Eu quero bem mais…

Dilma e o PT deixaram o governo federal! Mas, por mais que isso seja, realmente, um imenso alívio, hoje eu quero mais para o Brasil. Eu quero bem mais do que a destituição de um governo corrupto e incompetente. Eu quero bem mais do que ter como presidente um sujeito desleal, oportunista e interesseiro. Eu quero bem mais do que ter que me contentar com o “menos pior” da vez. Eu quero bem mais do que me acostumar a ver, ano após ano, as mesmas figuras desprezíveis na câmara, no senado, nos governos estaduais, nas prefeituras. Eu quero bem mais do que ter que colocar todas as minhas esperanças em um único juiz, em um único ministro, no salvador da pátria da ocasião. Eu quero ser capaz de confiar nas instituições. Eu quero bem mais do que testemunhar pessoas de direita se importando apenas com a destruição de um partido, mas não com a construção de um país. Eu quero bem mais do que aturar pessoas de esquerda ainda defendendo ideologias tacanhas e bandidos travestidos de injustiçados. Eu quero bem mais do que achar comum presenciar assaltos à luz do dia, ou não me assustar mais com o som de tiros vindos da rua. Eu quero bem mais do que me admirar quando alguém devolve o dinheiro do troco recebido a mais, ou quando deixa o telefone por ter arranhado a porta de um carro estacionado. Eu quero bem mais do que não me surpreender quando a carga de um caminhão tombado é saqueada em meia hora, mas o motorista só é socorrido em uma. Eu quero bem mais do que assistir as pessoas sendo discriminadas todos os dias pela cor da pele, condição social ou opção sexual. Eu quero bem mais do que ver empresários que sofrem, batalham e geram empregos sendo taxados de elite, de burguesia, de opressores da classe trabalhadora. Eu quero bem mais do que um governo que me dê assistência. Quero sim um governo que não me impeça de crescer como ser humano e como profissional. Eu quero bem mais do que tudo aquilo que é, mas não deveria ser considerado normal e corriqueiro. Eu quero de volta a minha capacidade de me surpreender, de me indignar, de me inconformar. E eu quero, hoje, apenas ter esperanças de que, quem sabe um dia, todos esses meus desejos poderão mesmo se tornar realidade. Será que estou querendo demais?

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