O nosso dia D…

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E chegamos ao mais importante dos dias para o nosso país. Os brasileiros têm hoje a oportunidade de alterar os rumos de uma nação dividida e à deriva. Alterar não apenas através das eleições majoritárias para presidente e governador mas, principalmente, pela renovação de um congresso que tem se comportado ao longo dos anos como mero balcão de negócios, no qual os interesses individuais se sobrepõem aos interesses do país. Se não mudarmos isso, qualquer governo eleito terá enormes dificuldades para implementar suas ações. Portanto, brasileiros, votem com consciência para todos os cargos. O resultado de hoje irá afetar decisivamente as vidas de todos nós pelos próximos quatro anos.

As eleições de hoje também serão históricas por outras razões. Pela primeira vez o tempo de televisão, motivo de disputas espúrias, de alianças desprovidas de qualquer ideologia ou interesse comum, de promessas de cargos e repasses em um eventual novo governo, de pouco valeu. O candidato que dispôs do maior tempo não chegará a dois dígitos percentuais quando as urnas forem abertas. Um fiasco. Também pela primeira vez, os dois partidos que têm monopolizado a disputa nacional nos últimos vinte e quatro anos, terão a menor votação de suas histórias em um primeiro turno. Enquanto isso, um candidato sem tempo de televisão, sem estrutura partidária, e ausente por mais de um mês da campanha, chega hoje com chances reais de ser eleito no primeiro turno.

Concordando ou não com suas ideias, gostando ou não do candidato, aprovando ou não o seu comportamento, o fato é que Jair Bolsonaro é um fenômeno que deve ser avaliado para que se compreenda quais anseios da sociedade a sua figura incorpora. Chamar cada um de seus eleitores de fascista é uma forma simplista e tola de evitar uma discussão que merece aprofundamento. É uma forma de esconder as origens de um radicalismo que vem crescendo a cada ano. É uma forma conveniente de esquecer o quanto os brasileiros foram, durante muitos anos, levados a uma segregação compulsória entre bons e maus, ricos e pobres, nortistas e sulistas. Bolsonaro é consequência direta de tudo isso e espero que, daqui pra frente, saibamos compreender que o acirramento desta divisão poderá nos trazer personagens cada vez mais extremados e perigosos. Que saibamos, portanto, respeitar o resultado das urnas e nos comprometermos, cada um de nós, a diminuir gradativamente a distância entre dois Brasis que jamais deveriam ter permitido serem postos como inimigos.

Que saibamos ser também, daqui por diante, mais críticos e seletivos com as informações que nos chegam. Mentiras e noticias falsas sempre existiram. Durante a campanha presidencial de 2014, por exemplo, os marqueteiros do PT bombardearam a campanha de Marina Silva com inverdades. Imagens da comida desaparecendo da mesa das pessoas foram associadas à possível eleição da recém-chegada à disputa, logo após a morte de Eduardo Campos. Àquela altura, Marina chegara a ultrapassar Dilma Rousseff na intenção de votos. Poucos meses depois da reeleição petista, a realidade tratou de mostrar quem iria mesmo promover o maior desastre econômico da história do país.

Mas hoje, quatro anos depois, o trabalho concebido e muito bem remunerado dos condenados marqueteiros petistas é feito gratuitamente pelos milhões de usuários das redes sociais. É verdade que ainda existem aqueles que são bem pagos para produzirem memes, editarem filmes, alterarem o contexto de declarações isoladas, distorcerem fatos ou simplesmente inventarem acontecimentos completamente inverídicos. Mas essas mentiras só alcançam seus objetivos quando são disseminadas pelos usuários das redes.

Todos os candidatos, sem exceção, foram alvos de notícias falsas nesta eleição. E o que mais me surpreende é que muitos insistem em divulgar inverdades simplesmente porque os defensores da ideologia oposta também o fazem. Que lógica é essa? Eu fiquei particularmente assustado ontem, quando alertei um amigo que uma notícia postada por ele era falsa. Ele duvidou e eu apresentei os links comprovando a inexistência do fato, sugerindo a ele que apagasse a postagem. Sua resposta foi a seguinte: “Apago não. Fake pra você. Respeito. Verdade absoluta pra mim. Esquerda sempre inconfiável”. Hã? E comportamentos assim se repetem, da mesmíssima forma, tanto com defensores da direita quanto da esquerda. Então eu me pergunto: quando foi que as pessoas enlouqueceram? Mais importante ainda, quando é que vamos nos recuperar dessa insanidade? Espero sinceramente que a data histórica de hoje marque o início dessa cura.

Por fim, espero também que o crescente engajamento visto nos últimos anos continue. Que cada um se preocupe em fiscalizar as ações do seu vereador, do seu deputado, do seu senador. Que cada um cobre do poder público o cumprimento das promessas feitas. Que todos tenham o discernimento de aprovar ou desaprovar propostas e medidas pelo impacto que elas possam vir a causar, e não simplesmente por seus autores. O certo não está sempre do mesmo lado. Que cada um de nós se lembre sempre que o Brasil é muito grande e diverso, e que todos merecem ser assistidos, consultados e, acima de tudo, respeitados. Só assim poderemos fazer do Brasil um país mais justo, mais próspero e muito mais feliz.

Bom voto a todos nós!

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