Hora de voar…

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Voe, meu filho, voe.

Voe em busca dos seus sonhos. Abra suas asas e descubra o quão alto você é capaz de voar. Olhe para a cordilheira no horizonte e faça da montanha mais distante a sua meta. Voe até lá. O caminho será longo, meu amor. Você enfrentará ventos que sopram na direção contrária, chuvas que molham seu rosto e o impedem de visualizar seu destino, frio e calor extremos que podem fazê-lo querer desistir e regressar. A dúvida, o medo e a saudade também podem lhe trazer lágrimas. Enxugue-as e siga em frente, meu querido. A tristeza, assim como a euforia, fazem parte da viagem. Vivencie-as e cresça com cada uma delas mas não lhes dê demasiada importância. Tenha sempre em mente que ambas são efêmeras.

Aproveite a viagem, meu filho.

Muitas vezes você sentirá vontade de voar mais rápido, no afã de atingir logo seu objetivo. Não tenha pressa, meu querido. Aprecie o relevo e as sombras que o evidenciam, as formações rochosas e suas diferentes texturas, os cursos d’água com suas corredeiras e remansos. Observe que o serpentear dos rios nada mais é do que a forma com a qual estes sempre contornam e suplantam seus obstáculos. Encante-se com o bailar das árvores, atiçadas pela brisa mansa. Repare como seus troncos chegam a vergar frente a ventos intensos, para depois crescerem resilientes. A cada entardecer, pare um instante e admire o reflexo do sol nos mares e lagos. Note como o céu muda de cor, ou como as cores mudam de céu. Esteja aberto para que cada cor invada a sua alma.

Continue voando, meu filho.

Saiba que, quando você alcançar aquela montanha distante, vai poder vislumbrar outra cordilheira no horizonte e iniciar outro voo. Assim é a vida, meu amor. Os objetivos e as metas são importantes. Mas a forma de alcançá-los importa muito mais. Seja paciente sem se acomodar. Seja tolerante sem perder o foco. Aprenda a diferenciar – e isso só se consegue depois de muitos erros – os momentos em que você deve optar por desvios mais longos e menos turbulentos daqueles em que pode encarar de frente as tempestades. Com o tempo, você entenderá que há espaço na vida para a cautela e para os riscos, para escolher bater suas asas com vigor ou simplesmente abri-las e deixar que o próprio vento o conduza.

Esteja sempre pronto a recomeçar, meu filho.

Sim, você inevitavelmente irá cair, mas não dê tanta importância às quedas. Apenas não deixe que a oportunidade de aprender com cada uma delas lhe escape. Erga-se e entenda qual ângulo de voo foi mal calculado, qual rajada de vento foi capaz de alterar sua trajetória, qual mergulho em busca de alimento não foi feito com a velocidade adequada. Desde que as razões das quedas não se repitam, você se levantará invariavelmente mais forte do que quando caiu.

Voe sem bagagem, meu filho.

As mágoas são como uma mala pesada que você carrega nas costas. O perdão, ao contrário, é capaz de lhe proporcionar um voo leve e sereno. Saiba perdoar com facilidade, principalmente a si mesmo. Só assim seus voos alcançarão grandes alturas. Às vezes você terá a sensação de estar voando sozinho, mesmo que faça parte de um bando. Aproveite para aprender com a solidão a se conhecer melhor. Os que voam com você só serão realmente importantes se você mesmo for sempre a sua melhor companhia. Sozinho ou acompanhado, nunca se esqueça de que o voo é seu e de mais ninguém.

Escute seu coração, meu filho.

Você é livre para escolher avançar ou retroceder, continuar ou desistir. Você poderá descansar para repor as energias e esperar o momento certo de alçar novo voo. As escolhas serão sempre suas, jamais as delegue. Lembre-se, não há receitas, não há regras, não há certo e errado, mantenha-se apenas consciente do seu próprio caminho e das suas próprias decisões. Seja sempre fiel aos seus princípios, sejam eles quais forem. Seja coerente com as suas verdades mas não se torne refém delas. Verdades arraigadas e absolutas costumam limitar nossos voos. Seja sempre íntegro e honesto com os outros e consigo mesmo e, acima de tudo, nunca desvie seu olhar ao se mirar no espelho.

Ame, meu filho.

Ame cada momento do seu voo, ame a montanha que aguarda a sua chegada e as muitas pelo caminho, ame os pássaros que o acompanham na jornada. Ame a vida, com todas as suas agruras e alegrias, desafios e prazeres, adversidades e conquistas. Mas sempre comece por amar a si mesmo. Ame porque o amor é a síntese e a razão de tudo. Você pensa que são suas asas que o levam a voar? Não, meu querido, é o seu amor. Jamais se esqueça disso.

Faça do sorriso sua marca, meu filho.

Não guarde seus sorrisos apenas para os momentos de vitória. Você não vai ganhar todas as vezes, não deixe de sorrir por conta disso. Sorria a cada etapa do seu voo. Voe sorrindo. Quando a vitória acontecer, sorria ainda mais entre lágrimas de emoção. Se ela não vier, misture seu pranto aos sorrisos por ter feito o seu melhor. Se precisar de um motivo para sorrir, sorria porque você sabe onde quer chegar. Quando você for mais velho verá que muita gente passa pela vida sem saber sequer que direção seguir.

Conte conosco, meu filho.

Voe para longe do seu ninho, querido. Voe para construir seu próprio ninho, certo de que aquele que você deixou para trás estará sempre pronto para recebê-lo. Com o tempo – e somente com o tempo – você entenderá que os ninhos dos filhos jamais são desfeitos. Por isso, mesmo vazio, o seu ninho estará sempre aqui, silente, em um ansioso compasso de espera. Uma espera carente de abraços, de beijos, de toques mas, ao mesmo tempo, ciente de que as montanhas próximas não correspondem aos seus sonhos e ao seu desejo de alçar voos mais altos. Limitar seus voos seria o mesmo que amputar parte da sua alma. Por isso, meu amor, as lágrimas da saudade que já está machucando muito o seu e os nossos corações serão sempre sobrepujadas pelos sorrisos e pela certeza de que o seu voo nos inspira, nos anima e nos eleva. É hora de voar, Arthur.

Seja feliz, meu filho!

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