Renascimentos…

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“Mas o anjo disse às mulheres: não temais vós; porque sei que procurais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui, porque ressuscitou, como disse; vinde e vede o lugar onde ele jazia.”

O mundo cristão comemora hoje a ressurreição do Filho de Deus. Fiéis põem-se de joelhos diante da imagem de um sepulcro vazio. Romarias alastram-se por igrejas e templos, tomam ruas de cidades e vilarejos, deixam comovidos os olhares devotos em janelas e sacadas. Palavras de fé e tolerância são compartilhadas em torno das mesas, e multiplicam-se nas telas das redes sociais. Dois milênios depois, muitos ainda buscam um Jesus que os guie e abençoe. O que esperam desse Cristo que hoje renasce? Indulto ou condescendência? Conselhos ou pretextos? Direção ou concordância? Quais deles estão realmente dispostos a ouvir e a entender a mensagem de Jesus, ou apenas procuram distorcê-la para justificar suas atitudes e preconceitos? Que princípios buscam os homens?

Em nome de Deus, pessoas são exploradas diariamente, injustiças aterradoras são praticadas, crimes inomináveis são cometidos. Em nome de Deus, mentirosos contumazes juram propagar verdades, céticos tornam-se autores dos mais complexos dogmas, hereges travestem-se de arautos da fé, cafajestes apresentam-se como porteiros do Céu. Deus é o mais lucrativo de todos os mistérios.

Se Cristo realmente ressuscitou, que hoje renasça também a verdade. Que os homens encontrem a humildade, o bom senso, a capacidade de se colocar no lugar do outro. Que as palavras de Jesus, sempre despidas de empáfia e arrogância, jamais sejam usadas como incentivo à intolerância, ao conflito. Afinal, Ele foi mensageiro do perdão, não do cancelamento de CPF’s. Sua voz ergueu-se em defesa da justiça, jamais da tortura. Suas armas sempre foram o diálogo e o amor, nunca o “ódio do bem”.

Que o Jesus que ressuscita hoje não venha a saber quantos de seus discípulos entendem que um tapa pode ser a melhor resposta para um insulto, que uma invasão sanguinária pode ser mera consequência do comportamento dos invadidos, que as autocracias podem ser justificadas e até aplaudidas. Que o Jesus que ressuscita hoje tenha especial compaixão pelos povos, sempre à mercê dos ególatras, dos déspotas, dos larápios, daqueles que insistem em usar Deus como disfarce para sua própria tirania. Que o Jesus que ressuscita hoje nos traga um pouco de discernimento, e com este, quem sabe, uma réstia de esperança.

“Ide depressa dizer a seus discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis. Eis que eu vo-lo tenho dito.” (Mateus 28:5-7)

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