História de um desastre…

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O canal Spotniks lançou hoje um vídeo com a linha do tempo da pandemia no Brasil ao longo de 2020.

Assistam. Trata-se de um documento histórico.

Mostra de forma clara como o presidente do Brasil menosprezou uma doença que já matou mais de 200.000 pessoas por aqui. Pior, mostra como ele, desde o princípio, fez tudo o que estava ao seu alcance para desestimular toda e qualquer medida de prevenção, inclusive as mais básicas.

Não houve, desde o início da pandemia, um único gesto de Bolsonaro no sentido de orientar a população a se cuidar, a lavar as mãos, a usar álcool em gel, a não sair sem máscaras, a evitar toques e contatos. Em compensação, não faltaram galhofas, deboches, brincadeiras bobas e aglomerações desnecessárias quase que diárias. Não houve sequer um único instante de lucidez, de serenidade, de liderança.

O povo brasileiro foi chamado de maricas, de covarde, de trouxa. Ao longo dos meses, Bolsonaro só fez transferir responsabilidades e negar sistematicamente a gravidade da pandemia. “Gripezinha”, “vírus superdimensionado pela mídia”, “doença que só ataca velhos e doentes” foram algumas das suas frases mais repetidas. Todas falaciosas.

Com a proximidade da vacina, Bolsonaro fez exatamente o oposto do que se espera de um governante: politizou seu uso, torceu abertamente para o seu insucesso, alertou para seus possíveis efeitos colaterais (não, virar jacaré não é um deles) e nunca enalteceu seus benefícios, deixou claro que jamais tomaria vacina e teve a cara de pau de criticar sua “falta de comprovação científica” depois de passar a pandemia inteira como garoto propaganda de um remédio comprovadamente ineficaz. Nenhum líder mundial teve uma atuação tão desastrosa e tão irresponsável.

Seu descaso com a saúde do brasileiro foi tamanho que colocou no Ministério da Saúde um fantoche cujo maior atributo é lhe prestar continência. Disse que o fantoche era “especialista em gestão”. Pois o “gestor” não se preocupou em formar parcerias com vários laboratórios do mundo (pra que essa ansiedade e essa angústia?), não pensou em comprar seringas com antecedência (quem poderia imaginar que elas viriam a ser necessárias, não é?), não conseguiu atender às exigências cadastrais da Pfizer (ah, mas esse laboratório é muito chato mesmo), mandou um avião enfeitado com propaganda governamental buscar – ali na Índia – uma carga que não está liberada (talvez esteja no dia D e na hora H) e deixou centenas de pessoas morrerem asfixiadas por falta de oxigênio, num dos episódios mais tristes e degradantes já vistos na nossa história (sim, o governador amazonense também é conivente, o que não atenua em nada a responsabilidade do governo federal).

Estamos prestes a completar um ano de pandemia. Não temos vacina, não temos planejamento, não temos direção. Nos sobra ignorância, arrogância, incompetência e um número de mortos e de infectados maior a cada dia.

Certa vez, Bolsonaro fez questão de dizer que não faz milagres e não é coveiro. Faltou mostrar que é presidente. Faltou agir como presidente. Agora é tarde demais. Fora, verme!

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