A celebração de um sorriso…

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Há exatos dezessete anos, três sorrisos se percebiam próximos. Três sorrisos se reconheciam afins, refletidos no sorriso alheio. Os mesmos olhos semicerrados, os mesmos vincos ao redor de queixos e bocas, as mesmas expressões de regozijo, as mesmas vibrações de quem se dispunha a trilhar caminhos recém-descobertos. Dezessete anos atrás, três sorrisos íntimos se saudavam como em um ansiado reencontro.

Ali, uma nova etapa de vida se iniciava para cada um deles. Pela primeira vez, três gerações sorriam mutuamente em um dia de celebração. A primeira celebração de um avô, mais pai a cada dia. A primeira celebração de um pai, ainda tão filho. A primeira celebração de um filho, responsável direto pela admirável injeção de luzes e cores inéditas nos olhares de quem o contemplava. De repente, todos se descobriam aprendizes diante de um universo a ser desvendado. Todos se revelavam exploradores prontos a desbravar novas trilhas. E, apesar dos receios denunciados pelos recorrentes calafrios, apesar das indagações ávidas de pistas confiáveis, todos sorriam. Sorrisos ardilosamente ingênuos, inundados de esperança. Sorrisos receosamente destemidos, armados só de amor.

Ao longo dos anos, os sorrisos ficaram mais sábios e maduros, um deles bem mais que os outros. E, ao longo dos anos, o sorriso experiente tentou passar aos demais sorrisos os ensinamentos que também lhes permitissem sorrir de forma mais leve, sem expectativas de retribuição, sem contrapartidas nem disfarces, sem ansiedades e, consequentemente, sem frustrações. Tentou ensiná-los a sorrir de forma plena e desarmada, assim como ele sorria. Assim como só ele era capaz de sorrir.

Durante muitos anos, as três gerações de sorrisos dividiram experiências mágicas e inesquecíveis, mesmo nos breves momentos em que um ou outro deixou de sorrir. Até que chegou o momento em que os três sorrisos se apagaram completamente. Algum tempo depois, ao retornarem, perceberam que apenas dois deles seguiam sorrindo. E assim seguem desde então, sorrindo e buscando compreeender os conselhos e os segredos ainda indecifráveis daquele sorriso pleno.

Hoje, em mais um dia de celebração, a lembrança, a imagem e a força do sorriso pleno deixam mais saudosos os demais sorrisos que, mesmo carentes de seu guia, continuam a sorrir mutuamente. Sorriem enquanto caminham, cientes de que cada novo passo os aproxima da plenitude. Sorriem enquanto sonham com o dia, quem sabe, em que um novo sorriso volte a compor, com eles, um trio de gerações. Sorriem enquanto se imaginam sábios o bastante para, finalmente, serem também capazes de sorrir plenamente. Sorriem enquanto anseiam pelo momento em que, findadas suas longas e felizes viagens individuais, possam outra vez sorrir junto ao mais puro, o mais verdadeiro e o mais pleno de todos os sorrisos!

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