concorrer.
– Por que não?
– Porque o prazo para desincompatibilização já terminou. Ele teria que ter se afastado do cargo que ocupa.
– Sério?
– É o que determina a lei.
– Puxa, estou sem opções. Não sei em quem vou votar.
– Não sabe… anotado. Vou passar para a pesquisa estimulada agora. Em quem o senhor votaria entre os seguintes nomes: Lula, Marina Silv..
– Peraí, o Lula está na lista de candidatos?
– Sim, claro.
– Mas ele está inelegível. Não é o que determina a lei?
– Sim, mas é que o caso dele é diferente.
– Diferente por quê?
– É que o PT insiste que ele será candidato.
– Mas a lei não permite, não é?
– Não, mas eles dizem que vão registrar a candidatura mesmo assim.
– Eles querem eleger um presidente burlando a lei?
– Bem… é que… qual é o nome do seu pai mesmo?

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Doações para grandes causas…

- Alô?
– Alô, bom dia.
– Bom dia. Com quem gostaria de falar?
– O senhor Fernando está?
– Sou eu, quem fala?
– Eu falo em nome da Sociedade Protetora dos Animais. Gostaria de contar com sua contribuição para que possamos evitar que mais um animal seja extinto.
– Puxa, que trabalho bacana. Como eu poderia colaborar?
– Estamos arrecadando qualquer quantia, senhor. O importante é a participação de todos.
– Tenho um grande apreço pela natureza e posso fazer uma doação sim.
– Agradecemos muito, senhor. Vou anotar os seus dados.
– Perfeitamente, mas antes gostaria de saber mais detalhes. Qual é o animal que está em vias de extinção?
– O tigre de dentes de sabre.
– Acho que deve estar havendo algum engano. O tigre de dentes de sabre está extinto há milhares de anos.
– De forma alguma, senhor. Está vivo e em plena atividade. Mas restam poucos espécimes.
– Minha filha, eu não sou especialista na área, mas você não está se referindo ao tigre errado?
– Não, senhor. É o tigre de dentes de sabre mesmo.
– Bom, não sei se isso é alguma pegadinha mas não tenho nenhum interesse em colaborar com a sua campanha.
– Mas, senhor, por qual motivo?
– Porque não há nada que vocês possam fazer pela espécie. Ela já não existe há muito tempo.
– Onde o senhor leu essa informação?
– Em livros e revistas científicas, em museus, e em vários outros lugares. Aliás, enquanto falávamos aqui dei uma olhada no Google. O tigre está extinto há mais de dez mil anos.
– Não se deixe enganar pelos livros científicos e museus, senhor. Eles são controlados pelo imperialismo americano e querem apenas garantir que o tigre de dentes de sabre seja mesmo extinto. E quanto ao Google, eles só divulgam o que é do interesse imperialista, todo mundo sabe disso.
– Acho que você deve ter bebido. Por que alguém iria querer deliberadamente acabar com uma espécie de tigre, e ainda por cima mentir sobre a sua extinção?
– Os interesses imperialistas são muito abrangentes, senhor. Eles não conhecem limites.
– Seja como for, não me interessa. Não vou dar dinheiro para uma causa totalmente perdida.
– Lamento mas compreendo, senhor. Talvez o senhor queira nos ajudar em uma outra campanha de arrecadação.
– Se for para evitar a extinção dos dinossauros também estou fora.
– Não, senhor. Estamos arrecadando fundos para a campanha presidencial do Lula. O lançamento aconteceu na última sexta-feira e foi um enorme sucesso. Dilma, Gleisi, Lindberg estavam lá e… alô, senhor? Senhor?

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A justiça de cada um…

Nada mais justo que os caminhoneiros tenham acesso a um combustível mais barato, a valores de pedágio reduzidos, a preços mínimos de frete que cubram suas despesas.

Nada mais justo que alguém que já sustentava sua família aos 15 anos de idade, tenha direito a uma aposentaria integral após 35 anos ininterruptos de trabalho.

Nada mais justo que funcionários públicos concursados tenham estabilidade garantida, bônus cumulativos e valores de aposentadoria diferenciados, pois assim previa a legislação quando contratados.

Nada mais justo que grandes empresas, responsáveis pela geração de milhares de empregos, recebam subsídios para desenvolverem suas atividades com maior segurança.

Nada mais justo que empresas estatais controladas pela União possam ser usadas para controle de preços que venham a beneficiar a população.

Nada mais justo que alunos negros e pardos tenham acesso a cotas em universidades públicas, uma vez que não tiveram isonomia de oportunidades no ensino básico.

Nada mais justo que estudantes usufruam de transporte gratuito para que possam se locomover com facilidade e, assim, diminuir a evasão escolar.

Nada mais justo que dívidas de grandes empresas sejam perdoadas ou flexibilizadas pela União de forma a garantir sua viabilidade financeira e os empregos que delas dependem.

Nada mais justo que moradores de rua invadam imóveis desocupados uma vez que o Estado não é capaz de lhes propiciar moradias com um mínimo de dignidade.

Nada mais justo que médicos cobrem de seus pacientes valores complementares aos seus convênios, pois as cifras pagas por estes não são capazes de cobrir sequer os custos dos profissionais.

Todos os fatos e hipóteses descritos acima, assim como outros tantos, são absolutamente justos. E quanto mais de perto analisarmos qualquer situação, mais justa uma determinada reivindicação irá nos parecer. E essa é justamente a grande distorção que os brasileiros se recusam a avaliar. Poucos se dispõem a fazer uma leitura mais ampla, a olhar com distanciamento para o grande quadro chamado Brasil. Poucos se dispõem a tentar entender que um subsídio pontual, um privilégio concedido, uma exceção às normas vigentes irão gerar, inevitavelmente, impactos e consequências em diversas outras áreas. Poucos se dispõem a reivindicar benefícios abrangentes a todos os setores e classes que compõem a nossa sociedade.

A verdade é que, por aqui, todos buscam soluções para os seus problemas individuais e se lixam para os problemas dos outros. Como se as pretensões dos demais compatriotas, igualmente justas, tivessem menor importância. Como se todas as ações governamentais não estivessem interligadas. Uma população com uma cultura assistencialista arraigada, que espera sempre pela iniciativa do Estado para que seus anseios sejam atendidos. Com uma classe política que, reflexo da sociedade, faz do populismo sua plataforma básica de atuação cotidiana. Com uma classe empresarial dividida entre aqueles que se acostumaram às benesses concedidas pelo governo e aqueles que emprestam todos os seus esforços na manutenção de seus negócios e dos empregos que geram. E estes últimos ainda sofrem uma campanha tacanha que costuma demonizar qualquer iniciativa de empreendedorismo e disseminar a falácia de que empregados e patrões trabalham em campos opostos, como se o crescimento de um não dependesse do sucesso do outro.

Difícil imaginar qual será o primeiro passo para que o Brasil possa sair da grave situação em que se encontra. Mas sei que qualquer mudança de patamar como país deve ser obrigatoriamente precedida de uma mudança de mentalidade de sua população ou, pelo menos, da maior parte dela. Não podemos mais conviver com tantas justas situações pontuais capazes de provocar tamanha injustiça generalizada. E, enquanto não percebermos essa distorção, cada brasileiro continuará a clamar por justiça. A justiça de cada um. Só a justiça de cada um!

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