Oh Captain, my Captain…

Uma vez que acabo de publicar um texto sobre o meu personagem literário preferido, acho oportuno fazer o mesmo a respeito do meu personagem cinematográfico inesquecível. Na verdade, o texto abaixo foi escrito no dia 11 de agosto de 2014, assim que tomei conhecimento da morte do ator Robin Williams, que se suicidara após anos e anos tentando lidar com a depressão. É notável como uma pessoa que encarnou tantos personagens inspiradores e que, através deles, conseguiu ajudar e motivar tantas pessoas ao redor do planeta, não tenha conseguido encontrar inspiração e força para superar seus próprios dilemas, suas próprias limitações, suas próprias inseguranças…

Oh Captain, my Captain! Foi-se hoje o ator que deu vida ao personagem cinematográfico que maior impacto causou na minha vida. Robin Williams era um ator extraordinário, mas a sua atuação em “Sociedade dos Poetas Mortos” foi tão verdadeira que, pra mim, Robin Williams sempre foi, na verdade, John Keating. Sempre foi aquele professor revolucionário que conseguia tocar os corações dos seus alunos, que conseguia inspirá-los, que conseguia ensiná-los a trilhar seus próprios caminhos. Pra mim, foi John Keating quem se vestiu como uma senhora para continuar vendo seus filhos após o divórcio. Foi John Keating quem se formou em medicina e usou o sorriso para curar seus pacientes. Foi John Keating quem deu um imenso coração a um robô do futuro. E foi também John Keating quem ensinou um perturbado gênio da matemática a encontrar suas aptidões.

Mas Robin Williams nunca foi John Keating. Se fosse, certamente teria afogado suas mágoas nas poesias e não nas drogas. Quando se descobrisse em dificuldade, teria subido na mesa da sala apenas para se lembrar de sempre olhar para as coisas de um ângulo diferente. Ao se sentir deprimido, teria saído para caminhar de um jeito desengonçado, sem medo de ser considerado ridículo, sem medo de não ser aceito pelos outros.

É uma pena que Robin Williams não tenha guardado na memória os poemas de Walt Whitman, Thoureau e Tennyson, nos quais a vida é sempre motivo de celebração e não de desespero. É uma pena também que ele não tenha encontrado a sua própria sociedade dos poetas mortos. Mas o que mais me surpreende em tudo isso, é que John Keating não tenha conseguido mostrar ao homem Robin Williams o quanto ele tinha feito da sua própria vida algo realmente extraordinário!

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