O que o esporte nos ensina…

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Há dois dias, se alguém tivesse me perguntado qual é o significado de uma competição esportiva tão grandiosa quanto as Olimpíadas, provavelmente teria repetido os velhos (ainda que verdadeiros) clichés usados à exaustão pelos narradores e repórteres de todas as mídias. Palavras como confraternização, união, saúde, bem estar, lealdade, paz, superação, e muitas outras, sempre permitem a construção de frases inspiradas e emocionantes, e jamais poderão ser esquecidas, por mais que sejam ditas em profusão. Todos os sentimentos que essas palavras descrevem estiveram presentes ontem no Maracanã, durante a grande festa de abertura das Olimpíadas Rio 2016. Desde a óbvia e evidente confraternização de todos os povos, vivenciada não apenas no palco, mas principalmente nas arquibancadas, até os mais variados sentidos nos quais a palavra superação pode ser aplicada nos dias de hoje. Superação de todas as limitações que impedem o ser humano de dar o próximo passo, superação das agruras vividas por tantas pessoas nos conflitos espalhados pelos quatro cantos do planeta, superação do próprio sentimento de inferioridade que muitos ainda insistem em tentar incutir em tantos povos do mundo, e pelo qual, tantas vezes, nos deixamos contaminar, superação da nossa própria letargia em aprender com nossos erros e fazer de cada um deles uma oportunidade única de crescimento.

Mas, depois do que pude presenciar na noite de ontem, outras conhecidas palavras passaram a ter um novo significado pra mim. Hoje, palavras como resgate, autenticidade, emoção, confiança e identidade, expressam com maior exatidão os sentimentos e sensações que vieram à tona ontem, ao presenciar o impecável, seguro e altivo desfile da nossa Gisele ao longo da maior passarela de que se tem notícia, ao me deparar com as paisagens indescritíveis vistas pelo nosso Santos Dumont, do alto de seu 14 Bis, finalmente sobrevoando a Cidade Maravilhosa, ao ouvir o mundo inteiro cantar e se admirar com a dádiva de se morar em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Ontem, vi um país inteiro dizer para o mundo que nós somos capazes, que nós somos grandes, que nós somos um povo consciente da nossa identidade e de nossas características. Que nós não temos que buscar ser iguais aos outros, temos sim que buscar ser melhores a cada dia, melhores do que éramos ontem. Que nós temos consciência de nossas limitações mas, ao invés de nos acomodar, devemos sim trabalhar sempre para superá-las. Vi essa consciência ontem nos rostos de centenas de voluntários que trabalhavam com alegria, confiança e imensa simpatia. Vi essa consciência nos olhares iluminados pelo sol brasileiro da meia-noite que brilhou no templo cada vez mais sagrado do Maracanã. Só o esporte e suas celebrações são capazes de proporcionar tamanho êxtase!

Nós somos únicos! E pensar que eu quase cheguei a me esquecer do quanto somos privilegiados. Mas hoje eu sei que não há Dilmas, nem Temers, nem Lulas, nem Cunhas, nem qualquer outro infeliz representante da nossa podre classe política que poderá nos fazer esquecer disso agora. E isso ficou claro pra mim no final da festa, ao ver todos os brasileiros no estádio cantando em uníssono e, pela primeira vez, saboreando cada palavra do normalmente enfadonho grito “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”.

Obrigado Rio, por me devolver, mais do que apenas o orgulho, mas a vontade de ser brasileiro. O melhor lugar do mundo, sem dúvida alguma, é aqui!

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